A velocidade das transformações sociais e tecnológicas exige que o cooperativismo vá além do crescimento econômico para preservar sua essência identitária . Durante a trilha Educação Cooperativista, realizada na Semana de Competitividade 2026 promovida pelo Sistema OCB, especialistas, líderes e pesquisadores debateram o papel estratégico do aprendizado constante nas organizações. Mais do que uma ferramenta técnica, a educação se consolida como o principal elo para cultivar o pertencimento, formar novas lideranças e aproximar os associados das tomadas de decisão cotidianas. A partir de programas práticos voltados a diferentes faixas etárias, o movimento demonstra que o avanço tecnológico e a complexidade dos negócios só geram valor coletivo real quando alinhados de forma profunda e intencional à cultura cooperativista. Dessa forma, a educação atua como pilar essencial de sustentabilidade, garantindo que os princípios desse modelo econômico e social se transformem em vivência diária e atravessem gerações com impacto real.
À medida que as cooperativas brasileiras expandem sua presença no mercado e ganham escala, surge uma questão fundamental para sua governança: como manter a identidade e a proximidade com o associado? No cooperativismo, o crescimento econômico e a complexidade operacional não podem se traduzir em distanciamento entre as bases e a gestão. Conforme debatido por lideranças do setor na Semana de Competitividade 2026, quanto maior o tamanho de uma cooperativa, mais planejada, intencional e estratégica deve ser a construção de sua cultura de cooperação para evitar a perda de sua essência democrática e colaborativa.
Um exemplo de como essa conexão acontece de forma mensurável é o Programa Crescer, desenvolvido pelo Sicredi, instituição que soma mais de 10 milhões de associados distribuídos em 99 cooperativas. O programa foi estruturado em uma trilha de quatro etapas fundamentais: sentir o pertencimento, compreender o modelo de negócios, participar ativamente e gerar valor de forma coletiva. Os resultados práticos comprovam a eficácia da iniciativa: associados que passam pelo programa apresentam um aumento de até 50% em indicadores de engajamento, como o Índice de Satisfação do Associado (ISA) e a principalidade, após 18 meses da formação. O sucesso do projeto, que já formou mais de um milhão de participantes, reforça que o crescimento comercial de uma organização precisa ser acompanhado de perto pela ampliação do sentimento de pertencimento de sua comunidade.
Além de engajar os atuais membros, a renovação do cooperativismo passa obrigatoriamente pela formação das próximas gerações. Iniciativas inovadoras, como o Programa Cooperativa Mirim, capitaneado pelo Instituto Sicoob, levam a vivência prática desses valores a crianças e adolescentes com idades entre 8 e 17 anos. Atualmente, o projeto reúne 170 cooperativas mirins, engajando mais de 5,5 mil associados em escolas de 13 estados, alcançando inclusive comunidades quilombolas, ribeirinhas, indígenas e turmas da Apae. Essa imersão prática desafia modelos tradicionais de ensino e prepara os estudantes para os desafios do século XXI, despertando o interesse pela resolução de problemas coletivos e pela tomada de decisão democrática desde cedo.
Esse movimento de renovação também encontra eco nos resultados da recente Pesquisa Nacional de Cultura Cooperativista. O estudo, que aliou análises qualitativas aprofundadas a uma etapa quantitativa com quase 10 mil participantes em todo o território nacional, revelou que o setor é fortemente marcado por sentimentos de confiança, lealdade e propósito entre seus membros. No entanto, a pesquisa também aponta que o grande desafio atual consiste em converter essa afeição em participação ativa nas assembleias e na formação contínua de novas lideranças. A participação no cooperativismo não sobrevive por inércia ou rituais burocráticos; ela precisa de espaços reais de diálogo, canais eficientes de escuta e profissionais dedicados a cultivar esses relacionamentos diariamente.
Por fim, a trilha de discussões evidenciou que os avanços na ciência de dados e na inteligência artificial não representam ameaças ao cooperativismo, mas sim novas oportunidades de inovação. Para os especialistas, a adaptação tecnológica requer transformações comportamentais e reconfigurações no ambiente organizacional, sem que se percam as diretrizes humanas que sustentam o setor. Quando as inovações tecnológicas são orientadas pelos valores cooperativos tradicionais, a cultura institucional se moderniza naturalmente, garantindo eficiência de mercado combinada com impacto social positivo. O conhecimento, portanto, se consolida como o motor essencial para manter o cooperativismo relevante, dinâmico e focado no desenvolvimento humano.
Fonte – Sistema OCB
Texto com apoio da Inteligência Artificial/Edição da Coopnews
Foto – Divulgação/OCB




