O envelhecimento da população brasileira não é apenas uma estatística demográfica, mas uma transformação profunda que bate à porta das farmácias todos os dias. Com um crescimento de 57,4% no número de idosos na última década, o consumidor 60+ assumiu o protagonismo no setor, exigindo das empresas não apenas produtos, mas uma compreensão mais humana e eficiente sobre suas reais dificuldades de saúde e autonomia.
A paisagem das farmácias brasileiras mudou drasticamente nos últimos anos, acompanhando o ritmo de um país que envelhece de forma acelerada. Segundo dados do Censo Demográfico, a população idosa deu um salto significativo, e esse movimento colocou o consumidor 60+ no centro das atenções estratégicas do varejo farmacêutico. Para entender melhor quem é esse cliente, o Instituto Febrafar de Pesquisa e Educação Corporativa (IFEPEC) realizou um estudo inédito, revelando que a relação desse público com os medicamentos é marcada por uma alta dependência e desafios cotidianos de acessibilidade.
O raio-X do comportamento desse público mostra que a rotina de saúde é complexa. Cerca de 72% dos entrevistados praticam a chamada polifarmácia, utilizando mais de três medicamentos diariamente para o controle de suas condições. Desse grupo, a maioria consome entre três e cinco fármacos, enquanto uma parcela de 18% precisa lidar com seis ou mais remédios todos os dias. Essa realidade é ainda mais acentuada na região Nordeste, onde o índice de uso simultâneo de terapias atinge seu ápice.
Entretanto, o grande alerta do estudo reside nas barreiras práticas do dia a dia. Impressionantes 97,7% do consumidor 60+ relatam dificuldades no manuseio de seus tratamentos. O obstáculo mais comum, citado por mais da metade dos idosos, é a leitura de bulas e embalagens, cujas fontes pequenas dificultam a conferência das informações. Além disso, a memória para horários e a dificuldade física de tirar comprimidos das cartelas ou parti-los são ruídos constantes que comprometem a eficácia do cuidado.
Diante desse cenário, a indústria farmacêutica e o varejo enfrentam o desafio de tornar a jornada do cliente mais clara e inclusiva. Como aponta Edison Tamascia, presidente da Febrafar, a alta dependência de medicamentos torna esse público estratégico, mas exige que as empresas adotem uma comunicação mais simples e direta. A tecnologia também surge como uma aliada promissora, com aplicativos e ferramentas que podem auxiliar o consumidor 60+ a não se perder em meio a tantas prescrições.
Por fim, a pesquisa destaca uma lacuna de orientação que precisa ser preenchida: apenas 15,2% desses consumidores buscam o apoio direto do farmacêutico para esclarecer dúvidas. O setor agora trabalha para que esse profissional deixe de ser um coadjuvante e se torne um agente protagonista na atenção primária. O objetivo é claro: garantir que o consumidor 60+ não apenas compre seus medicamentos, mas receba o acolhimento necessário para que cada tratamento resulte em uma vida mais plena e segura.
Fonte – Ascom
Texto com apoio da Inteligência Artificial/ Redação e Edição da Coopnews
Foto – Magnific – DC Studio




