A ciência entrou de vez no centro das decisões ambientais no Pará. O Plano de Recuperação da Vegetação Nativa avança para uma etapa decisiva com a definição de áreas prioritárias para restauração, baseada em dados técnicos e planejamento estratégico.
Nos dias 25 e 26 de fevereiro, Belém sediou o primeiro workshop sobre planejamento espacial da recuperação ambiental. O encontro reuniu gestores, técnicos e cientistas na Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade para alinhar critérios, metas e estratégias.
A Embrapa, por meio do centro Capoeira, atua como parceira desde a criação do plano, lançado em dezembro de 2023. Agora, a atuação se concentra na inteligência de dados para indicar onde e como a restauração pode gerar mais impacto ambiental e social.
A meta é ambiciosa: o Pará quer recuperar 5,6 milhões de hectares até 2030, quase metade do compromisso nacional e uma área superior ao território do Rio de Janeiro. Segundo técnicos da Semas, a pesquisa fortalece políticas públicas mais eficientes, direcionando esforços para biodiversidade, sequestro de carbono e enfrentamento das mudanças climáticas.
Quando ciência e gestão caminham juntas, a restauração deixa de ser promessa e vira ação concreta.
Por onde começar?
A oficina discutiu variáveis que irão compor o mapa de priorização do estado. A pesquisadora Joice Ferreira, da Embrapa Amazônia Oriental, ressalta que o planejamento espacial funciona como uma ferramenta de precisão para evitar desperdício de recursos e maximizar impactos positivos.
“O planejamento é uma bússola, que vai indicar quais são as áreas onde a restauração vai exigir menos trabalho, onde vai oferecer o maior retorno, áreas onde as pessoas estão mais vulneráveis e onde tem mais previsão de mudança do clima”, destaca a pesquisadora. “A ideia é fornecer embasamento técnico para orientar o governo por onde começar a restauração”, acrescenta.
Entre os critérios avaliados estão vulnerabilidade social, áreas onde a restauração pode reduzir a vulnerabilidade das comunidades locais; risco de incêndio, ou seja, regiões com alto risco podem ter ações postergadas até que haja capacidade de combate eficiente; mudanças climáticas, com análise de projeções de alteração do clima e escassez hídrica; e retorno ambiental, que visa a identificação de locais que oferecem maior ganho ecológico com menor esforço de intervenção.
Próximos Passos
Após a consolidação dos dados deste workshop, os cenários de modelagem serão testados e validados em um novo encontro com um grupo expandido de parceiros. O objetivo final é a publicação do mapa oficial de priorização que norteará as políticas públicas de restauração no Pará.
Centro Capoeira
Coordenado pela Embrapa, o Centro Avançado em Pesquisas Socioecológicas para a Recuperação Ambiental – Capoeira – iniciou suas atividades em março deste ano. A iniciativa, que reúne mais de 180 pesquisadores de 33 instituições, é dedicada à recuperação de ecossistemas desmatados e degradados e integra atividades de pesquisa em rede e ações colaborativas entre cientistas, povos e comunidades tradicionais, agricultores familiares e gestores públicos. O centro Capoeira é financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e recebe apoio do Global Centre on Biodiversity for Climate (GCBC), do Reino Unido.
Fonte – Embrapa Amazônia Oriental
Edição – Coopnews
Foto – Divulgação/Ascom




