Documentário “Os Traços Urbanos da Floresta”

Cultura

O documentário manauara “Os Traços Urbanos da Floresta” será lançado no YouTube na próxima terça-feira (19) e conta com depoimento dos principais nomes do graffiti de Manaus, uma metrópole que é protagonista na Amazônia.

Colorindo o cinza de grandes centros urbanos, o graffiti alterna entre os muros das cidades e chega às grandes galerias de arte e publicações especializadas, já é tese de mestrado e doutorados em universidades dentro e fora do Brasil.

Produção Coletiva

O documentário “Os Traços Urbanos da Floresta” surge como um recorte das carreiras artísticas de graffiteiros e graffiteiras de Manaus, que utilizam a cidade como tela de suas obras através de seus muros de cimento e ferro.

Assumindo o formato de obra coletiva, o documentário nasceu da conversa entre o fotógrafo e videomaker Homero Lacerda e o graffiteiro Arab, codinome de Rogério Arab, que também conta sua relação com a arte e o espaço público ao longo da obra documental.

“A pixação carrega o mesmo sentimento do graffiti mas ainda é muito marginalizada, ele é a parte marginalizada deste contexto urbano mas ele vai dizer muito sobre o que a cidade tá sentindo naquele momento”, explica Arab mencionando sobre uma das vertentes mais populares do graffiti.

A inspiração para o filme nasceu em conversas nos bares do Centro de Manaus, quando constataram que tanto o graffiti como arte e o estilo de vida em volta da Arte de Rua tem pouca ou quase nenhuma documentação. “A mensagem que o documentário oferece é a dessa possibilidade do graffiti como expressão dos amazônidas é falar pra Manaus e pra quem mais estiver disposto a ouvir quais são os desafios e os motivos de ser tão especial compor a cena manauara”, conta Homero.

Com a produtora Cristine Pinagé a equipe tomou forma, os artistas foram selecionados e, mesmo com as dificuldades que o período de pandemia impôs, o documentário foi para o set de filmagem que não poderia ser outro: a rua.
“Basicamente o roteiro foi construído em cima da própria vivência de arte urbana. Procuramos por outros documentários, conversamos com o pessoal do graffiti e gravamos nos cenários em que os artistas mais se sentem representados. Procuramos acrescentar os contextos sociais envolvidos, as suas referências, acho que esse doc é um divisor de águas em Manaus”, relata Cristine.

Presença Feminina e Periférica

Débora Erê, Lore Paes, Gaby, e Zet trouxeram teor representativo para a obra, mostrando as dificuldades, maternidade e machismo dentro dessa cultura que vem se reinventando conforme sua expansão.

Além do graffiti, o documentário também investiga as diversas vertentes dessa arte de rua, como pixo, bomb e stickers.. Foram entrevistados os artistas Paradise, Zet, Arab, Liu, Olhinho, Gnos, Alessandro Hipz, Raiz, Máfia, Nixon e Knort.

Um mural também foi produzido durante as filmagens e contou com a participação de Rosie, Biels e Smith.

“A poética é a mesma, a lata ou o vídeo, são suportes pra gente expressar a arte”, assim resume o graffiteiro Liu, um dos entrevistados do documentário, ao falar sobre como foi trabalhar como assistente de produção no documentário.

O artista possui uma característica em seu trabalho que são as palafitas graffitadas pela cidade. “As palafitas primeiro porque eu moro aqui na quebrada e penso que toda cidade tem sua favela mas aqui a gente tem algo muito específico que é a favela sobre as águas, né?” explica Liu.

“É muito mais que pintura ou material, o graffiti tá numa questão de atitude, de se expressar publicamente, ele tem essa categoria de democratizar a arte, de trazer a arte pra todo mundo ver”, ressalta Raiz Campos, um dos grandes expoentes da arte na capital amazonense e que também teve seu trabalho documentado na obra.

O documentário “Os traços urbanos da floresta” foi premiado pela Lei Aldir Blanc – Conexões Culturais 2020, da Prefeitura de Manaus.

 

 

Fonte – Ascom

Foto – Divulgação

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