A busca por equilíbrio e estabilidade financeira mudou radicalmente a forma como os consumidores brasileiros encaram os seus planejamentos mensais. Uma nova pesquisa nacional encomendada pela Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (ABAC) à Okiar Intelligence revela que a organização pessoal está intimamente ligada ao sucesso e à permanência de novos participantes no sistema de consórcios. O levantamento estratégico, que entrevistou 3.290 consumidores em todas as regiões do Brasil, aponta que o consórcio deixou de ser visto apenas como um meio para adquirir veículos ou imóveis, passando a atuar como um forte aliado na construção de reservas financeiras e na estruturação de investimentos a longo prazo. Com 56% dos entrevistados declarando conhecer a modalidade, o estudo expõe uma correlação clara: quanto maior a organização orçamentária dos consumidores, mais forte é o seu engajamento e a probabilidade de contemplação. Por outro lado, o levantamento também alerta sobre os desafios de permanência enfrentados por perfis financeiramente vulneráveis e endividados, que encontram barreiras para manter suas cotas ativas. Trata-se de um retrato dinâmico e humano sobre as reais prioridades econômicas do público atual.
A Organização Financeira como Pilar de Permanência
O sucesso na adesão a um plano financeiro de longo prazo não depende apenas da vontade de comprar, mas principalmente da capacidade de se organizar mensalmente. Segundo os dados apurados pela pesquisa, existe uma correlação direta entre o nível de educação financeira dos consumidores e sua experiência prática com o consórcio. Os perfis que demonstraram possuir uma estrutura orçamentária mais sólida e organizada são, de longe, os que mais conseguem se manter ativos e colher os frutos do sistema.
Entre os participantes que se encontram ativos no consórcio, 60% declararam ter uma boa estrutura financeira. Esse número sobe para 65% quando observamos o grupo dos consorciados contemplados. Em contrapartida, a vulnerabilidade econômica surge como o principal obstáculo para a continuidade dos planos: entre os consumidores que se identificaram na faixa dos endividados, 27% já cancelaram a sua participação no sistema, evidenciando que a falta de suporte ou de planejamento prévio inviabiliza a manutenção das parcelas a longo prazo.
Essa dinâmica reforça que a modalidade é percebida como um excelente exercício de disciplina financeira. Para muitos, assumir o compromisso mensal do consórcio funciona como uma poupança forçada, auxiliando o público a criar hábitos de poupança que dificilmente conseguiriam manter de forma isolada. De fato, o conhecimento sobre o funcionamento desse ecossistema é amplo: 56% de todos os entrevistados afirmaram que conhecem o consórcio. Dentre esse grupo de pessoas familiarizadas com o sistema, 28% garantem conhecer as regras e o funcionamento da modalidade de maneira “bem” ou “muito bem”.
Do Fundo de Emergência à Viagem dos Sonhos: As Metas do Público
O levantamento detalhou quais são as maiores metas que movem os consumidores na atualidade, revelando uma lista de prioridades que mistura sonhos de consumo tradicionais com uma forte necessidade de proteção contra imprevistos. Surpreendentemente, o desejo de construir uma reserva financeira lidera as intenções, sendo citado por 36% dos entrevistados. Logo atrás, com 35%, aparece o objetivo de investir ou aplicar dinheiro.
Essa tendência de usar o crédito para segurança e multiplicação de patrimônio é ainda mais nítida entre os consorciados que já alcançaram a contemplação: nada menos do que 43% dos consumidores que alcançaram esses dois objetivos (reserva e investimentos) já foram contemplados, mostrando que a liberação dos recursos é frequentemente direcionada para consolidar a estabilidade orçamentária.
O lazer e o alívio financeiro também ocupam posições de destaque no planejamento do brasileiro. Viajar é o foco de 30% dos participantes — uma meta que encontra eco principalmente entre os consorciados contemplados, que representam 46% desse grupo. No entanto, o mesmo percentual de 30% utiliza o consórcio ou busca alternativas para quitar dívidas pendentes. Nesse cenário, o peso das pendências financeiras se faz notar: 36% dos que declararam esse objetivo de quitação de débitos são formados por consorciados que acabaram cancelando seus planos de consórcio.
A lista de desejos e necessidades dos consumidores ainda se estende para áreas essenciais da vida familiar e profissional:
Garantir a segurança financeira dos filhos: 24%
Comprar um imóvel próprio: 24%
Adquirir um carro: 19%
Abrir ou investir em um empreendimento: 17%
Investir em estudos e capacitação: 16%
Garantir uma aposentadoria tranquila: 14%
Realizar a reforma de um imóvel: 14%
Comprar uma motocicleta: 7%
Esse leque tão variado de respostas demonstra que o consórcio deixou de ser uma ferramenta de nicho. Ele se transformou em uma plataforma flexível, capaz de atender desde jovens em busca de formação acadêmica até profissionais experientes que desejam empreender ou garantir um futuro mais confortável para suas famílias.
Quem é o Consumidor do Consórcio no Brasil?
Para compreender com precisão esses comportamentos, a pesquisa encomendada pela ABAC estruturou uma ampla base de dados demográficos, oferecendo uma radiografia fiel do perfil do público. Ao todo, foram mapeados 3.290 consumidores que contrataram planos nos últimos dois anos, divididos entre participantes ativos, contemplados e cancelados. Além de uma profunda etapa quantitativa, a metodologia incluiu uma fase qualitativa detalhada com quatro grupos de trabalho, reunindo 20 pessoas para analisar as nuances de comportamento e as dores de cada perfil.
Em termos demográficos, os homens lideram ligeiramente a contratação de planos com 55% de representatividade, enquanto as mulheres somam 44% do total pesquisado. Um dos dados mais expressivos é o rejuvenescimento do setor: a grande maioria dos participantes pertence à faixa jovem, com 62% dos entrevistados tendo entre 18 e 35 anos. Os adultos de 36 a 55 anos somam 35%, e a parcela acima de 56 anos representa 3% do mercado. Além disso, metade dos respondentes (50%) é casada ou vive em um relacionamento estável, e 39% têm filhos.
A abrangência social e econômica do estudo também revela a força da modalidade em diferentes realidades orçamentárias. Foram consultadas cinco classes sociais, com destaque para a classe B, que representa 46% dos entrevistados, seguida de perto pela classe C com 35%. A classe A responde por 11%, a classe D por 5% e a classe E por 3%.
Geograficamente, os consumidores estão espalhados por todo o território nacional, com destaque para a região Sudeste, que concentra 44% dos respondentes, seguida pelo Centro-Oeste com 28%, Nordeste com 16%, e as regiões Sul e Norte empatadas com 6% de participação cada. Essa distribuição nacional evidencia que, independentemente da região ou da faixa de renda, o desejo de planejar o amanhã é um traço cultural forte no país, onde o consórcio se consolida como um veículo democrático e acessível para a realização de grandes projetos.
Fonte – ABAC
Texto com apoio da Inteligência Artificial/Edição da Coopnews
Foto – Divulgação/ABAC




