Ciência e Tecnologia

Atividade física na gravidez pode reduzir o risco de pré-eclâmpsia

A pesquisadora Monica Yuri Takito alerta que tanto o sedentarismo quanto o excesso de exercícios podem trazer riscos durante a gravidez.
Manter o corpo em movimento, com orientação profissional, pode fazer diferença na saúde da gestante e do bebê.
O cuidado está no equilíbrio, respeitando os limites do corpo em um momento tão delicado quanto a gestação.

O Ministério da Saúde apresentou uma nova edição do Guia de Atividade Física para a População Brasileira, com orientações simples sobre quanto cada pessoa deve se movimentar ao longo da semana. O material traz recomendações por faixa etária e dedica um espaço especial às gestantes e pessoas no pós-parto, reconhecendo as necessidades desse período tão delicado.

O guia reforça que a atividade física, mesmo em pequenas doses no dia a dia, pode ajudar a reduzir as chances de pré-eclâmpsia. Para a professora Monica Yuri Takito, da Escola de Educação Física e Esporte, as orientações servem como ponto de partida, mas não como regra fixa. Cada corpo reage de um jeito, e isso precisa ser respeitado ao longo da gestação.

Movimentar-se não significa, necessariamente, fazer exercícios intensos. Caminhar, se deslocar de bicicleta ou manter uma rotina ativa já faz diferença. O exercício físico estruturado também pode trazer benefícios, mas, durante a gravidez, o mais importante é ajudar o corpo a se adaptar às mudanças naturais, e não buscar desempenho ou condicionamento.

Essa adaptação começa logo no início da gestação. Nas primeiras semanas, o organismo passa por alterações que podem provocar queda de pressão e até episódios de tontura ou desmaio, reações consideradas normais. Até a metade da gravidez, o risco de pré-eclâmpsia é menor. A partir da 20ª semana, a pressão arterial tende a subir novamente. Quando essa elevação acontece além do esperado, surge o alerta para a condição, reforçando a importância de acompanhamento e de uma rotina de movimento equilibrada.

Condição grave

A pré-eclâmpsia é considerada perigosa por poder levar a mulher a ter eclâmpsia, uma condição grave que ocorre durante o parto ou no pós-parto, marcada pela pressão alta e danificação de órgãos vitais, como os rins, podendo levar a mãe e o bebê a óbito. A prática de atividade e exercício físico é importante para a redução, mas exige um cuidado. “A manutenção de um nível de atividade física adequado pode potencialmente minimizar os desconfortos iniciais, como ânsia, enjoo, mal-estar. Ele pode também ajudar no controle de peso da gestante”. Monica lembra que o ganho de peso durante as primeiras semanas deve ser em volta de meio quilo e ressalta que a “gestante não come por dois e sim por um” .

Sobre os efeitos a respeito da possibilidade de pré-eclâmpsia, a professora afirma: “A atividade pode, dependendo da atividade física, ajudar no controle da hipertensão, no controle da glicemia, porque tem alterações metabólicas importantes que vão alterar a resistência à insulina, então vai ter uma adaptação em que o exercício pode auxiliar. Exercícios cardiovasculares podem ajudar com uma diminuição de risco para desenvolver hipertensão gestacional e, dependendo da atividade, você pode também ajudar, por exemplo, na diminuição da dor lombar, que é bastante frequente na gestação”.

 

 

Fonte – USP

Edição – Coopnews

Foto – Marcos Santos / USP Imagens

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