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Como pequenos negócios usam a biodiversidade brasileira para transformar o mercado de beleza

Com faturamento de R$ 200 bilhões, Brasil se consolida como o terceiro maior mercado global de cuidados pessoais e aposta na sua diversidade natural.
Insumos típicos da Caatinga, Mata Atlântica e Amazônia conquistam espaço na Beauty Fair e provam que a sustentabilidade é o novo segredo do setor.
De comunidades rurais ao mercado internacional, histórias de irmãs empreendedoras mostram a força do extrativismo sustentável e do apoio técnico.

A biodiversidade brasileira deixou de ser apenas um patrimônio ecológico para se consolidar como o motor de inovação de um dos mercados mais vibrantes do mundo. Na 21ª edição da Beauty Fair, em São Paulo, grandes marcas dividem os holofotes com micro e pequenas empresas que transformam ativos genuinamente nacionais em cosméticos de alto valor. Insumos como o mandacaru da Caatinga, a palma forrageira e a manteiga de murumuru da Amazônia ganham vida pelas mãos de empreendedoras que unem saberes tradicionais, ciência e impacto social. Esse movimento acompanha a força de um setor que movimentou cerca de R$ 200 bilhões no país em 2025, posicionando o Brasil como o terceiro maior mercado consumidor de cuidados pessoais do planeta, atrás apenas de Estados Unidos e China. Mais do que vaidade, o que se vê nos corredores da feira é um manifesto de valorização da terra, onde o desenvolvimento sustentável e o protagonismo regional mostram que a beleza do futuro é verde, ética e profundamente conectada com as nossas origens.

O semiárido que floresce no pote A jornada da Made in Rudado Cosméticos, nascida na comunidade rural de Rudado, no semiárido baiano, ilustra perfeitamente o potencial da biodiversidade brasileira quando aliada à capacitação. Criada em 2021 pelas irmãs Joana e Ana Silva, a empresa brotou após um treinamento promovido pelo Sebrae, que apresentou aos produtores locais o potencial da palma forrageira como um ativo cosmético.

O portfólio da marca, que começou de forma simples com produtos à base de mandacaru, hoje conta com 17 itens formulados com óleo de licuri, barbatimão, aroeira e a própria palma. Todos os insumos são adquiridos diretamente de cooperativas da região, gerando renda e fortalecendo a economia local. Para Joana Silva, valorizar o próprio ecossistema é um compromisso social: “A Caatinga é um bioma único do Brasil e um bioma riquíssimo, mas pouco conhecido”, pontua a empreendedora, lembrando que, embora o apelo da Amazônia seja inegável, outros biomas nacionais possuem riquezas extraordinárias que merecem destaque no mercado global.

Cadeias rastreáveis e beleza regenerativa Outra iniciativa que traduz o respeito pela floresta é a Vegalótus Cosmética Regenerativa, fundada há sete anos em Florianópolis pelas irmãs Natália e Camila Jonas. A marca aposta na força dos ativos da Mata Atlântica e da Amazônia para criar formulações capilares e de cuidados com a pele altamente eficazes. O grande diferencial da Vegalótus está no compromisso com o extrativismo sustentável, a agricultura familiar e o desenvolvimento de cadeias produtivas totalmente rastreáveis. Um dos exemplos práticos desse ciclo ético é a manteiga de murumuru, comprada diretamente de cooperativas de produtores do Norte do país. O que começou como uma produção artesanal expandiu-se e hoje a empresa emprega dez colaboradores, distribuindo seus produtos para farmácias de manipulação, empórios, supermercados e canais digitais. Como reflete Natália Jonas: “A regeneração começa na terra, mas não termina nela. Vai também para a nossa saúde e para o nosso dia a dia”.

Cabelos reais e conexões além das fronteiras A diversidade da população brasileira também se converte em combustível de inovação e internacionalização. Fundada há dez anos em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, a The Class Professional nasceu com o propósito claro de valorizar e tratar cabelos crespos e cacheados. Hoje, a empresa atende mais de 2 mil salões parceiros em território nacional e já rompeu as divisas do Brasil, exportando soluções para Angola, Peru e Chile. Na África, a marca foi além da venda direta: estabeleceu um centro técnico dedicado a formar cabeleireiros locais. Segundo Luiz Felipe Almeida, representante da marca, a educação técnica é indispensável para o sucesso: “Não é só produzir para que o cliente use em casa. O especialista dentro do salão também precisa estar preparado”. Essa vocação para atender biotipos diversos é, segundo César Tsukuda, CEO da Beauty Fair, uma das maiores vantagens competitivas das empresas brasileiras no cenário externo, já que a expertise em lidar com diferentes texturas de pele e cabelo projeta o país como referência de cosmética inclusiva.

A potência econômica do toque verde A presença vibrante desses pequenos negócios na 21ª edição da Beauty Fair — que reúne no Expo Center Norte, em São Paulo, mais de 2 mil marcas, 500 expositores e espera receber cerca de 200 mil visitantes — reflete o gigantismo do setor. Conforme dados da ABIHPEC, o mercado de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos movimentou no Brasil cerca de R$ 200 bilhões em 2025. O país detém a medalha de bronze no consumo mundial desse mercado, ficando atrás somente dos Estados Unidos e da China, e lidera com folga na América Latina, concentrando 43,4% do consumo regional. Nesse oceano de oportunidades, apostar na biodiversidade brasileira com respeito e responsabilidade ecológica prova ser não apenas uma escolha ética acertada, mas um modelo de negócio altamente rentável. O consumidor contemporâneo quer saber de onde vêm os produtos que usa, e as respostas dadas pelas florestas e comunidades brasileiras encantam pela transparência e pelo afeto de quem faz.

 

 

 

Fonte – Agência Sebrae

Texto com apoio da Inteligência Artificial/Edição da Coopnews

Foto – Fábio Eufrázio

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