Geral

Cultura de cooperação se constrói no dia a dia e exige exemplo da liderança

Especialista destaca que valores organizacionais precisam se transformar em atitudes concretas dentro das cooperativas.
Clareza, coerência, consistência e coragem estão entre os pilares para fortalecer a confiança das equipes.
Lideranças influenciam a cultura ao definir comportamentos que são valorizados, tolerados e reconhecidos.

A cultura de uma organização é construída a partir dos valores, das crenças e dos comportamentos repetidos no cotidiano. No cooperativismo, transformar princípios em práticas concretas exige participação das equipes e, principalmente, o exemplo de quem lidera. A coerência entre o discurso e as atitudes contribui para fortalecer a confiança, alinhar expectativas e criar um ambiente em que os valores compartilhados orientem as decisões.

A reflexão foi apresentada por Dafna Blaschkauer, especialista em cultura organizacional, durante a Semana de Competitividade 2026, promovida pelo Sistema OCB. Com experiência em liderança de equipes em empresas como Nike, Apple e Microsoft, ela também atua como professora na Fundação Getulio Vargas (FGV) e na Universidade de São Paulo (USP).

Para a especialista, a cultura representa uma estrutura fundamental para o funcionamento e o diferencial de uma organização. Por isso, não basta divulgar princípios ou estabelecer regras: é necessário demonstrá-los nas decisões diárias, na forma de reconhecer resultados e na maneira como os líderes se relacionam com seus times.

No ambiente cooperativista, essa postura é especialmente relevante para manter vivos os valores do modelo e fortalecer o compromisso coletivo. A liderança tem papel decisivo na construção dessa identidade, mas a cultura precisa ser incorporada por toda a organização.

Dafna destaca quatro elementos fundamentais para a atuação dos líderes: clareza, coerência, consistência e coragem. Juntos, esses princípios ajudam a transformar expectativas em comportamentos e a consolidar uma cultura organizacional mais forte.

A clareza consiste em comunicar a estratégia, as prioridades e o que se espera de cada integrante da equipe. Quando as pessoas conhecem os objetivos e entendem seu papel, têm melhores condições de direcionar esforços e contribuir para os resultados.

A coerência está relacionada à correspondência entre o que o líder diz e o que faz. Não é suficiente cobrar pontualidade, qualidade ou compromisso se essas atitudes não forem demonstradas por quem ocupa a posição de liderança.

A consistência envolve repetir os comportamentos esperados e manter alinhamento entre as decisões ao longo do tempo. A cultura se fortalece quando os valores não aparecem apenas em momentos específicos, mas orientam a rotina da organização.

Já a coragem é necessária para tomar decisões importantes, inclusive quando elas não são as mais convenientes ou populares. Para a especialista, liderar exige responsabilidade pelas escolhas que afetam o negócio e as pessoas.

A combinação desses quatro elementos ajuda a estabelecer relações de confiança e a criar condições para que as equipes compreendam não apenas o que precisam fazer, mas também por que determinadas atitudes são importantes.

Confiança e desenvolvimento das equipes

A confiança é outro elemento central para a construção de uma cultura organizacional sólida. Segundo Dafna, os líderes precisam estabelecer relações confiáveis e agir de maneira coerente e consistente para que os comportamentos esperados sejam incorporados pelas equipes.

Isso também envolve reconhecer que as pessoas têm características e formas de trabalhar diferentes. Cabe à liderança compreender essas diferenças, desenvolver as competências de cada integrante e distribuir responsabilidades de acordo com as capacidades individuais.

Para explicar essa dinâmica, a especialista utiliza uma comparação com o esporte. Um treinador não se limita a escolher bons atletas: também precisa prepará-los, desenvolver suas habilidades e posicioná-los de maneira que possam contribuir melhor para o desempenho coletivo.

Nas cooperativas, essa lógica pode ajudar a ampliar a participação, valorizar os profissionais e fortalecer o trabalho em equipe. A escuta e o acompanhamento das pessoas permitem identificar necessidades de desenvolvimento e criar oportunidades para que cada integrante contribua com os objetivos comuns.

A liderança, portanto, não se resume a cobrar resultados. Também exige oferecer orientação, esclarecer prioridades e criar condições para que os profissionais possam desempenhar suas funções com confiança e responsabilidade.

O que a organização valoriza revela sua cultura

A cultura organizacional também se manifesta nas atitudes que a instituição reconhece, recompensa ou tolera. Se uma cooperativa afirma valorizar a colaboração, por exemplo, mas reconhece apenas resultados individuais, pode transmitir uma mensagem diferente daquela que pretende defender.

Por isso, Dafna recomenda que as lideranças observem o que acontece na prática. Os comportamentos que recebem reconhecimento e aqueles que são tolerados revelam quais valores estão sendo efetivamente priorizados.

A especialista também ressalta que a cultura não pode ser transferida integralmente a terceiros nem estabelecida apenas por meio de documentos ou campanhas internas. Ela precisa ser vivenciada no cotidiano, a partir das decisões e das relações entre as pessoas.

Embora seja moldada inicialmente pelas lideranças, a cultura se mantém quando é incorporada pelas equipes e passa a orientar as ações em diferentes níveis da organização.

No cooperativismo, esse processo contribui para aproximar os integrantes dos princípios do modelo, fortalecer o sentimento de pertencimento e preservar a identidade coletiva. Mais do que um conjunto de regras, a cultura se torna uma referência para a forma como as pessoas trabalham, tomam decisões e constroem relações.

A reflexão apresentada na Semana de Competitividade reforça que o fortalecimento da cultura cooperativista depende de escolhas conscientes e contínuas. Quando os líderes praticam os valores que defendem e criam condições para que as equipes façam o mesmo, a cooperação deixa de ser apenas um princípio declarado e passa a fazer parte da rotina.

 

 

 

Fonte – Agência Câmara de Notícias — Câmara dos Deputados.

Texto com apoio da Inteligência Artificial/Edição da Coopnews

Foto – Adjalma Jaques

 

cultura de cooperação; liderança; cultura organizacional; cooperativismo; gestão de equipes; confiança

 

Sebrae-AM e Prefeitura de Manaus avançam na organização da coleta seletiva e na inclusão de catadores — https://am.agenciasebrae.com.br/cultura-
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