Historiador defende a devolução das obras de Arte Sacra aos seus respectivos templos

Cultura

“As obras de arte sacra deveriam ser devolvidas aos templos, pois dessa forma cumpririam com a função para a qual foram concebidas”, é o que defende Eike Dieter Schmidt, historiador de arte alemão e diretor da Galleria degli Uffizi, um dos museus com os mais notáveis expoentes da arte religiosa em Florença, Itália.

Schmidt sugere inclusive que uma das obras medievais mais famosas de sua galeria, a Rucellai Madonna de Duccio, pintada por volta de 1275, retorne ao seu lugar original, a igreja florentina de Santa Maria Novella, da qual foi removida no ano de 1948.

A Arte Sacra nasceu para fins religiosos
Segundo ele, voltando ao templo para a qual foi criada, a obra de arte seria vista e admirada no espaço histórico e artístico certo e o espectador seria potencialmente levado a reconhecer suas origens espirituais. “A arte devocional não nasceu como obra de arte, mas para fins religiosos, geralmente em ambientes religiosos”, declarou ao periódico ‘The Art Newspaper’.

A ideia surgiu por conta de uma iniciativa proposta pela Uffizi diante da crise do coronavírus, na qual se apresentou a necessidade de uma diversificação e distribuição de suas obras de arte com o objetivo de se criar um museu “mais amplo” que não esteja confinado ao edifício da Galeria.

Contexto das Obras de Arte Sacra

O historiador, que também é presidente da Fundação Edifícios de Culto da Itália, dedicado ao sustento de templos históricos, ressaltou que as normas e práticas atuais reconhecem a importância do contexto das obras.

“Se não acreditássemos que o contexto era importante, o estado italiano não teria o conceito jurídico da arte ou acessório arquitetônico [vincolo pertinenziale], nem praticaria arqueologia contextual, ao invés disso seria uma brincadeira do tipo Indiana Jones para meras obras-primas”, explicou.

Dificuldade de se criar um catálogo adequado

De acordo com Schmidt, por volta de mil obras de arte sacra de grande relevância foram enviadas aos museus para serem protegidas durante a Segunda Guerra Mundial, onde permanecem até hoje, criando uma situação altamente indesejável.

Sua permanência nos museus não apenas limita o propósito para o qual foram criadas, como faz com que seja difícil criar um catálogo adequado das obras e de sua localização, o que se torna um obstáculo inclusive para os estudiosos.

Reações no ambiente eclesiástico e artístico

A proposta gerou reações diversas na opinião pública italiana, mas contou também com vozes de apoio no ambiente eclesiástico e artístico. O Arcebispo de Florença, Cardeal Giuseppe Betori, disse que “a proposta merece ser notada e elogiada”, mas “todos os casos deveriam ser considerados por seus próprios méritos”.

Mark Jones, ex-diretor do museu Victoria & Albert, de Londres, apoiou a iniciativa dizendo que “qualquer pessoa que esteja interessada em arte sabe que é melhor em seu próprio contexto”. No entanto, Jones destacou que é necessário serem estabelecidas normas esclarecendo quais são as condições que uma igreja deve atender para ter sua arte de volta. Ele também defende que seja realizada uma cerimônia para marcar esse retorno.

 

 

Fonte – GAUDIUMPRESS

Fonte – Divulgação

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