A decisão de adquirir uma cota de Consórcio vai muito além da compra de um bem ou serviço. Cada vez mais, consumidores enxergam nessa modalidade uma forma de organizar as finanças, planejar investimentos e alcançar objetivos de médio e longo prazo sem recorrer ao crédito com juros elevados. Estudos sobre o comportamento do mercado mostram que fatores como segurança, disciplina financeira, flexibilidade e previsibilidade estão entre as principais motivações para quem escolhe o Consórcio. O modelo atrai perfis variados de clientes, desde aqueles que desejam comprar um veículo ou imóvel até quem busca formar patrimônio de maneira planejada. Com a diversificação das necessidades dos consumidores, o Consórcio fortalece sua posição como uma alternativa cada vez mais relevante para quem valoriza planejamento financeiro e decisões de compra conscientes.
A decisão de aderir a um consórcio nem sempre pode ser explicada por um único fator. Taxas de juros, custo do crédito e cenário econômico são fatores frequentemente apontados como preponderantes na escolha do consumidor. Entretanto, existem motivações mais amplas envolvidas nesse processo, que passam por planejamento, momento de vida, disciplina financeira e realização de projetos pessoais.
O comportamento do consumidor no momento de suas escolhas é de difícil previsão. Quaisquer influências se tornam totalmente subjetivas, mesmo quando considerados os tradicionais fatores de indução. De uma simples compra a um investimento, os impulsos são pessoais sem razões exteriores pré-definidas. Seguidores do austríaco-britânico Friedrich Hayek enfatizam que economias não são objetos ou mecanismos que podem ser controlados, mas sim sistemas complexos a serem entendidos.
A essência dessa teoria defende que o planejamento central não pode substituir a eficiência do mercado por meio de manipulações de preços e juros. Hayek adverte que, diz Luiz Antonio Barbagallo, economista da ABAC, “as informações dos consumidores e agentes da economia não estão centralizadas, ou seja, o papel do mercado é fundamental”.
“Na teoria de Hayek”, continua Barbagallo, “a fundamentação está na qual uma sociedade tem o conhecimento disperso em milhões de consumidores, e diante disso temos múltiplas preferências, relações de custo diferentes por região e tempo”. O economista da ABAC complementa sintetizando que “isso tudo não pode estar contido em uma única equação, indivíduo ou instituição”.
Controvérsias na relação SELIC x Consórcio
Ao cogitar que as motivações dos consumidores são diversas, é possível chegar à conclusão de que nenhum tipo de planejamento centralizado pode controlá-lo plenamente.
Ao retomar as controvérsias na relação de taxas de juros e vendas de cotas de consórcio, Barbagallo argumenta que “está aí um exemplo de como uma medida governamental muitas vezes não tem o efeito que se espera sobre um mercado específico”.
Se em tese, por impulsos naturais, a elevação das taxas de juros estimulasse imediatamente os consumidores a partir para mecanismos de financiamento mais baratos como o consórcio, o raciocínio do economista conclui, inversamente, que “a diminuição das taxas, também em tese, provocaria rejeição ao consórcio. No entanto, empiricamente nota-se que isto não ocorre, não é uma verdade”. E exemplifica, lembrando que, “na época da pandemia, em 2021, a taxa Selic era de 4,4% e as vendas de cotas cresceram 14,7%”. Em contrapartida, em 2016, as vendas caíram 4,8% e a taxa Selic estava no elevado patamar de 14,03%.
Razões para escolha do consórcio são múltiplas
Por outro lado, as pesquisas encomendadas anualmente pela ABAC demonstraram que consumidores têm diferentes motivações ao aderir a um grupo de consórcio. “O custo, sem dúvida é um fator, mas não é o único”, diz o economista. “Nos deparamos com múltiplas respostas como o momento de vida, por exemplo, no depoimento: “Eu creio que agora, aos vinte e um anos, estou num momento de transformação. Estou estudando, trabalhando, fui promovido no trabalho. Tenho tempo para investir agora e já pensar no meu futuro”. Outros diferem com sonhos que incluem disciplina de poupar, porém há os que não a consideram com regularidade.
Sob variados ângulos, as respostas sobre as características do consórcio são reconhecidas como “um investimento a longo prazo: a forma de viabilizar a compra do bem desejado com juros bem menores que um financiamento” lembram, ainda, “a falta de disciplina: tentam guardar dinheiro por conta própria, sem êxito”. E, “na primeira emergência a reserva financeira é utilizada”.
Há os que acrescentam que “o brasileiro adora um boleto e por virar motivo de brincadeira entendem que “a única forma de poupar é com um boleto para pagar”, “uma forma de manter o controle sobre os gastos”.
Todavia, existe ainda os que confiam no consórcio a partir da paciência, estratégia e sorte. Assinalam ser um processo de longo prazo que pode ser encurtado com um pouco de sorte e estratégia por meio da oferta de lances.
Os mais fiéis acreditam na recompra, afirmando que quem já fez uma vez e deu certo se anima e faz a segunda, a terceira e assim por diante.
“A atração por um crédito mais acessível é um diferencial”, atenta Barbagallo, “pois sejam quais forem as taxas de juros, no cálculo do consumidor o consórcio é sempre mais barato. Ao relembrar os questionamentos de Hayek, fica a pergunta sobre como colocar todos os fatores identificados nas pesquisas, em uma equação?”
Constatações em pesquisa da ABAC
As variadas respostas evidenciam a dispersão de razões que estimulam adesões ao consórcio:
Produto flexível e que cabe no bolso;
Viabilização da compra do que deseja;
Acesso a um bem mais caro do que poderia hoje;
Autorrealização, uma conquista, um presente;
Compromisso com o futuro;
Investimento a longo prazo no sentido de conquista;
Autocontrole, uma forma de não se sabotar;
Desenvolvimento da essência da educação financeira, com responsabilidade;
Chance e expectativa de contemplação rápida.
Ao concluir, Barbagallo lembra que “todos os fatores descritos indicam que o consórcio não é um produto pura e simplesmente analisado apenas sob seu aspecto financeiro. Há todo um contexto na mente do consumidor que faz com que haja uma identificação do produto com seus sonhos”.
Para contribuir com o aperfeiçoamento das normas e dos mecanismos do Sistema de Consórcios, Paulo Roberto Rossi, presidente executivo da associação, enfatiza que “a ABAC visa também informar e conscientizar o público em geral no intuito de difundir e ampliar conhecimentos sobre a modalidade, realizando periodicamente levantamentos de mercado que possibilitam atualizações e evoluções”.
Complementa ainda que “o natural desenvolvimento do comportamento do consumidor, apoiado em vários fatores pessoais, nos leva a, constantemente, pesquisar e observar os resultados para identificarmos necessidades momentâneas, expectativas e oportunidades”.
Assim como a ABAC acompanha as mudanças no comportamento do consumidor, queremos saber sua opinião: compartilhe este conteúdo e deixe seu comentário sobre os fatores que mais pesam na hora de planejar uma conquista.
Fonte – ABAC
Texto com apoio da Inteligência Artificial/Edição da Coopnews
Foto – Divulgação/Ascom




