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Resíduos de medicamentos veterinários em alimentos – desafios e soluções

Os resíduos de medicamentos veterinários em alimentos de origem animal são considerados um potencial risco à saúde humana
Os medicamentos vencidos são resíduos potencialmente perigosos, não sendo lixo comum e nem material reciclável

Os resíduos de medicamentos veterinários em alimentos de origem animal são considerados um potencial risco à saúde humana, devido ao desenvolvimento de resistência a múltiplos medicamentos, carcinogenicidade e interferência na microbiota intestinal. Este artigo discute as fontes desses resíduos, os fatores que influenciam sua presença em alimentos de origem animal e as possíveis soluções para esse problema.

Fontes de resíduos de medicamentos veterinários em produtos de origem animal

Resíduos de antibióticos

Antibióticos são amplamente utilizados para fins terapêuticos, profiláticos e de promoção de crescimento em 80% dos animais destinados à produção de alimentos. Esses medicamentos inibem a síntese de proteínas, a divisão celular, o desenvolvimento e a síntese da parede celular de bactérias patogênicas. Resíduos inesperados de antibióticos na carne, leite e ovos de animais são causados por contaminação cruzada em ingredientes da ração, recirculação de resíduos em esterco e material de cama, além de água e alimentos contaminados fornecidos aos animais.

A contaminação do leite com antibióticos ocorre, frequentemente, devido a infusões intramamárias para tratar mastite. Já nos ovos, a formação da gema e da clara é influenciada pela contaminação. Em países com regulamentações rigorosas, como Europa e Estados Unidos, resíduos de antibióticos em carne de aves e de outros animais são raros. No entanto, as taxas de incidência variam em outros países: 37,2% em Madagascar, 0,5% na Coreia do Sul, 0,8% no Japão, 11,9% no Vietnã e 2,7% na Malásia.

Resíduos de anti-helmínticos

Anti-helmínticos são frequentemente usados para minimizar os impactos econômicos das infecções parasitárias em animais de criação. A ivermectina, por exemplo, é uma substância lipofílica amplamente empregada, mas que apresenta um longo período de carência em produtos de origem animal ricos em gordura. Resíduos de benzimidazol e ivermectina já foram encontrados em carne bovina e laticínios na Irlanda, Reino Unido, Suécia, Bélgica e Alemanha.

Resíduos de anticoccidianos

Anticoccidianos são utilizados para prevenir, controlar e tratar a coccidiose, doença causada por organismos do gênero Eimeria, que danificam a mucosa intestinal dos animais. Apesar de metabolizados rapidamente, esses medicamentos podem se acumular em tecidos e ovos. Resíduos como robenidina, monensina, salinomicina e lasalocida já foram detectados em produtos de origem animal na Irlanda do Norte e no Reino Unido.

Resíduos de anti-inflamatórios não esteroidais
Esses medicamentos são amplamente utilizados para tratar inflamações, dor, doenças respiratórias, febre e distúrbios musculoesqueléticos. Drogas como flunixina, meloxicam, tolfenâmico, metamizol e diclofenaco são administradas em vacas leiteiras, podendo resultar em resíduos no leite.

Fatores que influenciam os resíduos de medicamentos

Aspectos como a formulação do medicamento, via de administração, dosagem, raça, idade, sexo e condição corporal do animal afetam os níveis de resíduos em leite, carne e ovos. Além disso, propriedades físico-químicas, como solubilidade em lipídios, impactam a difusão do medicamento nas membranas celulares, influenciando a concentração nos tecidos.

Resíduos de medicamentos em alimentos

Leite e produtos lácteos

O leite é amplamente consumido em todo o mundo, tornando os resíduos de medicamentos uma grande preocupação para a indústria de laticínios. Processos térmicos, como pasteurização e esterilização, reduzem a quantidade e os efeitos tóxicos dos resíduos. Por exemplo, o tratamento UHT diminui em 40% e 30% as concentrações de oxitetraciclina e tetraciclina, respectivamente.

Carne

Resíduos de medicamentos afetam a qualidade da carne e de seus derivados. O cozimento reduz a concentração de resíduos, como doxiciclina, oxitetraciclina, ampicilina e cloranfenicol, entre 12% e 50%.

Ovos

Os medicamentos administrados a galinhas poedeiras são absorvidos no trato digestivo, transportados pelo sangue até os ovários e acumulados na gema e na clara. Tratamentos térmicos, como fritura e fervura, reduzem significativamente os resíduos de tetraciclina e enrofloxacina, por exemplo.

Soluções potenciais

Para reduzir resíduos, é fundamental fornecer informações adequadas aos produtores sobre dosagem, efeitos colaterais e períodos de carência. Além disso, é essencial seguir rigorosamente as instruções de uso e implementar programas de monitoramento baseados em riscos.

Educar produtores e consumidores sobre o uso correto de medicamentos veterinários e os riscos associados também é vital. Métodos alternativos de prevenção, como vacinação, biossegurança, higiene e nutrição adequada, ajudam a reduzir a necessidade de medicamentos.

Por fim, tecnologias avançadas, como biossensores e métodos cromatográficos, permitem detectar resíduos de medicamentos com maior precisão.

Uso e manejo corretos

A administração de medicamentos veterinários deve ser feita de maneira responsável, respeitando os períodos de carência e boas práticas de manejo. Isso é essencial para minimizar os resíduos em produtos de origem animal e proteger a saúde pública.

 

 

Fonte – Poultry World

Foto – Divulgação

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