Rapidez das mudanças climáticas na Amazônia preocupa deputados e cientistas da região

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O aumento da temperatura global tem levado a Amazônia a conviver com secas e inundações severas e sucessivas, com sérios riscos à população e danos ao bioma, informam especialistas. Só no Acre, estado que tem floresta em 87% de seu território, a população tem passado os últimos 14 anos ora ilhada pelas cheias dos rios ora sob o efeito de poeira e fumaça durante as queimadas, na época da seca. O tema foi debatido em audiência pública da Comissão de Integração Nacional da Câmara nesta terça-feira (5).

A Diretora do Instituto de Mudanças Climáticas e Regulação de Serviços Ambientais do Acre, Vera Reis Brown, admite que os cientistas da região estão perdendo o poder de previsibilidade climatológica diante da transição nos padrões amazônicos. A concentração de CO2 na atmosfera, medida em partes por milhão (ppm), é uma das variantes que tem registrado aumento significativo nos últimos anos.

“Sai de valores abaixo de 320 ppm, lá na década de 1960, para valores de até 407 ppm, agora em 2017. Isso é muito significativo, e temos de estar alertas a esse processo porque podemos alcançar níveis em que a floresta amazônica não irá suportar. E muito menos, a saúde da população”, advertiu.

Vera Brown, que é doutora em ciências da engenharia ambiental, citou estudos que apontam risco de concentração de 600 a 900 ppm de CO2 na atmosfera por volta do ano 2100. A atividade humana — com o povoamento acelerado e o uso elevado de combustíveis fósseis, por exemplo — está diretamente ligada ao impacto que os gases do efeito estufa provocam na região.

O deputado Leo de Brito (PT-AC), um dos autores do requerimento para o debate, lembrou que a Amazônia é estratégica para a meta brasileira de reduzir as emissões de gases poluentes em 37% até 2025. Brito representou a Comissão de Integração Nacional na COP 23, a conferência da ONU sobre o clima, realizada em novembro, em Bonn, na Alemanha.

“E a Amazônia teve, inclusive, um dia próprio de eventos, o Amazon Bonn, tratando exatamente da importância da preservação da Amazônia para o Acordo do Clima, o Acordo de Paris. E nós somos testemunha de como as mudanças climáticas já são uma realidade para a Amazônia do ponto de vista da frequência de inundações e, da mesma maneira, das secas que sucessivamente têm castigado a região”, destacou.

COP 23

Em Bonn, o governo do Acre conseguiu aporte financeiro de 30 milhões de euros da Alemanha e do Reino Unido para financiar a segunda etapa de programas de Redução de Emissões de Desmatamento e Degradação Florestal (REED+), incentivo desenvolvido no âmbito da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC) para recompensar financeiramente países em desenvolvimento por seus resultados.

O diretor do departamento de florestas do Ministério do Meio Ambiente, Jair Schmitt, citou queda nos índices de desmatamento na Amazônia, mas também revelou temores.

“Alguns cenários nos preocupam, como esse de Rondônia, onde tivemos uma retomada de crescimento desproporcional ao que a gente vê na tendência da Amazônia; e o cenário do estado do Amazonas, embora, em números absolutos, não seja algo tão elevado, mas também não representa a redução proporcional como a que a gente vê nos demais estados. O desafio é grande. Acreditamos que 95% desse desmatamento seja ilegal”, informou.

Entre as ações de adequação e de mitigação das mudanças climáticas, os governos federal e do Acre mostraram o atual andamento de programas de regularização fundiária, prevenção de incêndios florestais e recuperação de vegetação nativa.

Fonte – Agência Câmara

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