Ciência e Tecnologia

Pesquisadora da Ufam apresenta na Itália estudo inédito que fortalece a proteção das culturas agrícolas

Pesquisa amplia o conhecimento científico sobre doenças que afetam citros, café e outras culturas agrícolas.
Doutoranda sequencia pela primeira vez o genoma da bactéria Xylella fastidiosa isolada no Amazonas.
Descoberta pode contribuir para estratégias de prevenção e manejo fitossanitário no Brasil.

Uma pesquisa desenvolvida na Universidade Federal do Amazonas (Ufam) colocou a ciência amazônica em destaque no cenário internacional. A doutoranda Milena Dantas Ribeiro apresentou, na Itália, os primeiros resultados do sequenciamento e da caracterização do genoma da bactéria Xylella fastidiosa isolada de citros no Amazonas. O estudo inédito representa um importante avanço para a compreensão de doenças que ameaçam culturas agrícolas de grande relevância econômica, como laranja, café e outras espécies cultivadas no país, além de abrir novos caminhos para ações de monitoramento e proteção da produção agrícola.

O trabalho foi apresentado durante a 5ª Conferência Europeia sobre Xylella fastidiosa, promovida pela European Food Safety Authority (EFSA), em Mola di Bari, na Itália. O evento reuniu cerca de 400 pesquisadores e especialistas de diferentes países para discutir avanços científicos relacionados ao controle e ao manejo dessa bactéria, considerada uma das mais importantes ameaças fitossanitárias da agricultura mundial.

Integrante do Programa de Pós-Graduação em Agronomia Tropical (PPGATR/Ufam), Milena Ribeiro realizou o sequenciamento e a caracterização do primeiro genoma da subespécie pauca de Xylella fastidiosa isolada de plantas cítricas no Amazonas. Os resultados deram origem a dois trabalhos científicos apresentados durante a conferência, consolidando a participação da pesquisa amazônica em um dos principais fóruns internacionais sobre o tema.

Segundo a pesquisadora, o interesse pelo estudo surgiu ainda durante o mestrado, quando participou de pesquisas em pomares de citros no município de Rio Preto da Eva, no Amazonas. Na ocasião, foram identificados sintomas da Clorose Variegada dos Citros (CVC), doença popularmente conhecida como “amarelinho”, causada justamente pela bactéria Xylella fastidiosa. A presença recorrente da enfermidade em diferentes propriedades despertou a necessidade de compreender melhor o comportamento do microrganismo na região.

As análises genéticas revelaram que o isolado amazônico pertence à subespécie pauca, conhecida por provocar doenças em culturas agrícolas de elevado valor econômico, especialmente citros e café. Essa descoberta representa um marco para a pesquisa brasileira, já que, embora a bactéria fosse conhecida no estado, ainda havia pouca informação sobre suas características genéticas e sua relação com isolados encontrados em outras regiões do país e do exterior.

A bactéria compromete o funcionamento do xilema, tecido responsável pelo transporte de água e nutrientes dentro das plantas. Como consequência, as lavouras apresentam sintomas como folhas amareladas, frutos menores e redução da produtividade, provocando impactos significativos para produtores rurais e para toda a cadeia agrícola.

Além da contribuição científica, o estudo tem forte impacto prático. O conhecimento detalhado do genoma da bactéria fornece uma base importante para o desenvolvimento de estratégias mais eficientes de vigilância, prevenção e manejo fitossanitário. Com essas informações, órgãos de monitoramento e instituições de pesquisa passam a contar com ferramentas mais precisas para proteger as culturas agrícolas e reduzir os prejuízos causados pela disseminação da doença.

A pesquisa ganha ainda mais relevância diante da expansão da cafeicultura no Amazonas. Como a subespécie pauca também está associada a doenças que afetam o café, o estudo oferece subsídios científicos para antecipar riscos e fortalecer políticas de proteção das lavouras, contribuindo para o desenvolvimento sustentável da agricultura regional.

O trabalho foi desenvolvido no âmbito do Programa de Pós-Graduação em Agronomia Tropical da Ufam, envolvendo pesquisadores do Laboratório de Genômica de Fitopatógenos Quarentenários (LAFIQ) e do Laboratório de Microbiologia e Fitopatologia, ambos vinculados à Faculdade de Ciências Agrárias. A pesquisa contou com a orientação das professoras Ana Francisca Tibúrcia Amorim Ferreira e Jânia Lília da Silva Bentes Lima, além da coorientação do pesquisador Gilvan Ferreira da Silva, da Embrapa Amazônia Ocidental.

A iniciativa também reuniu parceiros do Centro de Citricultura Sylvio Moreira, do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), representado pelo pesquisador Helvécio Della Coletta Filho, uma das principais referências nacionais no estudo da Xylella fastidiosa. O apoio financeiro da Ufam, da Capes, do CNPq e da Fapeam foi decisivo para viabilizar tanto a pesquisa quanto a participação da doutoranda na conferência internacional.

Mais do que um reconhecimento acadêmico, a apresentação do estudo reforça o protagonismo da ciência produzida na Amazônia. Ao ampliar o conhecimento sobre uma bactéria que ameaça importantes culturas agrícolas, a pesquisa contribui para fortalecer a segurança fitossanitária, proteger a produção de alimentos e ampliar a competitividade da agricultura brasileira diante dos desafios impostos pelas doenças que afetam o campo.

 

 

Fonte – UFAM

Texto com apoio da Inteligência Artificial/Edição da Coopnews

Foto – Divulgação/Ufam

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