No Pará, detentas da Coostafe aprendem a fazer almofada

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Detentas do Centro de Recuperação Feminino (CRF) de Ananindeua (na Região Metropolitana de Belém) que fazem parte da Cooperativa de Trabalho Arte Feminina Empreendedora (Coostafe), primeira cooperativa formada exclusivamente por internas do sistema penitenciário no Brasil, realizaram um curso de capacitação para produção de almofadas decorativas. A iniciativa é da Superintendência do Sistema Penitenciário do Estado (Susipe), em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar).

Nas aulas, as participantes confeccionaram almofadas e aprenderam técnicas como entrelaçados de fita, aplicação de tecidos, captonê (pontos feitos com cordões ou fios grossos) e patchwork, conhecida como “crazy” – junção de pequenos pedaços de vários tecidos diferentes e irregulares, que são cortados e costurados em um bloco, possibilitando a utilização de restos de retalhos utilizados em outras produções pela cooperativa.

“Cada curso traz uma experiência nova, e com as técnicas aplicadas incentivamos o reaproveitamento de material para a utilização em diversos artesanatos. Neste curso, em especial, pude acompanhar a dedicação e o empenho, por parte das alunas e o interesse delas em aprender as técnicas de patchwork. A metodologia e o planejamento realizado superaram a nossa expectativa, pois todos os momentos foram muito bem aproveitados por elas”, destacou a professora Doralice Barros Ferreira, que ministrou as aulas.

A capacitação teve a duração de uma semana, reunindo mais de 20 internas, divididas em quatro equipes. A formação ocorreu pela manhã e à tarde, com carga horária de 40 h. O objetivo principal foi garantir a capacitação às internas com um curso profissionalizante, além de gerar diversidade aos produtos oferecidos pela Coostafe.

“Este curso foi realizado a partir de mais uma parceria com o Senar, que sempre oportuniza cursos e capacitações para os internos da Susipe. Contamos com uma turma completa, e todas as alunas apresentaram muita vontade e entusiasmo em aprender um novo curso, que auxilia não apenas na capacitação e formação de cada uma, mas também soma pontos para a remição de suas penas”, afirmou a gerente de Ensino Profissionalizante da Susipe, Cláudia Barros.

Oportunidade – A interna Patrícia de Paula sempre participa dos cursos oferecidos à Coostafe. Segundo ela, o importante é aprender algo novo. “Agradeço muito à cooperativa a oportunidade que tenho em participar dos cursos que ela oferece. É mais um passo que a casa penal dá para nos ajudar. A técnica do captonê foi a que mais me chamou a atenção, pois sempre tive vontade em aprender, mas achava que nunca iria conseguir, e agora já consegui produzir a minha primeira almofada usando a técnica”, acrescentou a cooperada.

Já para a detenta Isabel Maciel, que foi assistente da professora por já ter experiência em artesanato, o curso possibilitou qualificação profissional. “Eu sempre lia revistas de artesanato, especialmente as que ensinavam o captonê e o patchwork. O curso veio somar com o que eu já havia aprendido, e dessa vez eu ajudei a professora. Montamos as equipes e cada uma pode colocar em prática a sua própria dedicação”, disse Isabel Maciel.

Toda a produção feita durante as aulas servirá de modelo para a confecção de novas peças da cooperativa. A Susipe já realizou diversos cursos de profissionalização para as detentas que fazem parte da Coostafe, como pintura em tecido, bordado, biscuit, bolsas artesanais, customização e confecção de puffs.

Os produtos confeccionados pelas próprias presas são vendidos em feiras públicas e em um shopping de Ananindeua. Toda a renda é revertida para a cooperativa e dividida entre as internas.

 

Fonte – Governo do Pará

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