Ciência e Tecnologia

Cartilha esclarece benefícios e riscos dos pesticidas e orienta o uso responsável na produção de alimentos

Uma nova cartilha gratuita ajuda a entender melhor o papel dos pesticidas na produção de alimentos, mostrando não só seus benefícios para a produtividade agrícola, mas também os cuidados necessários para proteger a saúde da população.
Com linguagem clara e objetiva, a publicação incentiva práticas mais conscientes no uso de defensivos agrícolas, reforçando a importância de um manejo responsável para garantir alimentos seguros e um ambiente mais protegido.
O material explica de forma simples temas como rastreabilidade e segurança alimentar, facilitando a compreensão de quem trabalha no campo e de quem consome esses produtos no dia a dia.

A relação entre o uso de pesticidas na agricultura, a segurança dos alimentos e a saúde pública é o tema de uma nova cartilha lançada por pesquisadores do Laboratório de Ecotoxicologia do Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena), da Esalq/USP, em Piracicaba. Intitulada “Do campo à mesa: o uso de pesticidas e a segurança dos alimentos”, a publicação busca aproximar o público desse assunto, explicando de forma simples e responsável como esses produtos influenciam a produção de alimentos e a nossa saúde. O material pode ser baixado gratuitamente no Portal de Livros Abertos da USP.

A cartilha pretende ampliar o debate e fortalecer a educação em áreas como Nutrição, Ciências da Saúde e Agricultura Sustentável. Organizada por Laura Bordignon, Márcio Antônio Godoi Junior, Nicoli Gomes de Moraes e Kassio Ferreira Mendes, a obra destaca um ponto importante: os pesticidas ajudam a proteger lavouras e garantir a produtividade, mas precisam ser usados com cuidado, respeito às normas e atenção aos impactos na saúde humana e no meio ambiente. Para os pesquisadores, informação de qualidade é essencial para que os alimentos cheguem à mesa com mais segurança.

Com linguagem acessível e apoio de figuras, gráficos e fluxogramas, a cartilha pretende ajudar produtores rurais, técnicos e a população em geral a entender melhor os aspectos legais, sanitários e ambientais, incentivando práticas mais seguras no campo. Ao longo do material, o leitor encontra explicações sobre comportamento dos pesticidas no ambiente, resíduos nos alimentos, limites permitidos por lei e métodos de análise. “Esperamos que este material contribua para práticas mais conscientes e seguras, fortalecendo a confiança nos alimentos que chegam à nossa mesa”, afirmam os organizadores.

Rastreabilidade e limites legais

Um dos focos da publicação é a rastreabilidade: é possível conhecer sobre o conjunto de procedimentos que permite detectar a origem e acompanhar a movimentação de um produto ao longo da cadeia produtiva, mediante elementos informativos e documentais registrados, ou seja, identificar qual é o produto, de onde ele veio e para onde ele vai. A rastreabilidade de alimentos, especialmente das hortaliças (frutas, legumes e verduras), é obrigatória por lei no Brasil, conforme a Instrução Normativa Conjunta. Isso significa que o consumidor deve conseguir saber de onde veio o alimento, quem produziu, quando e como ele foi tratado, incluindo o uso de pesticidas.

A iniciativa busca fortalecer a confiança do consumidor na cadeia produtiva, oferecendo informações sobre Comportamento dos pesticidas: Como estas substâncias agem e se dispersam no ambiente; Resíduos em alimentos: A presença e os níveis de resíduos de pesticidas nos produtos que chegam à mesa; Limites permitidos: As normas e os limites legais estabelecidos pela legislação brasileira para a segurança dos alimentos.

Métodos de detecção

Há também informações sobre as certificadoras, como a GlobalG.A.P., uma organização privada que define normas de boas práticas agrícolas para a certificação voluntária de produtos agrícolas, com foco em segurança dos alimentos e sustentabilidade; a Rainforest Alliance Certified, que adota padrões abrangentes de agricultura sustentável, voltados à proteção de áreas naturais, recursos hídricos, hábitats da vida selvagem e à garantia dos direitos e do bem-estar dos trabalhadores, suas famílias e comunidades; ou a Certifica Minas Café, que possui critérios técnicos como conservação do solo e da água, registro do plantio, tratos culturais, colheita, preparo, secagem, armazenamento e comercialização, além de exigir o cumprimento de padrões sociais e ambientais, uso responsável de insumos e redução dos agrotóxicos.

A cartilha ainda cita quais são os órgãos responsáveis pela aferição do Limite Máximo de Resíduos (LMR) – expresso em miligrama (do pesticida) por quilograma de alimento (mg/kg) – ou seja, a quantidade máxima permitida de um pesticida que pode permanecer nos alimentos após a aplicação correta do produto, seguindo as Boas Práticas Agrícolas (BPA) e visando à proteção da saúde da população. São eles: Codex Alimentarius,; Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO); Organização Mundial da Saúde (OMS); Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Para o cálculo do LMR considera-se o tipo de cultura e o seu ciclo, duas doses e três locais diferentes, além das condições reais de cultivo e boas práticas agrícolas (BPA), com respeito ao período de carência.

Para ler a cartilha Do campo à mesa: o uso de pesticidas e a segurança dos alimentos na íntegra clique aqui – https://www.livrosabertos.abcd.usp.br/portaldelivrosUSP/catalog/view/1746/1593/6409

 

 

Fonte – USP

Foto – Aleksandarlittlewolf/Freepik e Divulgação 

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