O desenvolvimento cognitivo da pessoa idosa deve ser uma atividade constante para que o processo de envelhecimento seja mais saudável. Figueiredo (2015) conceitua a cognição como a capacidade de processamento da informação, considerando as funções como pensamento, memória, percepção e fala. Se essas funções forem afetadas, provavelmente as funções executivas, tais como seletividade de estímulos, capacidade de abstração, autocontrole, planejamento e concentração, também serão (ARGIMON et al., 2006).
Dirigir um carro? Administrar seu próprio dinheiro? Como podemos treinar nossas funções executivas para que tenhamos um envelhecimento saudável, sem isolamento social, com liberdade e autoestima?
Por meio do enriquecimento cognitivo é possível diminuir o declínio cognitivo e ainda aumentar o desempenho mental das pessoas (LUCENA, 2020). Fazemos isso realizando um treino cognitivo, uma intervenção estruturada com a finalidade de eliminar ou atenuar dificuldades como a memória e a velocidade em que processamos as informações (IRIGARAY; SCHNEIDER; GOMES, 2011). Isso é feito por atividades padronizadas em lápis e papel e até mesmo com o uso de tecnologias digitais.
E como o Pensamento Computacional entra nessa história?
Primeiro, vamos entender o que é Pensamento Computacional. Esse termo foi criado pela pesquisadora Jeanette Wing em um artigo publicado na revista Communications of the ACM em 2006 (WING, 2006), mostrando que as habilidades que cientistas da computação desenvolvem para suas atividades podem ser usadas em qualquer contexto. Em 2010, Wing complementa seu artigo ressaltando que Pensamento Computacional não são somente habilidades computacionais, mas de projetar soluções, entender o comportamento humano e desenvolver o pensamento crítico.
Para que isso aconteça, Brackmann (2017), mostra que o Pensamento Computacional envolve 4 pilares para a resolução de problemas:
– Decomposição: quebrar um problema em problemas menores;
– Reconhecimento de padrões: identificar problemas que já foram resolvidos
anteriormente semelhante com o que temos a frente;
– Abstração: ter o foco apenas nas informações relevantes, deixando de lado o que não é importante no momento e;
– Algoritmos: definir passos e regras simples para resolver um problema.
Essas habilidades, assim como o treino cognitivo, são desenvolvidas por meio de tarefas padronizadas em lápis e papel ou com recursos digitais.
Agora que sabemos o conceito de Pensamento Computacional, como vamos relacioná-lo com o treinamento cognitivo para desenvolver as habilidades executivas da pessoa idosa?
O trabalho de Lucena (2020) mostra que as atividades utilizadas para o desenvolvimento das habilidades de Pensamento Computacional possuem uma convergência para as atividades de um treino cognitivo baseado nos conceitos da psicologia cognitiva. Por meio de um experimento realizado com dois grupos, um de controle com treinamento cognitivo dirigido por psicólogo e outro grupo experimental, com atividades de pensamento computacional, mostrou-se que o grupo experimental obteve resultado tão bom ou mais que o grupo de controle.
Os passos da imagem abaixo estão em uma sequência correta e lógica para quem irá tomar um banho?
Essa tarefa é um exemplo de atividade baseada em pensamento computacional, utilizando o conceito de algoritmo e que permite o desenvolvimento de habilidades cognitivas pois exercitam a memória, o pensamento crítico e de percepção. Estudos mais avançados são necessários para que possamos reafirmar esse primeiro trabalho, o uso de tecnologias digitais por meio de aplicativos e jogos também é um reforço para que tais treinamentos atendam a um número maior de pessoas idosas.
Fonte – Portal do Envelhecimento
Foto – Divulgação




