A evolução do perfil dos colaboradores na transformação digital do CSC

Ciência e Tecnologia

Transformação digital é algo que vem sendo falado há muito tempo. Porém, ainda há quem associe o termo à internet e aos serviços online, mas trata-se de algo bem mais complexo. O fato é que o mundo tem sua atenção voltada para esse processo, que está influenciando diretamente as metas organizacionais, o modelo de gestão, o sucesso financeiro das empresas e o perfil dos profissionais.

É importante frisar que a transformação digital é o processo que altera as estruturas de uma empresa e incorpora a tecnologia em papéis essenciais para o seu funcionamento. É introduzida para melhorar o desempenho da organização, em busca de otimizar seus resultados e aumentar o alcance dos produtos e serviços oferecidos.

Ao absorver a cultura digital, uma empresa ganha em produtividade e muda o pensamento de todos os envolvidos, de colaboradores a clientes, porque seu foco está em criar soluções para melhorar a eficácia, agilidade e desempenho dos processos. Logo, a transformação digital envolve uma mudança absoluta de mentalidade, postura e visão de todos os integrantes da organização e não apenas o setor de TI, como muitos tendem a pensar.

A presença do CSC

Neste cenário, os centros de serviços compartilhados (CSC’s) se destacam pelo seu papel estratégico dentro das corporações. Como a entrega dos serviços segue padrões definidos pela própria companhia, cria-se um processo estruturado, que pode ser replicado e escalado conforme as demandas. De certa forma, o CSC atua como uma espécie de prestador de serviço para várias áreas ou unidades das organizações. Com sua operação, os diferentes departamentos passam a executar o trabalho dentro dos preceitos definidos justamente pelo Centro de Serviços Compartilhados, o que facilita a troca de informações entre pessoas e setores, fomentando a produtividade e a inovação.

De acordo com Max Carneiro, Diretor Vice-Presidente de Pesquisa de Mercado da Associação Brasileira de Serviços Compartilhados (ABSC), as estruturas dos CSC’s têm evoluído para se tornar um centro de inovação, ao oferecer serviços mais estratégicos e focando em novas ofertas.

“A inovação passou a ser um pilar muito importante na gestão do CSC, pois, todos os dias, novas soluções digitais são lançadas e difundidas pelo mundo, simplificando, até mesmo, as ações mais corriqueiras”, afirma o executivo. “Por isso, o digital não se refere apenas à introdução de novas tecnologias, aplicações e suas consequentes mudanças na infraestrutura de uma empresa. Trata-se de uma mudança genuína de cultura e mindset. No universo corporativo um mindset digital se refere às atitudes e comportamentos que permitem às organizações se adaptarem à nova realidade tecnológica”, completa.

Na opinião do Diretor de Pesquisa de Mercado da ABSC, as empresas devem ter a capacidade de criar estratégias de negócios para que estejam preparadas para lidar com todas as mudanças que estão surgindo, principalmente no que envolve gestão de pessoas, e que tendem a ganhar cada vez mais destaque no mundo empresarial. Afinal, as empresas são formadas por indivíduos, que também estão passando por um processo de transformação de habilidades profissionais e competências, como pensamento analítico, inovação, aprendizagem ativa, entre outros aspectos. Esses colaboradores precisam estar aptos a interagir com as novas tecnologias, para concluir as atividades estratégicas, técnicas e operacionais e, assim, obter resultados para a empresa, além de conseguir lidar com os impactos causados pela interconectividade.

Pool de talentos

Os avanços tecnológicos e o desenvolvimento de novos modelos de negócios têm um impacto crescente sobre os serviços compartilhados. A aplicação das novas tecnologias disruptivas que os apoiam são uma consequência da configuração mais dinâmica e flexível das empresas. Diante disso, como preparar as equipes e os próximos passos?

Em todas as estruturas organizacionais existe o capital humano, que é um dos principais ativos das companhias, e as atitudes que cada membro de uma equipe apresenta no dia a dia de trabalho têm grande impacto no desempenho de qualquer corporação. Mesmo que as funções sejam distintas umas das outras, o que já se sabe é que para o processo realmente dar certo, ninguém pode ser deixado de lado.

Neste conceito, a tecnologia não tem a missão de tomar vagas de trabalho de homens e mulheres, mas de prover outras oportunidades, gerando novos talentos e lideranças. Para isso, novos programas de formação que retenham o capital humano, reaproveitando-os, precisam fazer parte da realidade das corporações.

“No que tange à estrutura estratégica e operacional do CSC, ele vem atuando fortemente na preparação de um pool de talentos, permitindo que se torne em um centro de excelência para impulsionar a inovação dentro da organização, a partir da mineração de dados, analytics, machine learning, computação em nuvem e outros”, exemplifica Max Carneiro.

O Diretor Vice-Presidente de Pesquisa de Mercado da ABSC segue afirmando que as as estruturas de um CSC e das Unidades de Negócio atendidas por ele são fundamentalmente constituídas por pessoas e processos. Portanto, visando o desenvolvimento dos negócios e o aumento da qualidade, as empresas estão buscando profissionais cada vez mais qualificados para esta área.

“Em geral, a equipe de CSC é coordenada por gestores responsáveis em manter as equipes engajadas e capacitadas, estimulando-as no desenvolvimento de novas habilidades. O CSC deve contar com colaboradores treinados e alinhados às ideias da empresa e do próprio Centro, estando cientes de todo o processo. É importante ter essa visão, pois serão esses especialistas que estarão em contato com os outros setores e com os clientes internos para entender suas necessidades e poder tomar decisões de propor soluções que gerem resultados para o todo”, comenta Max Carneiro.

Os avanços tecnológicos tem se mostrado cada vez mais como grandes divisores de águas nessa nova era digital e isso também impacta nas transformações de aspecto profissional. A forma como as pessoas se comunicam, a maneira como lidam com as inovações, aplicativos e os hábitos de internet estão em constante mudança, provocando uma quebra de paradigmas que afetam as relações entre os seres humanos e a tecnologia.

Por trás de todas essas transformações, que estão ressignificando o modelo de trabalho, está a nova era digital. No mundo pós pandemia, essa transformação será ainda mais evidente. Hoje, já é possível perceber que essas mudanças cobram empresas e profissionais por uma atualização constante que não os deixe à margem do mercado. O futuro disso tudo será uma intensificação no uso de inteligência artificial e dados, que já fazem parte de muitos negócios.

Mudança de perfil

O crescimento da tecnologia impulsiona os profissionais a encararem uma mudança de perfil e postura para se adequarem a uma nova realidade.

“As empresas estão investindo no uso estratégico de dados que são gerados diariamente pelos consumidores. Essas informações são fundamentais para entender o comportamento dos seres humanos. E, para lidar com os dados, serão necessários cada vez mais profissionais habilitados para analisá-los e transformá-los em informações”, afirma Max Carneiro.

Dentro desse aspecto, as profissões ligadas à análise de dados, inteligência artificial e outras tecnologias requerem profissionais preparados para atuar em um mercado cada vez mais disruptivo. A inteligência artificial excluirá centenas de milhares de pessoas do mercado de trabalho nas próximas décadas, por outro lado, muitas vagas surgirão para preencher uma demanda que está cada vez mais crescente. De acordo com o relatório do Fórum Econômico Mundial, produzido em 2020, 97 milhões de novos empregos relacionados às transformações tecnológicas serão criados até 2025.

“Além das habilidades técnicas, que já estão presentes no dia a dia dos profissionais que atuam nessas áreas, as profissões do futuro vão exigir habilidades comportamentais, uma vez que a massificação da IA e o uso de robôs para atividades corriqueiras vão substituir aqueles profissionais que não estiverem preparados para essas mudanças. Na era digital o profissional terá que ser híbrido e saber como pensar e não mais o que pensar”, sentencia o Diretor da ABSC.

Desenvolvimento de habilidades

Por isso que o trabalhador do futuro terá que se desenvolver tecnicamente. Porém, a velocidade das mudanças será tão grande que essas habilidades terão prazo de validade curto, ou seja, esse profissional terá que estar em constante transformação de aprendizagem.

Para Max Carneiro, Diretor Vice-Presidente de Pesquisa de Mercado da ABSC, pensar em Centros de Serviços digitais é imaginar processos de aprendizado e desenvolvimento de capital humano para entregar conhecimento aplicável quando for necessário, na hora em que é demandado por quem entrega e consome produtos e serviços.

“Estamos falando de mecanismos para desenvolvimento rápido de habilidades. Sempre será mais fácil ensinar – ou criar oportunidades de aprendizado – para alguém que sabe o que a empresa faz, do que trazer alguém de fora que tem conhecimento sobre o assunto, mas não sabe qual é o posicionamento que a organização tem frente a seus pares corporativos ou, muito menos, como ela, por meio das pessoas, opera em seu mercado de atuação”, afirma.

O que é possível tirar de lição desse cenário atual é que o conceito de aprendizagem não será mais suficiente para se garantir nas funções do futuro. Para se adequar ao novo mundo, as empresas irão atrás de profissionais que têm perfil de aprendizado com facilidade de adaptação às mudanças, que possuem iniciativa, resiliência, capazes de aprender, desaprender e reaprender.

“O perfil profissional mais cobiçado atualmente são de pessoas adaptáveis que buscam usar suas skills na hora de superar desafios e aumentar o nível de entrega, que se coloquem na posição de eternos aprendizes, além das que estão qualificadas para atuar nesse cenário digital. Quem não se adaptar às mudanças vai encontrar dificuldades em comparação aos que já vivem e atuam nessa realidade”, finaliza Max Carneiro, Diretor Vice-Presidente de Pesquisa de Mercado da ABSC.

 

 

Fonte – Ascom

Foto – Divulgação

 

 

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