Livro sobre História da Educação discute as diferentes formas de se tornar professor no Brasil

Cultura

Em meio às dúvidas sobre como será a escola no pós-pandemia, uma publicação da Faculdade de Educação da USP apresenta a importância da história da educação na formação docente. No livro, autores e organizadores se posicionam como aqueles que defendem a educação formativa dos profissionais da educação básica, “diante dos interesses em torno da educação como mercadoria”. O e-book está disponível gratuitamente no Portal de Livros Abertos da USP.

“História da Educação: formação docente e a relação teoria-prática” foi organizado por pesquisadoras da Faculdade de Educação (FE) da USP e da Universidade Federal da Paraíba, e reúne artigos destinados a docentes em formação, já na ativa, docentes universitários – que formam os formadores – e pesquisadores da área.

De acordo com as organizadoras, a formação teórica de professores estar desconectada da prática é uma discussão que se agravou na atualidade. “Para nós, historiadoras e historiadores da educação, o argumento da suposta dicotomia teoria-prática é bastante conhecido e tem servido de pretexto quando se trata de avaliar a qualidade do ensino e destinar recursos públicos à formação de professores”, destaca a publicação.

Para rebater este argumento, o livro compartilha o conceito de práxis e a experiência de professoras e professores, do Ensino Superior à Educação Básica, e suas reflexões sobre a História da Educação. Os artigos também refletem sobre a docência e a relação teórico-prática na sala de aula em diversos eixos, como: gênero e raça, infância e juventude, educação de surdos, ensino na Amazônia, pesquisa na periferia e a visibilidade de intelectuais negros, entre outros.

No lançamento da obra, durante uma cerimônia on-line no dia 22 de junho, Fabiana Garcia Munhoz, professora doutora em educação pela USP, comentou a respeito do capítulo que redigiu: “Contribuições da história da educação para problematizações sobre as questões de gênero, raça e classe no magistério na educação básica”. Nele, a pesquisadora aborda a importância da história da educação para entender o perfil e a realidade dos educadores hoje em dia.

“Um estudo sobre o perfil docente no Brasil, com autoria de Maria Regina Viveiros Carvalho, demonstra que em 2017, 81% do magistério nas etapas iniciais da educação básica era composta por mulheres. Sendo que 42% dessas mulheres eram da cor/ raça branca, 25% eram pardas, 0,6% indígenas e 0,7% amarelas. A proposta foi justamente problematizar esse cenário destacando que ele foi e é construído historicamente. Portanto, ele não está dado. Para isso, eu retomei o início da escolarização feminina no Brasil, em 1827, com a Lei Geral. Lei que abriu a possibilidade de criação de Escolas Femininas de Primeiras Letras”, explica Fabiana, que também integra o Núcleo Interdisciplinar de Estudos e Pesquisas em História da Educação, da USP.

 

 

Fonte – USP

Foto – Divulgação

 

 

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