Ciência e Tecnologia

Livro mapeia fornecedores de sementes e mudas e joga luz sobre os desafios da restauração ecológica no Brasil

O levantamento revela entraves que ainda dificultam a restauração ecológica, mas também aponta caminhos e potencialidades regionais pouco exploradas.
O livro se torna uma ferramenta prática para orientar políticas públicas e iniciativas ambientais privadas em todo o Brasil.
Uma obra inédita mostra onde estão, quem são e como atuam os fornecedores de sementes e mudas no país.

O Portal de Livros Abertos da USP liberou para acesso gratuito o livro Fornecimento de Sementes e Mudas Nativas no Brasil, uma obra que ajuda a entender um dos pontos-chave da restauração ecológica no país. O estudo mostra como está organizada a oferta desses insumos essenciais para o reflorestamento e para o enfrentamento das mudanças climáticas.

Escrito pelas pesquisadoras Samira Rodrigues Miguel e Nathália Cristina Costa do Nascimento, o livro reúne dados atuais e traduz informações técnicas de forma acessível. Em 59 páginas, com gráficos e mapas, a publicação revela onde estão os fornecedores de sementes e mudas, quais regiões têm mais estrutura e onde ainda faltam condições básicas para ampliar a restauração ecológica.

O levantamento vai além do diagnóstico geral e entra em um dos principais desafios do setor: a infraestrutura. A análise mostra a situação dos viveiros, aponta falhas na logística e indica o que precisa ser melhorado em cada região, ajudando gestores públicos e investidores a direcionar melhor recursos e esforços.

Para construir o estudo, as autoras ouviram 77 fornecedores em todo o Brasil. As entrevistas trouxeram dados sobre produção, preços e diversidade de espécies, revelando diferenças importantes entre regiões e tipos de insumos. Essas informações ajudam a medir a capacidade real do setor e a tornar as ações de restauração ecológica mais eficientes e conectadas à realidade do país.

Restauração estratégica

Segundo as autoras no livro, a restauração florestal ocupa posição central na estratégia brasileira de enfrentamento às mudanças climáticas. “A Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) do Brasil, submetida à Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC), estabelece como meta a restauração de 12 milhões de hectares de florestas até 2030. Essa meta está alinhada a compromissos internacionais, como o Desafio de Bonn e a Iniciativa 20×20, que promovem a recuperação de áreas degradadas na América Latina”, escrevem.

No plano nacional, o Brasil tem lançado políticas e programas com vistas a viabilizar essas metas. Elas destacam o Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (Planaveg), que orienta ações para a restauração em larga escala, além do Código Florestal Brasileiro, que também é instrumento-chave ao estabelecer a obrigatoriedade de recomposição de áreas de Reserva Legal (RL) e de Preservação Permanente (APPs) suprimidas ou degradadas ilegalmente. Em nível subnacional, diversos Estados têm adotado iniciativas próprias, informam, citando, por exemplo, o programa Refloresta SP, que visa a restaurar 800 mil hectares no Estado de São Paulo. Também falam do Estado do Pará, que criou uma categoria específica de unidade de conservação voltada à recuperação de áreas degradadas, denominada Unidade de Recuperação, cuja concessão está atrelada à geração de créditos de carbono como incentivo à restauração (Lei nº10.259 de 2023).

Para elas, é urgente ampliar os esforços de restauração em larga escala como resposta aos impactos ambientais, sociais e climáticos. No entanto, elas lembram que o êxito desses projetos depende, entre outros fatores, da disponibilidade, diversidade e qualidade dos insumos utilizados — especialmente sementes e mudas de espécies nativas. “Essa demanda crescente por insumos qualificados exige uma rede de fornecedores bem estruturada e articulada, capaz de atender a diferentes regiões e contextos ecológicos. Para tanto, é fundamental contar com uma infraestrutura robusta e descentralizada, que permita o acesso eficiente a sementes e mudas adaptadas às condições locais. Além disso, a presença de fornecedores em regiões estratégicas contribui para reduzir custos logísticos, ampliar a adesão de produtores e garantir o sucesso das ações de restauração”, garantem.

As autoras lembram, ainda, que o fortalecimento dessa cadeia não apenas atende às exigências técnicas dos projetos de restauração ecológica, como também viabiliza a expansão dos sistemas agroflorestais. “Estes, por sua vez, aliam produção agrícola à conservação da biodiversidade, promovendo alternativas econômicas, contribuindo para a soberania alimentar e fornecendo suporte para usos da terra mais sustentáveis em diferentes territórios do País. Além disso, também contribuem em ações de arborização urbana e de educação ambiental.”

O acesso ao conteúdo é livre e gratuito na plataforma de Livros Abertos da USP, oferecendo um recurso científico sólido para acadêmicos, ONGs, empresas e órgãos governamentais. Para fazer o download do livro clique aqui.

 

 

Fonte – USP

Edição – Coopnews

Foto – Divulgação/Gerhard Waller/Esalq USP

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