As promoções que movimentam o comércio eletrônico ao longo de novembro de 2025 devem impulsionar as vendas, mas também aumentar as tentativas de golpe. A expectativa da ABIACOM é de 16,5 milhões de pedidos, acima dos 15,75 milhões registrados no ano passado, com ticket médio subindo de R$ 738 para R$ 808,50. Se as projeções se confirmarem, o volume de vendas deve alcançar R$ 9,08 bilhões, um crescimento de 14,7% em relação a 2024. Com mais consumidores ativos e mais dinheiro circulando, o alerta da ESET é direto: os golpistas também se organizam para aproveitar o período de promoções.
Segundo Daniel Barbosa, pesquisador de Segurança da ESET, os golpes estão cada vez mais elaborados. Ele explica que criminosos reproduzem cores, logotipos e até endereços de lojas reais, criando sites e mensagens praticamente idênticos aos originais. O uso de inteligência artificial ampliou essa precisão, aumentando o risco para quem compra durante as promoções e exigindo atenção constante do consumidor.
Uma pesquisa da Getnet, fintech do grupo Santander, mostra que o Pix será o método de pagamento preferido por 65% dos consumidores nesta edição, superando o débito e o crédito à vista. A tendência é confirmada por 90% dos empreendedores, que relatam aumento no uso do Pix nos últimos 12 meses. Apesar da praticidade, a ferramenta também abre espaço para novas fraudes durante as promoções.
Barbosa explica que muitos golpes exploram o senso de urgência típico dessa época. Criminosos prometem descontos irresistíveis e vantagens exclusivas para induzir cliques em links falsos. O golpe do Pix adulterado é um dos que mais cresce: o usuário recebe uma chave ou QR Code modificado e o pagamento é desviado para outra conta. A recomendação é desconfiar de ofertas muito agressivas, verificar URLs e evitar links enviados por mensagens.
Golpes mais comuns no varejo
Entre as práticas mais recorrentes, segundo os especialistas, estão o phishing (páginas falsas que simulam e-commerces legítimos), links enviados por mensagens e redes sociais, e falsos atendimentos ao cliente, os chamados ‘SACs falsos’, que se passam por canais oficiais para solicitar pagamentos por boleto ou Pix.
Além disso, a ESET explica que os temas explorados pelos criminosos costumam acompanhar o interesse dos consumidores: smartphones, eletrodomésticos, brinquedos e videogames lideram a lista de iscas. Há também tentativas de fraude em nome de influenciadores falsos, que anunciam produtos inexistentes em perfis clonados.
Mas o alerta da empresa não se restringe às compras online. Com a expansão dos pagamentos digitais e, agora, do Pix por aproximação, a ESET destaca a importância de redobrar a atenção também em transações presenciais.
Como não cair em golpes digitais ao usar o Pix por aproximação
Com a popularização do Pix via tecnologia NFC (Near Field Communication), os pagamentos tornaram-se ainda mais rápidos: basta aproximar o celular para concluir a transação. Apesar da conveniência, a ESET alerta que o recurso exige cuidados básicos para evitar fraudes.
‘O Pix por aproximação representa uma evolução importante, oferecendo agilidade e praticidade. Mas requer boas práticas de uso para garantir a segurança das transações’, orienta Daniel Barbosa. Segundo ele, a tecnologia é segura quando usada em versões atualizadas e em aplicativos oficiais, mas pode ser explorada por criminosos que tentam capturar dados ou simular transações fraudulentas.
Entre os riscos monitorados pela ESET estão malwares capazes de interceptar sinais NFC, o NFC Sniffing (quando invasores usam dispositivos para interceptar comunicações próximas) e ataques em casos de roubo ou perda de celular. A empresa recomenda atenção redobrada com o uso do recurso em locais públicos e o hábito de desativar o NFC quando não estiver em uso.
Em 2024, a ESET identificou o malware NGate, que clonava dados NFC de cartões e os retransmitia para dispositivos de criminosos, permitindo saques não autorizados em caixas eletrônicos. As vítimas haviam instalado o app a partir de SMS fraudulentos, acreditando se tratar de comunicação com o banco, reforçando a importância de baixar aplicativos apenas de lojas oficiais.
‘Adotar medidas simples, como confirmar os detalhes das transações e desconfiar de comunicações não solicitadas, é fundamental para aproveitar o Pix e o Pix por aproximação com segurança’, reforça o pesquisador.
Como se proteger nas compras de 2025
Segundo recomendações da ESET, consumidores devem redobrar a atenção antes de fechar qualquer compra online. A empresa orienta a desconfiar de ofertas recebidas por mensagens não solicitadas, especialmente quando os preços parecem ‘bons demais para ser verdade’. Outro ponto essencial é verificar o endereço do site, que precisa começar com ‘https’ e ser acessado digitando o nome da loja diretamente no navegador, evitando links encaminhados por terceiros.
A ESET também alerta para os riscos de pagamentos via Pix ou boleto em plataformas desconhecidas, já que esses meios não permitem estorno em caso de golpe. Antes de finalizar a compra, a companhia sugere pesquisar o histórico do e-commerce em serviços como Procon, Reclame Aqui e consumidor.gov.br. O time de segurança ainda chama a atenção para golpistas que se passam por atendentes ou influenciadores, muitas vezes redirecionando vítimas para páginas falsas.
Outras recomendações envolvem fazer transações apenas por aplicativos oficiais e sempre atualizados, além de adotar boas práticas de proteção, como senhas fortes, biometria e autenticação de dois fatores. A ESET destaca a importância de monitorar com frequência as movimentações financeiras e, para quem utiliza cartões físicos, recomenda o uso de carteiras ou bloqueadores RFID para reduzir o risco de clonagem. Por fim, sugere definir limites de valor para pagamentos por aproximação, adicionando uma camada extra de segurança ao dia a dia.
‘Mesmo que a pessoa do outro lado da conversa tenha todos os seus dados corretos, o ideal é sempre confirmar as informações de forma ativa: entre no site ou app oficial da instituição e fale pelos canais verificados. Golpistas usam táticas muito convincentes, mas a checagem direta é sempre a forma mais segura de se proteger’, conclui Barbosa.
Fonte – Dino
Foto – Freepik




