Ciência e Tecnologia

Elas não pedem licença e reinventam a ciência brasileira

Elas avançam em laboratórios, pesquisas de campo e universidades, liderando descobertas que fortalecem a ciência brasileira em diferentes áreas do conhecimento.
Ao reinventar a ciência brasileira, elas transformam dados em soluções, inspiram novas gerações e mostram que protagonismo também é sinônimo de inovação.
Sem pedir licença, elas sequenciam estudos, coordenam projetos e ampliam a presença feminina em espaços historicamente dominados por homens.

Por muito tempo, a imagem do cientista foi marcada por um estereótipo masculino. Hoje, elas mudam essa narrativa todos os dias. Nos laboratórios, universidades e centros de pesquisa, elas lideram equipes, coordenam estudos e reinventam a ciência brasileira com protagonismo e competência.

Na pandemia, o país viu isso de forma clara. A biomédica baiana Jaqueline Góes de Jesus integrou a equipe que realizou o sequenciamento do SARS-CoV-2 poucos dias após os primeiros casos no Brasil. Elas mostraram que não pedem licença para ocupar espaços estratégicos, simplesmente assumem o lugar que é delas por mérito.

O gesto foi científico, mas também simbólico. Reforçou que excelência nasce de formação sólida, investimento público e diversidade. Quando elas avançam, toda a ciência brasileira avança junto.

Em áreas complexas como regeneração neural, genética e terapias inovadoras, pesquisadoras seguem na linha de frente. Estudos com polilaminina e pesquisas lideradas por nomes como Mayana Zatz mostram como elas reinventam caminhos entre laboratório e aplicação clínica.

Elas não pedem licença. Elas descobrem, lideram e reinventam a ciência brasileira todos os dias.

É preciso dizer com clareza: ciência não é espetáculo. Não é milagre. É método, repetição, validação e revisão por pares. E mulheres estão em todas essas etapas: desenhando protocolos, coordenando ensaios, analisando dados e publicando resultados.

Ser mulher na ciência brasileira, contudo, ainda implica enfrentar assimetrias: menor acesso a financiamento, menor visibilidade em cargos de liderança, maior cobrança. Muitas conciliam produção acadêmica com maternidade, gestão e ensino.

Persistem onde antes lhes disseram que não era lugar.

Mas é.

Quando uma pesquisadora sequencia um vírus em tempo recorde, ela salva vidas.

Quando outra estuda proteínas capazes de reorganizar neurônios, ela expande horizontes terapêuticos.

Quando tantas outras ocupam bancadas, salas de aula e centros de pesquisa, elas alteram o curso da história silenciosamente.

Neste Dia das Mulheres, não celebramos apenas trajetórias individuais. Celebramos uma transformação estrutural. A ciência brasileira tem rosto feminino — diverso, nordestino, periférico, plural.

Elas não pedem licença.

Elas publicam.

Elas lideram.

Elas descobrem.

E, ao fazerem isso, reinventam o futuro.

 

Lucyane Mendes Silva é biomédica e pesquisadora, pró-reitora de Pesquisa, Extensão e Internacionalização da Wyden e gestora dos Programas de Internacionalização da Wyden.

Edição – Coopnews

Foto – Divulgação/Ascom

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