Ciência e Tecnologia

Treinar não combina com fumar – Como o esporte virou o maior aliado contra o cigarro e o vape

A ilusão tecnológica dos cigarros eletrônicos e o perigo real para os jovens.
O movimento como passaporte de saída da dependência química.
Dois caminhos opostos para o mesmo organismo.

Praticar exercícios físicos e manter o hábito de fumar são decisões que travam uma verdadeira batalha silenciosa dentro do corpo. Enquanto o movimento fortalece o coração, expande os pulmões e dá energia aos músculos, o tabaco atua no sentido inverso, sabotando o rendimento físico e abrindo as portas para dezenas de doenças crônicas. É para dar luz a essa oposição absoluta que o Dia Nacional de Combate ao Fumo, celebrado em 29 de agosto, foca suas forças no tema “Atividade física e saúde: treinar não combina com fumar”. Coordenada pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA) e pelo Ministério da Saúde, a campanha nacional traz alertas contundentes sobre os perigos da nicotina e o poder preventivo do esporte. Em um país onde o tabaco é responsável pela morte de 477 pessoas todos os dias e afeta cerca de 20,4 milhões de brasileiros, redescobrir o prazer de se exercitar é um convite urgente para reconquistar a saúde, o fôlego e a autonomia.

Dois caminhos opostos para o mesmo organismo

A relação entre atividade física e tabagismo é marcada por uma exclusão mútua. Enquanto a prática esportiva regular é amplamente reconhecida como um fator de proteção e controle para diversas enfermidades, o uso de derivados do tabaco compromete de forma drástica o desempenho do corpo. No momento do treino, um organismo saudável busca o máximo de eficiência na captação e transporte de oxigênio; no entanto, a nicotina e as demais substâncias tóxicas sabotam diretamente essa engrenagem.

Existem três mecanismos principais pelos quais o tabaco destrói o rendimento físico. O primeiro é a redução direta do fluxo de sangue e de oxigênio para os músculos e órgãos vitais. O segundo é a inflamação constante das vias aéreas, que reduz a função pulmonar e a resistência aeróbica. Por fim, ocorre uma sobrecarga energética: o fumante precisa realizar um esforço físico muito maior do que um não fumante para executar exatamente a mesma atividade.

De acordo com o Dr. Ricardo Meirelles, Coordenador da Comissão de Combate ao Tabagismo da Associação Médica Brasileira (AMB), quem fuma apresenta menor resistência física, fadiga precoce, recuperação consideravelmente mais lenta após os treinos e um risco muito maior de lesões ou de sofrer complicações cardiovasculares graves durante atividades físicas intensas. A longo prazo, a conta desse desgaste crônico é alta: o tabaco é responsável por cerca de 70% das mortes por Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT), como infartos, acidentes vasculares cerebrais (AVCs), diabetes tipo 2 e problemas respiratórios obstrutivos.

A ilusão tecnológica dos cigarros eletrônicos e o perigo real para os jovens

Criado originalmente em 1986 pela Lei Federal nº 7.488, o Dia Nacional de Combate ao Fumo foi o marco inicial da normatização do controle do tabagismo como um problema de saúde pública no Brasil. Quarenta anos depois, as autoridades de saúde enfrentam um desafio moderno e altamente tecnológico: a popularização dos Dispositivos Eletrônicos para Fumar (DEFs), como vapes, cigarros de tabaco aquecido e bolsas de nicotina.

Existe uma falsa percepção de segurança, especialmente entre adolescentes e jovens, de que esses novos produtos causam menos danos à saúde. No entanto, estudos científicos provam que os vapes são fatores de risco severos para doenças cardiovasculares, respiratórias e diferentes tipos de câncer. Mais do que isso, os cigarros eletrônicos podem causar a EVALI, uma lesão pulmonar aguda e grave que pode levar à insuficiência respiratória e à morte de forma rápida, inclusive em jovens adultos.

A preocupação se justifica nos números: no Brasil, estima-se que 18,5% dos estudantes entre 13 e 17 anos já experimentaram o cigarro convencional pelo menos uma vez na vida. Diante desse cenário, a campanha nacional de 2026 adota uma linguagem positiva e focada na promoção da saúde para aproximar jovens do universo esportivo e afastá-los das armadilhas da nicotina, sejam elas tradicionais ou eletrônicas.

O movimento como passaporte de saída da dependência química

Se por um lado o tabaco sabota o corpo, por outro, a atividade física se consolida como uma das ferramentas de apoio mais poderosas para quem deseja parar de fumar. O processo de cessação do tabagismo é conhecido por desencadear crises de ansiedade, estresse e oscilações de humor. Nesse cenário, os exercícios físicos atuam como um substituto terapêutico natural. Eles estimulam a produção de hormônios ligados ao bem-estar emocional e ajudam o ex-fumante a controlar o desejo compulsivo pela substância, facilitando a manutenção da abstinência a longo prazo.

Abandonar o fumo é também um ato de solidariedade coletiva. A Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que o tabagismo mata cerca de 8 milhões de pessoas anualmente no planeta. Desse total, assustadores 1,3 milhão de óbitos ocorrem entre fumantes passivos — pessoas expostas à fumaça alheia que acabam desenvolvendo problemas cardíacos, derrames, diabetes e câncer.

Seja evitando cigarros tradicionais, vapes ou produtos de tabaco sem fumaça — que provocam tumores de cabeça, pescoço, esôfago e pâncreas —, a escolha pelo esporte é o caminho ideal para proteger a si mesmo e a quem se ama. O movimento é, acima de tudo, um investimento em liberdade, qualidade de vida e longevidade.

 

 

 

Fonte – AMB/Inca

Texto com apoio da Inteligência Artificial/Edição da Coopnews

Foto – Divulgação 

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