Para que a bioeconomia se firme como alternativa para negócios no Brasil, alguns pontos requerem atenção especial e analisá-los foi a missão principal do 2º Debate Novos Negócios em Bioeconomia, evento realizado na primeira semana de outubro.
O encontro, promovido pelo Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (Idesam), reuniu seis especialistas representantes de instituições locais e de Pernambuco.
Mediador do encontro, Carlos Koury, diretor técnico do Idesam, abriu o evento citando produtos bioeconômicos do instituto: cinco produtos cosméticos criados e apoiados pelo Programa Prioritário de Bioeconomia (PPBio), uma solução de gestão territorial para controle meteorológico e planejamento e combate a incêndios florestais, uma solução de agricultura de baixo carbono, produção de pequena escala com alta tecnologia e baixo impacto ambiental, e uma solução para produção pesqueira de peixes e referente aos novos usos oriundos da atividade pesqueira local – o chamado ‘caviar’ amazônico, feito com ovas de espécies locais.
“Estamos com uma oportunidade de repensar o mundo. Esse momento é muito propício para a Amazônia, que pode estar à frente dessa nova economia”, declarou.
Pró-reitora de Pesquisa e Pós-Graduação da Universidade Nilton Lins e coordenadora de Projetos de P&D da Fundação Nilton Lins, Cleuciliz Santana ressaltou a necessidade de interdisciplinaridade na pesquisa, desenvolvimento e inovação.
“Temos desenvolvido algumas capacitações internas para fazer com que nossos professores e pesquisadores possam contribuir também como parceiros na oferta de espaços inter e multidisciplinares. Uma outra situação que também colocamos aqui é a da necessidade de os alunos e participantes de empresas incubadas entenderem que o perfil exigido para o desenvolvimento de novos negócios na Amazônia é diverso e multidisciplinar”, comentou.
Segundo ela, há necessidade de transição da economia tradicional para uma versão mais sustentável.
Já para Claudia Lima, diretora presidente do Instituto Tecnológico das Cadeias Biossustentáveis (ITCBio), organização sediada em Recife (PE), é necessário agregar valor às cadeias produtivas biossustentáveis. De acordo com ela, todos os projetos tocados focam nos objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, mas promovendo geração de renda e desenvolvimento social e sustentável.
“Temos, por exemplo, o Processamento de Cascas de Coco Verde, pois 70% do lixo do litoral nordestino é feito disso. Nós convertemos em fibras longas de celulose, microcelulose e nanocelulose, tecidos inteligentes, bioplásticos e componentes automotivos e de diversos setores industriais”, citou Claudia.
Para Leopoldo Montenegro, analista técnico do Centro de Biotecnologia da Amazônia (CBA), para que produtos como estes saiam do papel é preciso criar condições para seu desenvolvimento. Citando a Lei de Informática (Lei n° 8.248/1991), ele aponta que o número de incubadoras e aceleradoras locais é insuficiente.
“O credenciamento de incubadoras e aceleradoras é feito pelo Comitê de Atividades de Pesquisa e Desenvolvimento na Amazônia (Capda) e isso precisar andar. Não adianta ter startups locais com soluções boas, sem ambiente favorável. Se a gente quer fomentar ambientes que promovam a inovação, temos que credenciar aceleradoras, pois as startups não vão conseguir caminhar sozinhas – e pela legislação é obrigatório que exista esse acompanhamento por parte de uma aceleradora”, avaliou o analista do CBA.
Fonte – Idesam
Foto – Divulgação




