Microempresários mostram alternativas para agricultores comercializarem seus produtos

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Aproximar produtores e potenciais compradores e mostrar alternativaspara os agricultores comercializarem seus produtos. Assim foi a mesa-redondaque reuniu, na manhã desta quarta-feira (2), microempresários e agricultores de 12 municípios, no Seminário Regional de Comercialização dos Produtos para a Agricultura Familiar-Norte (Sercopaf). O evento prossegue até nesta quinta-feira (3), na Faculdade de Ciências Agrárias da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), em parceira com o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTIC).

Segundo Carlos Demeterco, um dos coordenadores do movimento Slow Food na Região Norte, o objetivo do Seminário é formar um elo entre produtores e consumidores sem a interferência dos atravessadores. “Se produtores e consumidores não se conhecem, ou não sabem oque fazem, fica difícil aproximá-los para realizar uma comercialização mais justa para os produtores locais”, explica.

Plataforma on line

Macauly Soyuz, um dos sócios da Onisafra, uma ferramenta online (www.onisafra.com.br) que atua diretamente com o produtor da região e com consumidores que beneficiam matérias-primas desses produtores. A empresa é uma iniciativa privada que opera na cidade desde 2016 e se propõe fazer uma aproximação para haver uma comercialização justa e transparente. “Quem define o preço é o próprio agricultor porque quem sabe da realidade dele é ele mesmo”, explica.

Pela plataforma, os produtos são disponibilizados de segunda até as 23h59 de quinta-feira. Os consumidores escolhem quais produtos desejam comprar e no sábado as compras são entregues nas feiras onde os produtores atuam.

Agricultura solidária

Outra iniciativa que mostrou seu trabalho foi a Comunidade que Sustenta a Agricultura (CSA), um movimento mundial, parceiro do Slow Food, que atua com um modelo de agricultura solidária em que o agricultor deixa de vender seus produtos através de intermediários. “Trata-se de um grupo de produtores que está emparceria com um grupo de consumidores”, explica Ariel Molina, doutorando em Botânica no Inpa, sócio da CSA.

A CSA surgiu, há algumas décadas, em alguns países do mundo, e está presente no Brasil desde 2011. Atualmente, são 90 iniciativas espalhadas pelo Brasil. Em Manaus, atua desde fevereiro de 2018 com o objetivo de apoiar o agricultor e encontrar o consumidor consciente – aquele que quer além de produtos orgânicos. A CSApode ser contatada pelo telefone (92) 99523-7159.

Cesta verde

Já o empreendimento familiar Cesta Verde Dona Walda, que atua desde 2015, mostrou que trabalha com produtos orgânicos, numa relação direta entre produtor e consumidor final.

“Não pensamos simplesmente em vender produtos orgânicos e agroecológicos.Queremos compartilhar um conceito e fazer com o que o consumidor entenda o que o produtor faz em campo para construir uma parceria baseada numa relação justa e respeitosa”, explica Lilia Assunção, uma das sócias da Cesta Verde.

O principal carro-chefe da Cesta Verde é a assinatura mensal onde o assinante recebe uma cesta por semana. Também oferece o serviço de cestas avulsas, vendas de cestas para eventos (no mínimo R$ 100). A empresa hoje produz cerca de 60 itens ao longo do ano na horta que fica na no Ramal do Pupunhal, na vicinal Peixe-boi, s/nº, na zona rural do Iranduba. Para adquirir os produtos o consumidor pode enviar um email para cestaverdedonawalda@gmail.com solicitando informações sobre os produtos. A entrega das cestas é aos sábados das 10h às 13h, no conjunto Tiradentes.

Cooperação alemã

Também a GIZ, agência alemã de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento Sustentável, participou do Seminário falando um pouco sobre o Projeto Mercados Verdes e Consumo Sustentável. Faz parte de um grande programa de floresta da GIZ. O objetivo do projeto é ampliar e qualificar o acesso aos mercados dos produtos da sociobiodiversidade da agroecologia em quatro estados da região Norte (Acre, Amazonas, Amapá e Pará).

Segundo André Machado, nesses quatro estados o projeto tem um orçamento e uma série de ações para os próximos dois anos para amplificar e qualificar os produtos da sociobio e agroecologia. O projeto também tenta articular junto aos governos dos estados a criação de uma câmara de comercialização. “São câmaras informais numa tentativa de animar os atores e aproximar a oferta e as demandas para facilitar as compras públicas, principalmente a alimentação escolar”, explica Machado.

Roda de Conversa

O Seminário Regional de Comercialização dos Produtos para a Agricultura Familiar – Norte realiza nesta sexta-feira (3), a partir das 9h, uma Roda de Conversa que tratará sobre a gestão do projeto “Alimentos bons, limpos e justos: ampliação e qualificação da participação da Agricultura Familiar no Movimento Slow Food”. O assunto será tratado pelo pesquisador Pedro Xavier da Silva, um dos coordenadores do projeto da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)

Segundo o pesquisador, a importância desse Seminário no Amazonas se dá no sentido de que esse tipo de agricultura que está representada aqui, ainda acaba ficando alheia a todos os benefícios e avanços que o grande agronegócio vem tendo no Brasil.

“O grande agronegócio, pela capacidade que tem de produção de renda acaba ganhando esse incentivo e sendo a grande vitrine da agricultura brasileira. E esses agricultores que ainda não conseguem entrar nessas cadeias longas precisam achar outras formas de comercializar seus produtos”, explica.

 

Fonte – Inpa

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