Ciência e Tecnologia

Celulares e redes sociais ampliam riscos de violência nas escolas

Estudos indicam que comunidades virtuais anônimas podem intensificar comportamentos violentos.
Especialistas apontam que uso excessivo de tecnologia influencia ataques entre jovens.
Redes sociais reforçam padrões e dificultam a aceitação das diferenças.

O ambiente escolar, que deveria ser imune a situações de violência, infelizmente está cada vez mais suscetível a esse fenômeno. Os casos acontecem não apenas na forma de ataques de violência extrema, mas também dentro da própria comunidade escolar. Para abordar as causas desses episódios, o USP Analisa desta quinta (14) conversa com os pesquisadores Luiz Guilherme Dácar da Silva Scorzafave e Samia Mercado Alvarenga, que atuam no Laboratório de Estudos e Pesquisas em Economia Social da USP em Ribeirão Preto.

A tecnologia

Para Scorzafave, o aumento do uso de redes sociais pelos jovens tem relação com os ataques de violência extrema, que passaram a ser registrados no País a partir de 2002. “Os estudos que têm saído recentemente mostram que fatores como a criação de comunidades, muitas vezes virtuais, em que as pessoas anonimamente conseguem se engajar e ser escutadas por grupos que têm o mesmo tipo de pensamento, acabam estimulando esse tipo de ato”, explica ele.

Segundo o pesquisador, em geral, os responsáveis pelos ataques passaram por situações de sofrimento – como bullying, brigas, exclusão e rejeição – durante a infância e adolescência dentro da própria escola. “É algo que fica muito marcado na pessoa e ela acaba usando a escola como um alvo, como uma vingança por todo aquele sofrimento que a escola causou”, afirma Scorzafave.

As redes

Samia destaca ainda que as redes sociais estigmatizam determinados padrões, o que traz aos jovens dificuldades de lidar e aceitar o diferente. Além disso, para a pesquisadora, a polarização política pela qual o País tem passado nos últimos anos e a disseminação de discursos de ódio também contribuíram para um acirramento das agressões. “A escola precisa preparar o aluno para sociabilizar também. Não é só para fazer as provas, ele precisa resolver os conflitos, ele precisa aceitar o diferente e conviver com o diferente de forma pacífica. E talvez a gente esteja negligenciando um pouco essa parte”, afirma ela.

O USP Analisa é quinzenal e leva ao ar pela Rádio USP às quintas-feiras, às 16h40, um pequeno trecho do podcast de mesmo nome, que pode ser acessado na íntegra nas principais plataformas de podcast.

O programa é uma produção conjunta do Instituto de Estudos Avançados Polo Ribeirão Preto (IEA-RP) da USP e da Rádio USP Ribeirão Preto. Para saber mais novidades sobre o USP Analisa e outras atividades do IEA-RP, inscreva-se em nosso canal no Telegram ou em nosso grupo no WhatsApp.

 

 

Fonte – USP

Foto – Freepik

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