Doenças oculares podem comprometer a visão de forma progressiva, mesmo quando a pessoa ainda não percebe alterações ao enxergar. O alerta foi reforçado pelo Dia Mundial da Visão, celebrado em 8 de outubro de 2026, com orientações de especialistas sobre a importância do diagnóstico precoce e do acompanhamento oftalmológico. Entre as condições que exigem atenção está o glaucoma, que provoca danos ao nervo óptico e pode causar perda irreversível da visão. Segundo o oftalmologista Ranieri de Sena Alfaia, do Hospital Universitário Getúlio Vargas, vinculado à Universidade Federal do Amazonas (HUGV-Ufam), a doença pode ser identificada durante exames, mesmo quando o paciente não apresenta queixas. A avaliação dos olhos também pode revelar alterações relacionadas ao diabetes e à hipertensão arterial. Além das consultas periódicas, os cuidados incluem atenção ao uso prolongado de telas, controle de doenças crônicas e observação de sinais como dor ocular intensa, vermelhidão acompanhada de alterações visuais e perda repentina da visão. A prevenção e o acompanhamento adequado ajudam a identificar problemas antes que provoquem danos mais graves.
O Dia Mundial da Visão chama a atenção para a prevenção de doenças oculares e a importância de identificar alterações antes que provoquem danos permanentes. Em 2026, a data foi celebrada em 8 de outubro, com alertas sobre condições que podem evoluir silenciosamente e comprometer a capacidade de enxergar.
Entre os principais riscos está o glaucoma, doença que provoca danos progressivos ao nervo óptico e figura entre as causas de cegueira irreversível. Por isso, o acompanhamento oftalmológico é importante mesmo quando não há sintomas.
Glaucoma pode avançar sem sinais aparentes
Segundo o oftalmologista Ranieri de Sena Alfaia, do Hospital Universitário Getúlio Vargas da Universidade Federal do Amazonas (HUGV-Ufam), o glaucoma pode ser identificado durante uma consulta de rotina, por meio da avaliação do nervo óptico, do fundo do olho e da pressão intraocular.
“O glaucoma é uma doença silenciosa. Muitas vezes, ele é detectado durante a consulta oftalmológica, quando avaliamos o nervo óptico, o fundo do olho e a pressão intraocular. O paciente pode não apresentar nenhuma queixa”, explica o especialista.
O histórico familiar é um dos principais fatores de risco. Pessoas que têm parentes com glaucoma ou outras doenças oculares hereditárias devem informar essa condição ao oftalmologista e manter o acompanhamento recomendado.
A ausência de sintomas não significa que os olhos estejam saudáveis. Consultas regulares permitem investigar alterações que podem passar despercebidas no dia a dia e ajudam a orientar os cuidados necessários para preservar a visão.
Ufam
Exames dos olhos também podem revelar outras doenças
A avaliação oftalmológica não se limita a verificar se a pessoa precisa de óculos ou se consegue enxergar bem. O exame do fundo do olho também pode revelar alterações nos vasos sanguíneos associadas a problemas de saúde.
De acordo com Ranieri de Sena Alfaia, algumas alterações podem indicar diabetes ou hipertensão arterial, inclusive em pessoas que ainda não receberam o diagnóstico dessas doenças.
“O diabetes pode provocar alterações nos vasos sanguíneos da retina. Às vezes, conseguimos identificar essas alterações no exame oftalmológico até mesmo em um paciente que ainda não tem o diagnóstico da doença. A hipertensão também pode provocar alterações que aparecem no fundo do olho”, explica.
Uma das complicações do diabetes é a retinopatia diabética, que pode evoluir sem sintomas nas fases iniciais e comprometer a visão. Alterações na superfície ocular também podem levantar suspeitas de doenças reumatológicas, exigindo investigação complementar.
O acompanhamento dos olhos, portanto, pode contribuir tanto para a identificação de doenças oculares quanto para a investigação de outras condições que afetam a saúde.
Envelhecimento exige atenção redobrada à visão
Com o avanço da idade, algumas alterações oculares tornam-se mais frequentes. Uma delas é a catarata, caracterizada pela perda de transparência do cristalino, a lente natural dos olhos.
A condição aparece principalmente após os 60 anos e pode provocar embaçamento progressivo da visão. Uma sensação semelhante à de enxergar através de uma nuvem ou fumaça, que não melhora simplesmente com a troca dos óculos, pode ser um sinal de alerta.
A atenção também deve ser mantida durante a infância. Os exames oftalmológicos ajudam a identificar alterações que podem prejudicar o desenvolvimento visual, como a ambliopia, conhecida popularmente como “olho preguiçoso”.
A frequência das consultas deve considerar a idade, o histórico familiar e as condições de saúde de cada pessoa. Pacientes que já apresentam doenças oculares ou utilizam óculos podem precisar de acompanhamento específico. Em alguns casos, segundo o especialista, as avaliações são realizadas a cada seis meses.
Dor intensa e perda repentina da visão exigem atendimento imediato
Alguns sintomas não devem ser ignorados. Dor ocular intensa, vermelhidão acompanhada de alterações visuais e perda repentina da visão exigem atenção médica imediata.
Mesmo sem esses sinais, a avaliação periódica é importante para identificar doenças silenciosas e iniciar o tratamento adequado.
Outro cuidado envolve o uso prolongado de celulares, computadores e outros dispositivos com telas. A atenção contínua ao conteúdo pode reduzir a frequência das piscadas, aumentar a evaporação da lágrima e favorecer o ressecamento e o desconforto ocular.
Nas crianças com miopia, o uso excessivo de telas também pode contribuir para a progressão do grau, conforme explica o oftalmologista do HUGV-Ufam.
Para preservar a saúde dos olhos, a orientação é fazer pausas durante o uso de telas, realizar atividades ao ar livre e procurar atendimento especializado diante de qualquer alteração visual. Controlar doenças como diabetes e hipertensão também faz parte dos cuidados preventivos.
Atendimento oftalmológico pelo SUS no HUGV-Ufam
O Serviço de Oftalmologia do Hospital Universitário Getúlio Vargas, vinculado à Universidade Federal do Amazonas, realiza consultas e tratamentos para diferentes condições oculares.
Entre os problemas atendidos estão erros refrativos, catarata, glaucoma, doenças da retina e alterações que podem exigir cirurgia plástica ocular.
Os procedimentos incluem cirurgias de catarata e glaucoma, além de aplicações intraoculares de medicamentos indicados para determinados casos de retinopatia diabética.
De acordo com as informações divulgadas pela Ufam, os atendimentos são realizados por meio de encaminhamento e regulação pela rede pública de saúde.
Ufam
Perda visual é um desafio mundial de saúde pública
A importância da prevenção também aparece nos dados divulgados pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Segundo a Radioagência Nacional, cerca de 2,2 bilhões de pessoas no mundo vivem com algum grau de deficiência visual. Em pelo menos 1 bilhão de casos, o problema poderia ter sido evitado ou ainda não recebeu tratamento adequado.
Entre as causas estão erros de refração, como miopia, hipermetropia e astigmatismo, além de catarata, glaucoma, retinopatia diabética e degeneração macular relacionada à idade.
A deficiência visual também afeta a rotina, os estudos, o trabalho e a produtividade. A OMS estima que as perdas de produtividade associadas ao problema ultrapassem US$ 400 bilhões por ano em todo o mundo.
Na América Latina e no Caribe, a Organização Pan-Americana da Saúde estima que pelo menos dois terços dos casos de cegueira e deficiência visual estejam relacionados a causas tratáveis.
A oftalmologista Núbia Vanessa, do CBV — Hospital de Olhos, recomenda reduzir o tempo contínuo diante das telas, fazer pausas, olhar para longe e realizar atividades ao ar livre. A especialista também reforça a importância das consultas oftalmológicas anuais para o controle e o diagnóstico de doenças oculares.
Radioagência Nacional
O alerta do Dia Mundial da Visão é que cuidar dos olhos não deve depender apenas do aparecimento de sintomas. O acompanhamento profissional, a atenção aos fatores de risco e a adoção de hábitos saudáveis são medidas importantes para preservar a visão ao longo da vida.
Fonte – Universidade Federal do Amazonas (Ufam) — Hospital Universitário Getúlio Vargas (HUGV-Ufam).
Agência Brasil — Radioagência Nacional.
Organização Mundial da Saúde (OMS), conforme informações reproduzidas pela Radioagência Nacional.
Texto com apoio da Inteligência Artificial/Edição da Coopnews
Foto – Divulgação
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2. Dia Mundial da Visão alerta para doenças oculares
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