Geral

Como a sustentabilidade e a economia circular estão transformando a Ilha da Magia

O legado além da festa: resíduos plásticos que se transformam em moradias dignas.
Educação e disputa - quando a rivalidade entre as galeras ajuda o meio ambiente.
De catadores a empreendedores - a profissionalização da reciclagem na Amazônia.

Enquanto os bois Caprichoso e Garantido encantam o público na arena do Bumbódromo, nos bastidores do Festival de Parintins, uma revolução silenciosa e sustentável toma conta das ruas. O projeto “Recicla, Galera”, em sua quinta edição, consolida-se como um pilar de inovação ao unir a preservação do meio ambiente com a geração real de renda para a comunidade local. Com o apoio estratégico do Sebrae Amazonas, a iniciativa prova que o maior espetáculo folclórico do mundo também é um laboratório de impacto social e desenvolvimento econômico duradouro.

O Festival de Parintins sempre foi conhecido pelas cores, sons e pela paixão de seus torcedores. No entanto, o evento agora brilha também por outro motivo: o protagonismo da economia circular. O projeto “Recicla, Galera” não apenas gerencia os resíduos gerados durante a festa, mas está mudando a estrutura produtiva da Ilha. Através de uma parceria que envolve o Governo do Amazonas (via Secretaria de Meio Ambiente – Sema), o Sebrae e empresas como a Coca-Cola Brasil, a cidade de Parintins deixou de ser apenas um palco festivo para se tornar uma referência em gestão de resíduos.

Desde o seu início, o projeto já garantiu o destino correto para mais de 27 toneladas de recicláveis. Mas o maior ganho não está apenas nos números, e sim nas pessoas. A Associação dos Catadores de Materiais Recicláveis de Parintins (ASCALPIN) foi a grande beneficiada por esse movimento. Com o suporte do Sebrae, os catadores deixaram de ser vistos apenas como prestadores de serviços eventuais para serem reconhecidos como verdadeiros empreendedores da economia circular. Eles receberam capacitação em gestão, melhoria de processos e infraestrutura, o que permitiu que a associação conquistasse autonomia para realizar a coleta seletiva na cidade durante o ano inteiro.

A força das galeras pela natureza

Um dos diferenciais que torna a ação tão orgânica no Festival de Parintins é a forma como ela se integra à cultura local. O projeto promove uma “competição sustentável” entre as galeras de Caprichoso e Garantido, incentivando os torcedores a descartarem corretamente seus resíduos em troca de pontos para seus respectivos bois. No Espaço Sustentável, montado estrategicamente na cidade, visitantes e moradores podem trocar embalagens por brindes e acompanhar o ranking de reciclagem em tempo real.

Essa mobilização vai além do Bumbódromo. O trabalho de educação ambiental alcança dezenas de escolas municipais e estaduais, ensinando crianças e jovens que a reciclagem é, antes de tudo, um exercício de cidadania e uma oportunidade de negócio. Segundo a presidente da ASCALPIN, Marcivone Cazemiro, o apoio de parceiros como o Sebrae foi o “divisor de águas” que trouxe melhores condições de trabalho e reconhecimento para a categoria. Para a edição de 2026, a meta é ainda mais ambiciosa: alcançar 12 toneladas de materiais reciclados apenas no período do evento.

Inovação que vira moradia

O impacto mais surpreendente dessa cadeia produtiva no Festival de Parintins talvez seja o projeto Ecolar. Em uma colaboração entre a Defesa Civil do Amazonas e a Sema, resíduos plásticos pós-consumo coletados são transformados em matéria-prima para a construção de casas sustentáveis. Cada residência construída retira cerca de dez toneladas de plástico do meio ambiente — material que, de outra forma, poderia acabar poluindo os rios e igarapés da região.

Ao investir nessa iniciativa pelo terceiro ano consecutivo, o Sebrae Amazonas reforça que a sustentabilidade e o empreendedorismo são os motores da nova economia amazônica. O sucesso do “Recicla, Galera” mostra que o legado do Festival de Parintins não termina com a última batida do tambor; ele permanece na organização da cidade, na renda das famílias de catadores e na preservação da floresta para as futuras gerações.

 

 

 

Fonte – Sebrae

Texto com apoio da Inteligência Artificial/ Edição da Coopnews

Foto – Welington Mamud

temas relacionados

clima e tempo

publicidade

baixe nosso app

outros apps