O público se emociona ao assistir “Faust” na abertura do 21º Festival Amazonas de Ópera, no Teatro Amazonas

Música

Com um elenco internacional de solistas e sob a regência do maestro Luiz Fernando Malheiro, a ópera “Faust”, de Charles Gounod, abriu a programação do 21º Festival Amazonas de Ópera (FAO) na noite de sábado. O público de mais de 500 pessoas acompanhou e se emocionou até o fim com a lenda alemã sobre um homem que vende a alma ao diabo para tornar-se mais jovem e conquistar a bela Marguerite.

O FAO 2018 é uma realização do Governo do Amazonas, por meio da Secretaria de Estado de Cultura (SEC), com patrocínio do Bradesco Prime – que celebra 10 anos de parceria com o festival –, incentivo do Ministério da Cultura (Minc) por meio da Lei Rouanet; além do apoio da Agência Amazonense de Desenvolvimento Cultural (AADC) e da Aliança Francesa.

Em cinco atos, contando com três horas de duração, o que se viu no palco do Teatro Amazonas foi a entrega completa do elenco e dos Corpos Artísticos do Estado para a realização de uma ópera clássica que participa de temporadas mundo afora. A poderosa voz e marcante interpretação do cubano Homero Perez, que fez o diabo Mefistófeles, arrancou aplausos da plateia. Vezes sombrio, vezes cômico, o papel de Homero acabou sendo adorado pelo público.

“Depois de muito trabalho e muitos ensaios, a felicidade que tivemos ao final do espetáculo foi imensa. Um público extremamente carinhoso e que apreciou nosso elenco, que é extremamente talentoso. Senti uma conexão com a plateia quando estava no palco e acho que isso me deu mais liberdade para interagir com ela. Minha primeira vez em Manaus, mas espero retornar”, declarou Perez, que ainda vai participar da ópera “Florencia en el Amazonas”, que estreia no dia 12 de maio.

No papel de Fausto, o tenor italiano Alessandro Luciano também foi bastante aplaudido pelo público do Teatro Amazonas, e disse que a estreia foi como um acontecimento de um “milagre”. “Vim de outra produção direto para cá e tive 20 dias de trabalho e de suor que viraram o milagre desta estreia. Foi um prazer me apresentar em Manaus com um elenco tão incrível”, comentou.

O barítono uruguaio Marcelo Guzzo faz Valentim, irmão de Marguerite, e participa de uma das cenas mais marcantes da ópera após voltar da guerra e encontrar a irmã desonrada. Guzzo elogiou o Teatro Amazonas como o templo das artes e cultura do Estado. “Esta casa é um claro exemplo que mostra ao mundo que quando acreditamos é possível fazer de tudo”, disse. “Além disso, é uma oportunidade rara para um barítono ter cenas tão dramáticas e me sinto honrado de ter representado esse papel junto de artistas tão talentosos”.

Responsável pela direção musical e regência da ópera, o maestro Malheiro ressaltou o comprometimento dos artistas e da produção para a realização do 21º FAO. “A estreia foi emocionante com uma ópera que é linda, mas também complexa e longa, e o público reagiu muito bem. Todos deram energia para que o festival acontecesse e esse comprometimento tornou isso possível”.

O secretário de Cultura do Estado, Denilson Novo, acompanhou a estreia e declarou que a realização de mais uma edição do FAO emociona e orgulha o Estado. “É muito gratificante ver a produção realizada pelos nossos trabalhadores e nossos Corpos Artísticos que carregam a experiência de mais de 20 anos fazendo ópera. O resultado do trabalho muito nos orgulha e engrandece ainda mais o Estado do Amazonas”, disse.

Público 

O funcionário público Fabrício Neves, 28, disse que a ópera é emocionante, mas que os pontos altos foram os cenários, figurinos e o personagem Mefistófeles. “Fiquei impressionado em como eles montaram os cenários, que estavam ótimos em todos os atos. Porém, o que mais marcou, foi o Mefistófeles, ele entrou muito bem no personagem e mexeu com a plateia”, opinou Neves, que planeja assistir todo a programação do FAO.

O crítico de ópera Paulo Esper disse que a produção superou expectativas e que é digna de qualquer apresentação internacional. “Cenografia maravilhosa, direção musical extraordinária, o maestro Malheiro é um dos grandes maestros de ópera da América Latina e acho que o melhor do Brasil. E me surpreendeu muito o coro e a orquestra, que foram pontos muito mais do que positivos. É digno de qualquer teatro do mundo”, afirmou.

“Faust” ainda terá reapresentações nos dias 4 de maio, às 20h; e 6 de maio, às 19h. Na noite deste domingo (29/04), o 21º FAO apresenta a ópera “Dessana, Dessana”, às 19h, com um elenco inteiramente amazonense.

“Faust” 

Baseada na obra homônima do escritor Johann Wolfgang von Goethe, com libreto de de Jules Barbier e Michel Carré, a ópera estreou no Théâtre Lyrique, em Paris, no dia 19 de março de 1859, e chegou a ser a obra de estreia do Metropolitan Opera, em Nova Iorque, em 1883, estabelecendo a reputação mundial do compositor francês Charles Gounod. Atualmente, a ópera é popular no mundo todo, tendo sido traduzida em mais de 25 idiomas.

Festival Amazonas de Ópera

Este ano, o Festival conta com a apresentação de cinco óperas: “Faust”, “Dessana Dessana”, “Florencia en el Amazonas”, “Acis and Galatea” e a estreia mundial “Kawah Ijen (Vulcão azul)”. Os ingressos estão disponíveis na bilheteria do Teatro Amazonas e no site www.aloingressos.com.br, com valores que vão de R$ 5 a R$ 60.

Fonte – Secom

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