Piscicultor multiplica produção de 1 para 150 toneladas em uma década

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Quem vê o jeito simples e a fala tranquila do piscicultor Guilherme Coelho de Carvalho não imagina os números surpreendentes de sua história como empreendedor. Em 10 anos, no município de Esperantina (a 180km de Teresina, no Piauí), ele multiplicou sua produção, de 1 para 150 toneladas de peixes e passou de 2 pequenos tanques para 96, em duas fazendas próprias. Quando começa a se lembrar das muitas dificuldades desta trajetória, os olhos azuis do piauiense de 46 anos ficam marejados e sua fala ganha mais entusiasmo. Guilherme é o primeiro personagem da Expedição #AquiTemSebrae, que, em comemoração aos 46 anos da instituição, percorrerá as cinco regiões do Brasil, mostrando como o empreendedorismo pode transformar vidas.

O começo de tudo

Logo que completou 18 anos, Guilherme fez como a maioria dos jovens da época, na região: decidiu tentar a vida longe do Nordeste. Durante o tempo que passou lavando louças em uma padaria de Divinópolis, Minas Gerais, o jovem acalentava o sonho de ter o próprio negócio. “Mesmo quando trabalhava de carteira assinada, nunca me senti empregado de ninguém, sempre entendi que eu é que estava construindo meu salário. Nunca gostei de trabalhar para os outros, sempre quis ter um negócio meu”, conta.

Algum tempo depois de voltar pra Esperantina, porque a saudade da família apertou, Guilherme abriu sua primeira empresa, uma sorveteria, em 1995. Foi quando começou o relacionamento com o Sebrae. O empresário brinca que, nesse casamento de mais de 20 anos, não há a possibilidade de divórcio. “Antes, achava que o Sebrae era um lugar que emprestava dinheiro. Depois, entendi que os técnicos ensinam a gente a abrir nosso negócio, a ganhar dinheiro e, o mais importante, a administrar esse dinheiro, a reinvestir e multiplicar. Pra mim, é mais difícil saber administrar o negócio e os lucros do que ganhar dinheiro. Tudo o que aprendi e aprendo com o Sebrae é muito importante”, relata.

A sorveteria ia bem, mas não tinha como crescer mais. Procurando outra oportunidade para investir, em 2006 ele descobriu a piscicultura. “Sempre fui do mato, cresci pescando e comendo peixe. Nem como carne vermelha. Então, decidi juntar este meu gosto com uma oportunidade que percebi no mercado, com os rios diminuindo, a quantidade de peixe também e as pessoas procurando se alimentar de forma mais saudável. Foi aí que pensei, isso daí pode ser um bom negócio”, lembra Guilherme, com uma sabedoria peculiar, apesar de sua educação formal não ter passado da quarta série.

Sonho e superação

Com a ideia da piscicultura na cabeça, o empresário procurou o Sebrae. Recebeu orientações, consultoria, participou de cursos e palestras. Mesmo desencorajado pelos amigos e familiares, em janeiro de 2007, ele juntou as economias e fez dois tanques, onde foram colocados 1000 alevinos. Um ano depois, com o lucro da primeira produção, construiu mais 10 tanques. E, assim, ano após ano, reinvestindo a maior parte dos lucros, o piscicultor foi, literalmente, multiplicando os peixes. “No começo, foi muito difícil, as pessoas não acreditavam em mim. Diziam que não era possível produzir peixe aqui, onde nem água tinha. Mas não desanimei, acreditei no que queria e fui em frente”.

Em 2017, já com duas fazendas, 12 colaboradores e 96 tanques, ele contabilizou uma produção de 150 toneladas de tilápias e tambaquis, que abasteceram suas três lojas próprias, os mercados da região e um frigorífico de Teresina. Construir um frigorífico, aliás, é sua próxima meta. Este sonho teve de ser adiado por uma fatalidade ocorrida em abril de 2018. A cheia do Rio Longá, que corta uma de suas fazendas, levou mais de 60 toneladas de peixes, já grandes. “Foi muito triste. O rio levou todas as minhas economias, de dois anos de trabalho. Tive de adiar, mas não vou desistir. O rio levou os peixes, mas não levou minha coragem. Eu ainda vou ser o maior criador de peixe do Nordeste, pode escrever aí”, sentenciou Guilherme.

Uma jornada pelo Brasil

A Expedição #AquiTemSebrae, que começou no último dia 4 de outubro, no Piauí, em comemoração ao aniversário de 46 anos da instituição, vai percorrer cidades das cinco regiões do Brasil, até o dia 6 de novembro. Serão contadas histórias de perseverança e dedicação, que mostram como o empreendedorismo transforma vidas, famílias, comunidades e cidades inteiras, de norte a sul do País. Depois de Esperantina (PI), os próximos destinos da expedição serão cidades em Goiás, Pará, São Paulo e Santa Catarina.

No Piauí, tem Sebrae

O Estado do Piauí conta com 121.089 pequenos negócios, distribuídos entre Microempreendedores Individuais (62.630); Microempresas (49.711) e Empresas de Pequeno Porte (8.748). No ano passado, o Sebrae atendeu a 25.466 pequenos negócios no Estado. Em 2018, os atendimentos realizados pelo Sebrae estão concentrados principalmente nas empresas piauienses do Setor de Comércio (44%), seguidas das empresas de Serviços (26%), Agronegócio (18%) e Indústria (12%).

O Sebrae e os pequenos negócios

O Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) é uma entidade privada que promove a competitividade e o desenvolvimento sustentável dos empreendimentos de micro e pequeno porte. Em 2018, a instituição completa 46 anos de atividades com foco no fortalecimento do empreendedorismo e na melhoria do ambiente de negócios para as micro e pequenas empresas, por meio de programas de capacitação e parcerias com os setores público e privado para promover acesso ao crédito, à inovação e a novos mercados.

Fonte – Agência Sebrae

Foto – Divulgação