Urna eletrônica: a cada ano, equipamento acompanha a evolução tecnológica

Ciência e Tecnologia

“Nos anos 80, a Justiça Eleitoral começava sua informatização […] criou o sistema de totalização de votos, agilizando o resultado da eleição. E na década de 90, em plena informatização, a Justiça Eleitoral brasileira, numa grande inovação, utiliza pela primeira vez a urna eletrônica na votação”. O trecho extraído do cordel Justiça Eleitoral: mais de 70 anos de história para contar ilustra o processo contínuo de atualização e modernização do sistema eleitoral brasileiro.

De autoria de Fátima Régis, integrante da Associação Cultural Casa do Cordel, no Rio Grande do Norte, o livreto conta a história da “Justiça que tem como missão garantir a legitimidade do processo eleitoral”, acompanhando a evolução da tecnologia. E a história é essa mesmo. O Brasil é pioneiro no mundo na utilização de um sistema eletrônico de votação, adotado no país desde 1996. Implementada com o objetivo de eliminar fraudes e limitar a intervenção humana durante o processo de voto, a urna eletrônica brasileira tem passado por constantes aperfeiçoamentos e melhorias.

O consultor madeireiro Rosalino Dias tem 70 anos e viveu o período em que os votos eram contados em cédulas de papel. Ele lembra os vários problemas vividos: desde a insegurança na contagem, até a demora na apuração e totalização dos votos. “Eu considero que o Brasil é a vanguarda da contagem eletrônica dos votos. É muito bom você votar e logo depois do fechamento das urnas já saber praticamente o resultado das eleições em todo o país. Foi uma das coisas mais bacanas já feitas aqui no Brasil. Não precisamos ter medo, porque a urna é segura. Antigamente é que era inseguro e falho”, destaca.

O projeto da urna eletrônica utilizada nas eleições brasileiras é totalmente nacional e teve início em 1995. Na primeira eleição informatizada, de 1996, mais de 32 milhões de brasileiros em 57 cidades com mais de 200 mil eleitores votaram em mais de 78 mil urnas eletrônicas. Dois anos depois, em 1998, o número de brasileiros contemplados com o voto eletrônico foi de dois terços da população. Em 2000, a eleição se tornou 100% informatizada, ao ter todos os municípios cobertos pela votação eletrônica. Atualmente, todos os 147 milhões de eleitores das 5.570 cidades do país utilizam a urna eletrônica para o exercício da cidadania.

Constante evolução

A votação eletrônica começou no Brasil em 1996. Desde então, a Justiça Eleitoral também adquiriu urnas nos anos de 1998, 2000, 2002, 2004, 2006, 2008, 2009, 2010, 2011, 2013, 2015 e 2020. Para as próximas eleições, serão utilizadas urnas de 2009 adiante. Hoje, o país tem um parque eletrônico estimado de 577.125 equipamentos.

Segundo o coordenador de Tecnologia Eleitoral, Rafael Azevedo, a urna eletrônica enquanto equipamento deve ser aprimorada constantemente, em razão das alterações mercadológicas de componentes eletrônicos e de computadores, principalmente.

“É muito importante que a gente acompanhe o mercado, como também devem ser verificadas as possibilidades de inovação e as evoluções de segurança do equipamento. Os Testes Públicos de Segurança, por exemplo, nos ajudam a criar barreiras na arquitetura das urnas que tenham as salvaguardas necessárias, conforme as evoluções tecnológicas, para que eventuais ataques não consigam superar a proteção do equipamento, tanto no hardware como no software”, destaca.

Linha do tempo da urna

Até se chegar ao novo modelo da urna eletrônica, denominada UE2020, foram fabricados 12 tipos do equipamento. No início de todo o processo, em 1995, a nomenclatura das urnas era outra: o primeiro nome foi Coletor Eletrônico de Votos (CEV). O projeto foi concebido com base em algumas premissas básicas: o dispositivo deveria eliminar a intervenção humana dos procedimentos de apuração e totalização dos resultados, bem como garantir maior segurança e transparência ao processo eleitoral.

Confira a seguir a evolução dos modelos da urna eletrônica:

UE96: era uma urna bem simples, apenas com dois disquetes, e com o teclado do eleitor de membrana (mas que já continha Braille). O processador era um 386SX de 40Mhz, com apenas 2MB de memória RAM. A impressora era matricial (de agulhas).

UE98: um tipo intermediário, que iniciou o padrão que ficou até 2004. Esse modelo foi o primeiro a ter a mídia do tipo CompactFlash, chamado na Justiça Eleitoral de Flash Card. Em 1998, o uso de memórias de estado sólido do tipo flash (hoje usadas nos SSDs) era inovador. As mídias tinham 15MB e cada urna possuía duas, para que os votos fossem gravados em ambas, a fim de evitar perdas. A impressora passou a ser térmica e, o processador, um Cyrix Geode de 100Mhz, com 8MB de RAM.

UE 2000: a urna ficou bem semelhante à anterior, com algumas evoluções de memória e processador e uma impressora com maior resolução. O teclado foi melhorado, tendo sido implementado um mecanismo mecânico, de contato metálico resistivo, utilizado até hoje.

UE2006: a Justiça Eleitoral acrescentou o leitor biométrico no terminal do mesário. Nas Eleições de 2008, foram testadas as primeiras urnas eletrônicas com leitores biométricos nos municípios de São João Batista (SC), Fátima do Sul (MS) e Colorado do Oeste (RO). Depois do sucesso da revisão biométrica nas três cidades, a Justiça Eleitoral decidiu dar continuidade ao projeto de identificação biométrica que se usa até hoje.

UE2009: a arquitetura de segurança do hardware teve forte inovação: foi criado o hardware de segurança, um outro processador, do tipo ARM, que verifica se os primeiros códigos ainda em hardware são autênticos. Esse mecanismo somente permite que softwares oficiais assinados digitalmente pelo TSE sejam executados na urna. Além disso, com ele, o software da urna apenas pode ser executado em um equipamento oficial. A medida fez com que a urna fosse chamada de T-DRE (Trusted Direct Recording Electronic), o que a diferencia de qualquer outra no mundo.

UE2010, UE2011, UE2013 e UE2015: com relação ao modelo de 2009, o de 2010 teve evoluções no hardware de segurança e, a partir de então, esses equipamentos não passaram por mudanças relevantes.

Urnas para 2022

Nas eleições do ano que vem, serão utilizados equipamentos dos modelos UE2009 até o recém-adquirido UE2020. Uma das novidades do modelo de 2020 é a certificação ICP-Brasil (Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira) do hardware de segurança – também chamado de perímetro criptográfico –, feita por um laboratório credenciado pelo Inmetro.

Além disso, a tela da urna do modelo UE2020 passa a ser colorida, mas continua com o alerta sonoro “pilili”, que identifica para o eleitor o término da votação.

Confira as demais inovações e facilidades que o modelo UE 2020 vai trazer para o eleitorado.

 

 

Fonte – TSE

Foto – Divulgação

 

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