Composto desenvolvido na Unicamp combate as superbactérias

Ciência e Tecnologia

Apesar de novos antibióticos terem sido desenvolvidos recentemente, nem todos são capazes de conter as superbactérias, aquelas resistentes a essas soluções. Isso é o que diz o Relatório Anual da Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgado neste ano, e que incentiva os países a investirem em pesquisas para o desenvolvimento de produtos inovadores que sejam antibactericidas.

Um processo de síntese de nanocápsulas de prata com ação antimicrobiana recentemente foi desenvolvido por um grupo de pesquisadores da Unicamp como um desses produtos. O procedimento utiliza um polissacarídeo aprovado para uso biomédico, que atua como agente de passivação – formação de uma película fina, aderente e protetora -, e promove o encapsulamento da prata junto a um agente farmacológico. Essa mistura, que pode ser aplicada em pomadas e filmes, tem por objetivo o combate a infecções com bactérias multirresistentes.

O procedimento, que teve sua patente depositada em 2020, se mostra inovador porque permite a síntese das nanopartículas de prata dentro de uma cápsula sem usar nenhum agente redutor tóxico, normalmente utilizado em processos como este.

Além da composição realizada na tecnologia, a professora Catia Ornelas explica que pode ser explorada a combinação das nanopartículas de prata com outros agentes bactericidas e avaliar a eficiência perante as bactérias e superbactérias. Inclusive, o próprio polissacarídeo presente na composição já foi estudado pelo grupo que desenvolveu a patente e ao ser associado a vários tipos de fármacos anticâncer, apresentou resultados positivos in vitro e in vivo.

De acordo com Ornelas, a ação bactericida da invenção ocorre porque as nanopartículas de prata provocam defeitos nas membranas externas das bactérias tornando-as vulneráveis a agentes externos. “Isso impede que elas produzam fonte de energia necessária para a sua sobrevivência e assim interrompem a proliferação”, expõe.

A inventora lembra que o motivo das bactérias se tornarem super-resistentes se deve ao mau uso de antibióticos, à administração generalizada do composto na agropecuária e à falta de diagnósticos específicos para infecções bacterianas.

 

 

Fonte – Unicamp

Foto – Divulgação

 

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