A castanha-do-brasil representa uma oportunidade de geração de renda para famílias rurais do sul de Roraima, mas sua exploração enfrenta desafios relacionados às condições de coleta, à organização produtiva e à falta de manejo adequado. Um estudo publicado pela Embrapa analisou o extrativismo e as características da cadeia produtiva da castanha em projetos de colonização e assentamentos rurais nos municípios de Caracaraí, São Luiz do Anauá, São João da Baliza, Caroebe e Rorainópolis. A pesquisa identificou que a produção agrícola nos lotes estudados era predominantemente voltada à subsistência, com a banana entre as principais fontes de receita. Já a coleta de castanha ocorria de forma ocasional, motivada principalmente pelo preço de venda. Em períodos de preços elevados, como em 2005, a atividade chegou a proporcionar receita média superior à obtida com a comercialização da banana. Apesar desse potencial, os pesquisadores registraram condições rudimentares de extração, ausência de manejo e riscos de contaminação por aflatoxinas. Os resultados apontam a importância de melhorar as condições de produção para aproveitar o potencial econômico da castanha e favorecer o desenvolvimento sustentável da região.
A castanha-do-brasil é um produto florestal não madeireiro com potencial para contribuir com a economia de comunidades rurais da Amazônia. No sul de Roraima, entretanto, a atividade extrativista enfrenta dificuldades que limitam o aproveitamento desse recurso natural, conforme estudo desenvolvido por pesquisadores vinculados à Embrapa e à Universidade Federal de Roraima.
O trabalho, intitulado Perfil do Extrativismo e Características da Cadeia Produtiva da Castanha-do-brasil em Projetos de Reforma Agrária no Sul do Estado de Roraima, foi publicado em 2006 pela Embrapa Roraima, em uma versão de 33 páginas. Uma versão relacionada também foi apresentada nos anais do Seminário Manejo Sustentável de Produtos Florestais Não Madeireiros na Amazônia, realizado em 2008, em Rio Branco, no Acre.
A pesquisa teve como objetivo analisar a atividade extrativista e a cadeia produtiva da castanha em projetos de colonização e assentamentos rurais. Para isso, foram entrevistados agricultores e intermediários comerciais, conhecidos como atravessadores, nos municípios de Caracaraí, São Luiz do Anauá, São João da Baliza, Caroebe e Rorainópolis.
Os pesquisadores reuniram informações sobre a mobilidade das famílias, as características das propriedades, a renda familiar, a organização social, a infraestrutura comunitária e as diferentes etapas envolvidas na coleta e comercialização da castanha.
Os resultados mostraram que a produção agrícola nos lotes pesquisados era essencialmente de subsistência e tinha participação econômica relativamente pequena. Entre as culturas agrícolas, a banana se destacava como a principal responsável pelas receitas das propriedades.
A coleta da castanha-do-brasil, por sua vez, era realizada de maneira ocasional, sobretudo em função dos preços praticados no mercado. Isso significa que a decisão de explorar o produto estava diretamente relacionada à possibilidade de obter retorno financeiro com sua venda.
Um dos achados mais relevantes foi observado em 2005, período de preços elevados. Naquele ano, a receita média obtida com a comercialização da castanha superou a renda proveniente da venda de bananas nas propriedades estudadas. O resultado demonstrou a capacidade da atividade de complementar e, em determinadas circunstâncias, ampliar significativamente os ganhos das famílias rurais.
Apesar desse potencial, o estudo identificou limitações importantes. A extração era realizada em condições precárias e rudimentares, sem práticas adequadas de manejo florestal. Os pesquisadores também apontaram o risco de contaminação por aflatoxinas, substâncias tóxicas produzidas por determinados fungos, além da falta de atenção das autoridades públicas à atividade.
As dificuldades identificadas contrastavam com o potencial econômico da castanha-do-brasil para o desenvolvimento sustentável da região. A pesquisa destacou, assim, a necessidade de considerar as condições de produção, a segurança do produto e a organização da cadeia produtiva para que o extrativismo possa contribuir de maneira mais consistente com a renda das famílias assentadas.
O trabalho também contextualiza a importância dos produtos florestais não madeireiros para a economia brasileira. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) referentes a 2003 e 2004, citados na publicação, a produção primária florestal brasileira movimentou R$ 8,5 bilhões em 2004. Desse total, 62% vieram da silvicultura, baseada em florestas plantadas, e 38% do extrativismo vegetal, realizado a partir de recursos da vegetação nativa.
Naquele levantamento, os produtos madeireiros correspondiam a 84% do valor da produção extrativista vegetal, enquanto os produtos não madeireiros representavam 16%. Entre estes últimos, destacavam-se a fibra de piaçava, a amêndoa de babaçu, a erva-mate, o fruto do açaí, o pó cerífero da carnaúba e a castanha-do-brasil, que respondia por 6% do grupo citado no estudo.
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Embora os dados econômicos apresentados sejam históricos, a pesquisa oferece um registro das condições de exploração da castanha em assentamentos rurais de Roraima e dos desafios para transformar um recurso florestal em fonte de renda com melhores condições de produção e sustentabilidade.
O estudo reforça a importância de compreender todas as etapas da cadeia produtiva, desde a coleta até a comercialização, para identificar obstáculos e possibilidades de valorização dos produtos da sociobiodiversidade amazônica.
Fonte – Embrapa Roraima
Texto com apoio da Inteligência Artificial/Edição da Coopnews
Foto – Agência Pará
– Castanha-do-brasil – Extrativismo sustentável
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