Na Terra Indígena Rio Branco, em Rondônia, o extrativismo da castanha-da-amazônia acaba de ganhar uma camada extra de valor e justiça social. Pela primeira vez, comunidades indígenas não estão sendo remuneradas apenas pelo produto que entregam, mas também pela manutenção da biodiversidade e pelos serviços ambientais que prestam ao mundo. Através de uma parceria inovadora entre a cooperativa Coopirb, a empresa Castanhas Ouro Verde e a Embrapa, os produtores recebem um adicional de 20% sobre o valor da venda como reconhecimento pelo cuidado com a floresta. Este modelo pioneiro valida o que os povos da floresta já sabem há gerações: manter a mata preservada garante benefícios que vão muito além da colheita, como a proteção de nascentes e a regulação do clima. Na última safra, sete toneladas de castanha foram comercializadas sob essa nova lógica, provando que a floresta em pé é o melhor negócio para o planeta e para quem vive nele.
A revolução da castanha: o extrativismo como motor de conservação
Durante muito tempo, a lógica do mercado na Amazônia foi limitada: pagava-se apenas pelo volume de carga que saía da mata. Mas o cenário mudou. Na Terra Indígena Rio Branco — um território de aproximadamente 236 mil hectares que abrange os municípios de Alta Floresta d’Oeste, São Francisco do Guaporé e São Miguel do Guaporé —, o extrativismo tradicional foi elevado a um novo patamar de reconhecimento econômico.
O grande diferencial deste modelo é o entendimento de que o trabalho do indígena não começa na coleta e não termina na venda. Ele acontece o ano todo, no monitoramento da área, na proteção contra invasões e na manutenção de um ecossistema equilibrado. Por isso, o bônus de 20% pago pela empresa compradora funciona como um “Pagamento por Serviços Ambientais” (PSA), valorizando quem escolhe produzir sem derrubar.
Investimento coletivo e impacto social
Um dos pontos mais interessantes dessa iniciativa é a forma como o dinheiro extra é gerido. Diferente do pagamento direto pelo produto, os recursos provenientes desse adicional de conservação não são distribuídos individualmente. A Cooperativa dos Povos Indígenas da Terra Indígena Rio Branco (Coopirb) é a responsável por gerir esse montante, que é reinvestido em ações coletivas que beneficiam toda a comunidade.
Isso significa que o extrativismo sustentável está financiando diretamente melhorias em infraestrutura, educação e saúde para os povos originários, além de dar suporte técnico para a própria cadeia produtiva da castanha. É a economia da floresta gerando bem-estar social de forma direta e transparente.
A ciência aliada ao saber tradicional
O sucesso da empreitada não é fruto do acaso. A união entre o conhecimento ancestral das comunidades rondonienses e o apoio de instituições de pesquisa, como a Embrapa, foi fundamental para desenhar um modelo que fosse, ao mesmo tempo, viável comercialmente e ecologicamente responsável.
Ao garantir a rastreabilidade e a sustentabilidade do processo, a castanha de Rondônia ganha força em mercados internacionais e nacionais cada vez mais exigentes. O consumidor moderno quer saber de onde vem o que ele consome, e o selo de um produto que ajuda a capturar carbono e proteger nascentes agrega um valor que vai muito além da prateleira.
Um exemplo que deve se espalhar
Especialistas e idealizadores do projeto acreditam que este é apenas o começo. O modelo aplicado à castanha serve como uma “prova de conceito” que pode ser replicada em outras cadeias do extrativismo amazônico, como o açaí, a borracha, o cacau nativo e os óleos vegetais.
O que se vê em Rondônia é o nascimento de uma nova era para a bioeconomia: aquela onde o mercado finalmente aprendeu a precificar o valor da sombra, da água limpa e do ar puro que a floresta nos oferece gratuitamente. Ao reconhecer financeiramente quem mantém o gigante verde de pé, o Brasil dá um passo decisivo para mostrar que o desenvolvimento sustentável não é apenas um conceito bonito em relatórios — é uma prática real, rentável e profundamente humana.
Fonte – INPA
Texto com apoio da Inteligência Artificial/Edição da Coopnews
Foto – Freepik/Magnific




