O dia 20 de março, consagrado como Dia Nacional do Cuidador de Pessoas Idosas, representa uma oportunidade singular para refletirmos sobre o valor ético, social e humano do cuidado. Em uma sociedade que envelhece de forma acelerada, reconhecer o papel dos cuidadores significa também reafirmar um princípio fundamental que passa a orientar as políticas públicas brasileiras: todas as pessoas têm direito ao cuidado.
Esse princípio foi consolidado juridicamente pela Lei nº 15.069, de 2024, que instituiu a Política Nacional de Cuidados no Brasil. Ao reconhecer o cuidado como um direito social, a legislação inaugura um novo paradigma: o cuidado deixa de ser entendido apenas como responsabilidade privada das famílias e passa a ser compreendido como um compromisso compartilhado entre o Estado, a sociedade e as famílias.
Sob a perspectiva da gerontologia contemporânea, o cuidado não se limita à assistência física ou às necessidades básicas da vida diária. Trata-se de um processo amplo e integrado, que envolve dimensões biológicas, psicológicas, sociais e culturais do envelhecimento. Nesse sentido, garantir o direito ao cuidado implica assegurar condições para que as pessoas idosas vivam com dignidade, autonomia e participação plena na vida comunitária.
O Movimento Global Vidas Idosas Importam, comprometido com a defesa intransigente dos direitos humanos da pessoa idosa, reconhece no cuidado um elemento central da justiça social e da ética pública. Defender o direito ao cuidado significa também combater todas as formas de negligência, abandono, violência e discriminação que atingem milhões de pessoas idosas no Brasil e no mundo.
A Lei nº 15.069/2024 reafirma que o cuidado deve considerar a singularidade, a diversidade e o pluralismo do envelhecimento. Cada pessoa envelhece de maneira única, marcada por trajetórias de vida distintas, condições sociais diversas, identidades culturais próprias e múltiplas experiências humanas. Reconhecer essa pluralidade é essencial para a construção de políticas públicas sensíveis e inclusivas.
Nesse contexto, os cuidadores — profissionais ou familiares — desempenham uma função de inestimável relevância social. São eles que, muitas vezes de forma silenciosa, sustentam o cotidiano do cuidado, oferecendo atenção, proteção e acompanhamento às pessoas idosas em situações de maior vulnerabilidade. Valorizar esses cuidadores é reconhecer que o cuidado é um pilar fundamental para uma sociedade verdadeiramente humana.
O Movimento Global Vidas Idosas Importam reafirma, neste Dia Nacional do Cuidador de Pessoas Idosas, seu compromisso com a promoção do cuidado integral às pessoas idosas, defendendo políticas públicas que fortaleçam redes de proteção social, ampliem o acesso aos serviços de cuidado e valorizem aqueles que dedicam sua vida a cuidar.
Celebrar esta data é mais do que prestar homenagem. É reafirmar um pacto civilizatório baseado na dignidade humana, na solidariedade intergeracional e no respeito ao envelhecimento. Porque cuidar das pessoas idosas é cuidar da memória, da história e do futuro de toda a sociedade.
Crismédio Costa – Biomédico | Ativista dos Direitos Humanos da Pessoa Idosa
Movimento Global Vidas Idosas Importam. @vidasidosasinportam.br
Foto de Юлія Овдієнко/pexels.




