Ciência e Tecnologia

Amizade ajuda mulheres maduras a enfrentar etarismo e desafios do envelhecimento

Filme “Minha Melhor Amiga” aborda mudanças vividas por mulheres na maturidade e a importância da rede de apoio
Estudos citados no artigo relacionam vínculos de amizade à saúde mental, ao bem-estar e à resposta do organismo ao estresse
Conexões entre mulheres também podem fortalecer autoestima, autonomia e resistência às pressões sociais

O envelhecimento feminino é acompanhado por desafios que vão muito além das mudanças físicas. Para muitas mulheres, a maturidade também pode trazer situações de etarismo, cobranças sociais, transformações profissionais, familiares e afetivas. Nesse contexto, a amizade e a construção de redes de apoio podem desempenhar um papel importante na saúde mental e no bem-estar. O tema é discutido em artigo publicado pelo Portal do Envelhecimento a partir do filme “Minha Melhor Amiga”, dirigido por Susana Garcia e protagonizado por Mônica Martelli e Ingrid Guimarães. A produção acompanha duas amigas na casa dos 50 anos que enfrentam diferentes mudanças em suas vidas e encontram na relação de amizade uma forma de compartilhar dificuldades e fortalecer uma à outra. O artigo relaciona essa experiência a estudos sobre neurociência e vínculos sociais, destacando que relações de apoio podem participar da regulação das respostas ao estresse. A reflexão também chama atenção para o chamado duplo padrão do envelhecimento, que pode submeter mulheres a cobranças diferentes das enfrentadas pelos homens.

Envelhecer pode significar enfrentar mudanças no trabalho, na família, nos relacionamentos e na própria percepção sobre identidade e autoestima. Para as mulheres, porém, esse processo pode ser acompanhado por pressões sociais específicas, incluindo o etarismo e a valorização excessiva da juventude.

Essa discussão está presente no filme “Minha Melhor Amiga”, dirigido por Susana Garcia, que acompanha Júlia, interpretada por Mônica Martelli, e Clara, vivida por Ingrid Guimarães. As duas amigas, na casa dos 50 anos, decidem viajar juntas para a Europa depois de passarem por diferentes transformações pessoais e familiares.

A produção aborda temas como trabalho, casamento, maternidade, identidade e envelhecimento. Júlia é uma jornalista experiente que enfrenta uma situação de discriminação profissional ao ser substituída por uma mulher mais jovem, apresentada como um “rosto novo” para o jornal.

O episódio é relacionado no artigo ao conceito de “duplo padrão do envelhecimento”, expressão associada à filósofa Susan Sontag para descrever a maneira diferente como homens e mulheres são avaliados socialmente à medida que envelhecem.

Etarismo e as pressões sobre mulheres maduras

O artigo publicado pelo Portal do Envelhecimento destaca que mulheres a partir dos 45 anos podem começar a enfrentar formas sutis de discriminação relacionadas à idade. A juventude costuma ser associada socialmente à beleza, produtividade e capacidade, criando pressões que podem afetar a autoestima e a percepção de valor profissional.

No caso de Júlia, a experiência faz com que ela questione a própria capacidade e passe a internalizar a ideia de que sua trajetória profissional teria perdido valor por causa da idade.

Clara, por sua vez, vive dificuldades no casamento e permanece na relação por medo da solidão. A narrativa também aborda a sobrecarga que muitas mulheres enfrentam dentro da família, acumulando responsabilidades relacionadas à casa, ao marido, aos filhos e ao cuidado de parentes, além das exigências do trabalho.

O artigo observa ainda que meninas e mulheres são frequentemente educadas sob a ideia de que um relacionamento amoroso seria necessário para alcançar a felicidade. Essa construção pode contribuir para que necessidades e desejos individuais sejam colocados em segundo plano.

Nesse cenário, a amizade entre mulheres aparece como um espaço de acolhimento, diálogo e fortalecimento.

O papel da amizade para o cérebro e o bem-estar

Além da dimensão afetiva, o artigo apresenta estudos que discutem os efeitos dos vínculos sociais sobre o organismo.

Segundo a referência de Güroğlu (2022), as amizades têm importância no desenvolvimento humano e participam da formação e da modulação das redes relacionadas ao chamado cérebro social. Esses vínculos também podem contribuir para o desenvolvimento da resiliência ao longo da vida.

O artigo cita ainda estudos de Carter (1998) sobre os mecanismos relacionados ao apego e ao suporte social. A pesquisa é apresentada como evidência de que os vínculos sociais podem envolver mecanismos neuroendócrinos relacionados à ocitocina e influenciar respostas fisiológicas ao estresse.

Dessa forma, a amizade é apresentada não apenas como uma fonte de companhia, mas como uma relação que pode contribuir para a saúde mental e o bem-estar psicológico.

Na história de Clara e Júlia, essa relação aparece por meio do companheirismo, das conversas abertas, do apoio e da disposição de uma amiga para incentivar a outra a buscar novas possibilidades.

Amizade como espaço de autonomia e resistência

Na maturidade, a amizade também pode representar um espaço de liberdade diante das expectativas sociais. Entre mulheres, relações construídas com confiança e sinceridade podem proporcionar um ambiente no qual seja possível compartilhar experiências sem a necessidade de corresponder constantemente às expectativas externas.

O artigo também discute a ideia de que a rivalidade entre mulheres é estimulada culturalmente, dificultando a construção de vínculos de apoio. A antropóloga Marcela Lagarde é citada ao tratar a chamada inimizade feminina como um mito utilizado para dificultar a união entre mulheres.

Nesse sentido, cultivar amizades genuínas na maturidade pode assumir uma dimensão que ultrapassa o lazer. A rede de apoio pode ajudar mulheres a lidar com mudanças profissionais, desafios familiares, transformações corporais, questões afetivas e outras experiências associadas ao envelhecimento.

O artigo conclui que o filme contribui para uma reflexão sobre as pressões enfrentadas pelas mulheres ao longo da vida e sobre a importância dos vínculos femininos para o apoio mútuo, a autoestima e a saúde mental.

Mais do que simplesmente envelhecer juntas, amizades construídas ao longo da vida podem oferecer um espaço de escuta, identificação e fortalecimento. Em uma sociedade que ainda impõe padrões diferentes para homens e mulheres, manter relações de confiança pode contribuir para que a maturidade seja vivida com mais autonomia e liberdade.

 

 

 

Fonte – Portal do Envelhecimento – Autoria: Anna Beatriz Mafei Toniolo

Texto com apoio da Inteligência Artificial/Edição da Coopnews

Foto – Divulgação

 

etarismo – amizade na maturidade

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