Ciência e Tecnologia

Atividades imersivas aproximam meninas do universo da ciência e da pesquisa

Projeto desenvolvido pela USP em Ribeirão Preto é voltado às alunas do ensino fundamental.
O estudo conta com atividades teóricas e práticas sobre diferentes áreas da biologia.
Projeto busca ampliar a participação feminina na ciência.

O projeto Pronta para ser Cientista, do Departamento de Biologia da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da USP, abre neste ano 30 vagas para alunas do Ensino Fundamental 2 interessadas em vivenciar a experiência de ser cientista. Com encontros teórico-práticos realizados aos sábados pela manhã, ao longo de um mês, sempre em maio, o projeto proporcionará atividades como estudos sobre biodiversidade, imersão em botânica, passeio pela Floresta da USP e experimentos que revelam a vida invisível ao olho nu.

As interessadas devem ficar atentas às inscrições que devem feitas entre 1º e 19 de abril, neste link. As vagas serão divididas em três categorias: dez para ampla concorrência, dez para estudantes de escolas públicas e dez para estudantes pretas, pardas e indígenas (PPI). A divulgação das selecionadas será no dia 23 abril e o prazo para confirmar a participação vai até 25 do mesmo mês. As atividades acontecem nos dias 10, 17, 24 e 31 de maio, presencialmente, no Departamento de Biologia da FFCLRP.

Transformando o futuro da ciência

Criado em 2019 e em atividade desde 2020, o Pronta para ser Cientista surgiu da necessidade de aumentar a presença feminina nas áreas de ciências, tecnologia, engenharia e matemática (STEM, na sigla em inglês). “O projeto foi inspirado na questão da inserção profissional de poucas mulheres nessas áreas”, explica a coordenadora do projeto, professora Annie Schmaltz Hsiou.

Ainda segundo a professora, a iniciativa é para desmistificar a ideia de que apenas os homens têm habilidades inatas para essas áreas do conhecimento. “Nosso projeto é embasado na questão do mito existente do talento inato, que apenas os homens nasceriam com certos talentos e habilidades nas áreas de STEM”, afirma Annie. Ela também destaca que, historicamente, as mulheres foram relegadas “a um espaço mais privado, do cuidado. Por isso, um maior grupo de pesquisadoras e cientistas mulheres é encontrado na área da saúde”. Assim, o projeto “vem para quebrar os paradigmas da sociedade atual, de que as meninas são criadas desde pequenas para cuidar, servir e casar”.

O Pronta para ser Cientista, como outros que buscam aumentar a presença feminina na ciência, tem como eixo central o debate sobre gênero e ciência. “O principal objetivo é promover e divulgar pesquisas realizadas por mulheres docentes e pesquisadoras em seus respectivos espaços acadêmicos e científicos, ampliando a visibilidade de seus trabalhos e despertando o interesse das meninas nessas subáreas”, reforça a coordenadora.

Para isso, as participantes têm contato com pesquisadoras que organizam atividades voltadas para o desenvolvimento de habilidades científicas fundamentais. “Elas têm liberdade para estruturar seus planos de atividades de modo a proporcionar um maior contato das estudantes com metodologias científicas e incentivar o desenvolvimento de habilidades essenciais a uma cientista, como observação, questionamento e elaboração de protocolos básicos para pesquisas dentro de suas respectivas áreas de atuação”, detalha Annie.

Os encontros do Pronta para ser Cientista são realizados anualmente, no mês de maio. Ao longo do programa, as participantes são imersas em um tema guarda-chuva sobre biodiversidade. “No primeiro dia, além da abertura, as estudantes já têm contato com a biodiversidade macroscópica, principalmente animais vertebrados e invertebrados. No segundo dia, começamos uma imersão na botânica, com conhecimento sobre estruturas florais e como estudamos plantas. No terceiro dia, temos um passeio pela floresta da USP, seguido por trabalhos em grupo para as meninas realizarem a partir do contato com a floresta e um experimento-surpresa, a visualização da vida invisível. No último dia, organizamos os dados levantados na floresta, que podem variar muito conforme a observação das alunas”, descreve a professora.

Com essa estrutura, o Pronta para ser Cientista fortalece o interesse das meninas na ciência e amplia as possibilidades de futuro para muitas delas. “O projeto é uma oportunidade para meninas verem que podem, sim, ser cientistas e ocupar espaços que historicamente lhes foram negados.”

 

 

Fonte – USP

Foto – Freepick

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