A monotonia do sistema agroalimentar afeta diretamente o que chega à mesa e a qualidade de vida das pessoas. O modelo dominante de produção ainda se apoia na criação intensiva, na baixa diversidade de raças e em condições limitadas de bem-estar animal. Esse cenário influencia não apenas como os alimentos são produzidos, mas também o impacto que eles têm na saúde humana.
Nesse contexto, o uso frequente de agrotóxicos, pesticidas e antibióticos se tornou parte da rotina produtiva. Quando utilizados em larga escala, esses produtos contribuem para a disseminação de bactérias resistentes, um problema crescente de saúde pública no mundo. O resultado é um alerta claro sobre a necessidade de repensar hábitos alimentares e modelos de produção.
Diante desse cenário, a conscientização do consumidor ganha papel central. Saber o que se consome, de onde vem o alimento e como ele foi produzido passa a ser um passo importante para quem busca uma alimentação mais saudável e sustentável, especialmente no caso dos alimentos de origem animal.
Segundo a pesquisadora Maria José Hötzel, parceira da Cátedra Josué de Castro da Faculdade de Saúde Pública da USP, encontrar alimentos mais saudáveis de origem animal ainda é um desafio no Brasil. Esses produtos costumam ser menos disponíveis e, em geral, mais caros, justamente por seguirem critérios de bem-estar animal e exigirem certificações e rotulagem específicas.
Outro entrave está nos rótulos. Termos como “verde” e “natural” são amplamente usados no mercado, mas podem confundir o consumidor. Muitos produtos com essas expressões não são certificados nem resultam de práticas responsáveis, o que dificulta escolhas conscientes e reforça a necessidade de mais informação.
Apesar disso, o Brasil já conta com selos confiáveis que ajudam a identificar produtos produzidos de forma mais responsável. Embalagens de ovos, por exemplo, indicam sistemas caipira, orgânico ou padrões de bem-estar animal. Para a pesquisadora, é fundamental que o consumidor conheça esses selos e que empresas e distribuidoras adotem uma comunicação clara e transparente, facilitando escolhas alinhadas à saúde, ao bem-estar animal e à sustentabilidade.
Papel dos consumidores
Ao longo do tempo, o consumo de produtos de origem animal mais saudáveis aumenta a garantia de venda, estimulando maior produção e escala, o que tende a diminuir o preço ao consumidor. Contudo, Maria defende que essa responsabilidade não pode recair apenas na população. “Contar somente com o consumidor para estimular a mudança nos sistemas de produção não é justo nem viável. Mesmo em países onde os consumidores têm maior poder aquisitivo, nem todos os consumidores estão dispostos a pagar mais por produtos diferenciados.”
Fonte – USP
Edição – Coopnews
Foto – Freepik




