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Dia da Sobrecarga da Terra chega mais cedo em 2025

Humanidade no vermelho - usamos 1,8 vezes mais recursos do que a Terra pode regenerar.
Desigualdades fundamentais estão no centro do uso global de recursos naturais.
A extração e o uso de recursos naturais mais do que triplicaram desde 1970.

Na quarta-feira (24 de julho), a humanidade atingiu o limite da capacidade do planeta de renovar seus recursos naturais em 2025. A data marca o chamado Dia da Sobrecarga da Terra (Earth Overshoot Day), calculado anualmente pela organização internacional Global Footprint Network.

O marco simboliza o momento em que a demanda por recursos naturais, como água, alimentos, madeira e absorção de carbono, ultrapassa o que a Terra é capaz de regenerar ao longo de um ano. Em outras palavras, estamos usando mais natureza do que o planeta consegue repor e vivendo, simbolicamente, “no crédito ecológico”. Sim, nossa conta entrou no vermelho.

Em 2025, a data evidencia que estamos utilizando os recursos naturais 1,8 vezes mais rápido do que os ecossistemas do planeta conseguem se regenerar. Essa sobrecarga ocorre porque emitimos mais CO₂ do que a biosfera consegue absorver, utilizamos mais água doce do que os aquíferos podem repor, cortamos árvores em ritmo superior à regeneração das florestas e pescamos além da capacidade de renovação dos estoques pesqueiros.

Esse uso excessivo esgota o capital natural da Terra e compromete a segurança dos recursos no longo prazo – especialmente para populações que já enfrentam dificuldades no acesso a recursos básicos. Afinal, não consumimos da mesma maneira. O acesso, deveria, mas está longe de ser igualitário. Não à toa, apesar de haver uma data mundial, os países chegam no Overshoot Day em dias e até meses diferentes do ano. Enquanto o Catar, por exemplo, chegou atingiu a sobrecarga em 6 de fevereiro de 2025, o Uruguai só chegará no dia 17 de dezembro.

Déficit cumulativo

Neste ano, o Dia da Sobrecarga da Terra ocorre na data mais precoce já registrada. Ainda assim, a Global Footprint Network destaca que o marco tem se mantido numa janela relativamente estreita ao longo dos últimos 15 anos, geralmente caindo logo após os primeiros sete meses do ano. A organização também alerta que as datas anteriores são sempre recalculadas, conforme diversos critérios (saiba mais aqui). Deste modo, a data de 2024, que ocorreu em primeiro de agosto, não pode ser considerada como parâmetro.

“Estamos expandindo os limites do dano ecológico que podemos causar. Já se passou um quarto do século XXI e devemos ao planeta pelo menos 22 anos de regeneração ecológica, mesmo que impeçamos qualquer dano adicional agora”, alerta o Dr. Lewis Akenji, membro do conselho da Global Footprint Network. “Se ainda quisermos chamar este planeta de lar, esse nível de superação exige uma escala de ambição em adaptação e mitigação que deve ofuscar quaisquer investimentos históricos anteriores que tenhamos feito, em prol do nosso futuro comum”, complementa.

Adiando a data

Para mostrar que é possível reverter esse caminho, a Global Footprint Network elenca uma série de soluções existentes e prontas para serem implementadas em larga escala. Com a #AdiarAData, a organização busca inspirar mudanças ao nível individual e, sobretudo, coletivo em cinco áreas principais: planeta saudável, cidades, energia, alimentos e população.

Individualmente, também é possível calcular a própria pegada ecológica no site Footprint Calculator. É uma maneira de saber quantos planetas seriam necessários se todos no mundo vivessem como você.

Ação propõe “fuga da Terra”

Para chamar atenção para o uso responsável dos recursos finitos, a rede Circulare, da empresa Circular Brain, promove uma ação inusitada na Avenida Paulista, maior centro financeiro da capital mais populosa do país. A iniciativa simulará a instalação de uma agência de viagem fictícia com roteiros interplanetários, sugerindo um roteiro de fuga do planeta Terra após o fim dos recursos naturais.

“Sabemos que isso não é possível e é imprescindível cuidarmos desse lugar onde vivemos”, explica Lívia Santarelli, Gerente de Campanhas Ambientais da Circular Brain. “Apesar dos cenários desfavoráveis, a mensagem é positiva. Queremos que a população entenda que ainda dá tempo de virar esse jogo”, completa.

A ação acontece entre os dias 24 e 27 de julho, das 11h às 14h, na Avenida Paulista, próximo ao MASP (Museu de Arte de São Paulo), e inclui a distribuição de folhetos educativos sobre a economia circular de eletrônicos, brindes, além de pontos de coleta para o descarte correto de resíduos eletrônicos.

 

Fonte – Ciclo Vivo

Foto – Sebastian Pichler | Unsplash

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