O Atlas da Bioeconomia Inclusiva na Amazônia traz um retrato detalhado de como vivem e produzem os territórios da Amazônia Legal. Lançada pela Embrapa, com apoio do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, a publicação mostra a diversidade de realidades sociais, econômicas e ambientais que marcam a região.
O estudo organiza dados sobre população, meio ambiente, terra e produção para apoiar políticas públicas voltadas ao uso sustentável da biodiversidade. Segundo o pesquisador Roberto Porro, da Embrapa Amazônia Oriental, o Atlas ajuda a traduzir a complexidade dos territórios amazônicos em informações acessíveis, reunindo mais de 1.200 variáveis de diferentes fontes.
As informações são apresentadas nos níveis regional, estadual e microrregional, cobrindo 107 microrregiões da Amazônia Legal nos nove estados que formam a região. Essa abordagem territorial permite enxergar diferenças, desafios e oportunidades de cada área com mais clareza.
Para William Saab, coordenador-geral de Desenvolvimento da Bioeconomia do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, o Atlas chega em um momento decisivo de fortalecimento das sociobioeconomias amazônicas. A publicação, segundo ele, serve de base para políticas públicas nacionais e se consolida como uma ferramenta estratégica para o planejamento e a tomada de decisões, ampliando o impacto da bioeconomia na região.
As “Amazônias” e suas realidades
Numa comparação dos dados presentes no documento, por exemplo, em relação aos dois maiores estados da região, o Amazonas e o Pará, o Atlas da Bioeconomia Inclusiva na Amazônia revela que a concentração fundiária e a vulnerabilidade social em ambos os estados são desafios a serem enfrentados para o fortalecimento de modelos econômicos sustentáveis, essenciais para mitigar a crise climática. Chamam a atenção dados que mostram, por exemplo, a pressão de desmatamento no Pará e o crescente avanço da fronteira agropecuária em áreas antes conservadas do Amazonas, estado com maior cobertura florestal do País. Ao mesmo tempo, Amazonas e Pará apresentam oportunidades de bioeconomia com base em seus diversos potenciais, refletindo suas realidades territoriais e econômicas e uso sustentável da biodiversidade.
Um dos principais propósitos do Atlas da Bioeconomia Inclusiva na Amazônia é apresentar a diversidade de realidades socioeconômicas e ambientais existentes nos contextos rurais da Amazônia brasileira, por meio da sistematização de vários conjuntos de dados e informações, assim como subsidiar estratégias, planos, programas e políticas orientadas a uma agenda de ação em prol da bioeconomia inclusiva na região, conforme explica, na apresentação da obra, a diretora de Inovação, Negócios e Transferência de Tecnologia da Embrapa, Ana Euler.
A intenção é que essa agenda de ação “se traduza em oportunidades para a promoção da inovação, com valorização das economias da floresta e da sociobiodiversidade, e ampliação da participação nos mercados, com reflexos na renda e na qualidade de vida das populações amazônidas”, escreveu Euler.
O trabalho é fruto de ações e diagnósticos realizados por profissionais de nove Unidades da Embrapa na região Norte e no Maranhão, nos últimos três anos, para a construção de um plano estratégico para atuação da Empresa em uma abordagem de bioeconomia inclusiva na Amazônia. O momento atual de definição de políticas públicas e ações multissetoriais relacionadas à sociobiodiversidade na Amazônia, segundo Roberto Porro, evidencia a necessidade de fortalecer sistemas produtivos eficazes no enfrentamento à crise climática e na promoção de meios de vida locais.
Ações voltadas à bioeconomia inclusiva são capazes de apoiar os modos de vida de 1,5 milhão de famílias de agricultores familiares, povos e comunidades tradicionais que habitam a Amazônia brasileira. “Buscamos uma bioeconomia inclusiva fundamentada no uso sustentável da biodiversidade a partir dos saberes tradicionais e no diálogo entre esses saberes e os conhecimentos científicos e tecnológicos, que promova o desenvolvimento inclusivo, justiça social e o bem-viver dos povos amazônicos”, afirma Porro.
A pesquisadora da Embrapa Amazônia Ocidental (Manaus-AM), Rosângela Reis, faz parte da equipe que colaborou com essas ações e destaca que o processo foi importante para conhecer as realidades socioculturais e ecológicas das comunidades amazônicas, que são muito diversas. “As oficinas de bioeconomia realizadas no estado do Amazonas tiveram o objetivo de levantar as realidades locais dos sistemas produtivos e as potencialidades para o desenvolvimento de projetos na área de bioeconomia. Para a região não basta apenas levar tecnologias para o desenvolvimento, é necessário conhecer os processos sociais para a adaptação das mesmas e assim fazer sentido no cotidiano das famílias e nos processos de crescimento e desenvolvimento local“, comentou.
Oportunidades em bioeconomia
O Amazonas é o estado mais conservado da região, com 93,22% de cobertura florestal. Essa natureza rica em biodiversidade é um importante ativo para a bioeconomia. Para isso é necessário viabilizar projetos e atrair investimentos para pesquisa e desenvolvimento (P&D), a partir de espécies nativas e uso da biodiversidade. Nesse sentido, uma oportunidade está também nas iniciativas com potencial de incentivar a prospecção e transformação de ativos da biodiversidade em produtos de alto valor agregado, como insumos farmacêuticos, ativos e biocosméticos, entre outros.
O Pará, por outro lado, se destaca pelo volume de produção de espécies nativas. O estado tem um domínio na produção do açaí (extrativista e cultivado) e do cacau cultivado. Uma das oportunidades para o Pará reside no manejo sustentável de suas Reservas Extrativistas (Resex) e fortalecer suas cadeias produtivas.
Entre as informações do documento, é considerado que a efetiva descontinuidade de desmatamentos e queimadas na Amazônia depende do aproveitamento parcial das áreas desmatadas, inserindo atividades produtivas adequadas e da recuperação de áreas. Nesse contexto, ações voltadas para o fortalecimento de sistemas produtivos pautados no uso sustentável da biodiversidade, que promovam justiça social para as populações locais fazem parte dos desafios para promover a bioeconomia inclusiva.
Fonte – Ascom
Edição – Coopnews
Foto – Divulgação/Ascom




