Danielle Winits e Christine Fernandes encenam Parabéns Senhor Presidente no Teatro Amazonas

Cultura

A comemoração do 45º aniversário de John Kennedy, no dia 19 de maio de 1962, ficou marcada na vida de duas grandes divas: Marilyn Monroe, que cantou um “Happy Birthday” tão sexy quanto histórico, e Maria Callas, ovacionada minutos antes, ao cantar “Habanera” da ópera “Carmen”, sem imaginar que a aproximação em relação à família Kennedy levaria, anos mais tarde, ao fim de seu romance com Aristóteles Onassis. Nessa histórica noite, Callas e Monroe se encontraram nos bastidores do Madison Square Garden. Essa conversa é o ponto de partida de “Parabéns senhor presidente”, texto de Fernando Duarte e Rita Elmôr, com direção de Fernando Philbert.

O espetáculo

Com patrocínio da Vivo e protagonizado por Danielle Winits e Christine Fernandes, o espetáculo transporta a plateia para o ano de 1962. Quem nunca viu a cena clássica de Marilyn Monroe cantando Happy Birthday Mr. President? A loira fez a versão de “Parabéns pra Você”, entrar para a história ao cantar para Kennedy, chocando a sociedade da época. Antes dela subir ao palco, com seu vestido de sereia rosa chá e fazer a performance que entrou para a mitologia dos anos 1960, grandes artistas se apresentaram, entre eles, Maria Callas, a atração mais aplaudida da noite.

Depois de ter cantado “Habanera”, de Carmen, Callas se viu repentinamente diante de Marilyn, que, com os olhos marejados, abraçou a cantora e disse:

“Somente uma pessoa que conheceu o amor verdadeiro, consegue cantar como a senhora. Mas vejo tanta tristeza no seu olhar.”

Callas, orgulhosa e vaidosa como era, não gostou do comentário e disparou:

“Se a senhorita pensa que pode falar tudo o que lhe vier à cabeça apenas por ser Marilyn Monroe, está enganada. “

Depois de assistir à apresentação da atriz, Callas ficou comovida e no dia seguinte enviou uma orquídea para Marilyn, o cartão dizia:

“A senhorita é uma boa alma, eu não soube compreende-la, peço que me perdoe”.

Escrito por Fernando Duarte e Rita Elmôr, o texto organiza um diálogo que expõe, ao mesmo tempo, as distâncias e as proximidades entre as duas, ressaltando a beleza do universo feminino em sua complexidade. Em cena, dois dos maiores mitos da feminilidade do século XX: Marilyn Monroe, a mais absoluta encarnação da carência afetiva, e Maria Callas, uma voz de diamante em forma de mulher. Apesar das diferenças entre elas, perceptíveis de imediato, a mesma prisão sombria as aproxima, a dificuldade de se afirmar com autonomia em um mundo controlado pelos homens e a impossibilidade de encarar a vida sem afeto.
As duas estão no topo, mas os motivos e os meios através dos quais elas chegaram lá foram diferentes.

Dividindo o mesmo espaço por uma hora, as duas mulheres mais famosas do mundo, conversam sobre o universo particular de cada uma, sem imaginar que Marilyn, iria falecer dois meses depois.

Ambas falam de suas inquietações com seus relacionamentos, suas aparências e suas competências para exercer suas profissões, entre outras coisas.

São duas pessoas fascinantes, que, por motivos diferentes, tiveram grande projeção e fins trágicos. A grande questão é como duas pessoas de universos tão distintos se relacionariam e o olhar diferente que tinham sobre uma série de situações. Callas era extremamente técnica e rigorosa, enquanto Marilyn era intuitiva e até um pouco irresponsável, graças a sua instabilidade emocional. Ao mesmo tempo, Callas, antes de Onassis, foi casada com um homem muito mais velho e não teve vida sexual até os 32 anos. Já Marilyn casou sempre por paixão e traiu todos os maridos, não ficando um dia sequer ao lado deles sem estar feliz.

Mais do que falar de Callas e Monroe, o texto aborda temas relevantes sobre o universo feminino. Em cena, as duas mulheres – independentes e bem-sucedidas – o que era raro nos anos 1960, falam com franqueza sobre assuntos ainda em pauta nos dias de hoje. O espetáculo explora, graças ao duelo verbal entre as duas, o drama feminino dos tempos recentes, a divisão entre afeto e realização, o conflito diante do papel a desempenhar em um mundo ainda regido pelos homens. A partir da diferença inicial entre os dois perfis – a intelectual e a sensual – o espetáculo desnuda, com humor, ironia e deliciosas sutilezas de raciocínio, o drama único que envolve muitas mulheres em nosso tempo. Mais do que falar de Callas ou de Marilyn, ela fala de nós, hoje. Ela funciona a favor de uma defesa da humanidade cotidiana, aquela que, em geral, atribuímos às mulheres, afinal um valor a cultivar. Não fala, portanto, apenas de figuras célebres: este drama está na esquina dos dias de todos os que enfrentam a luta da vida.

Sobre Maria Callas

A mulher que traduzia fielmente o feminino no que diz respeito à força e fragilidade. Por amor ela renunciou sua consagrada carreira, silenciando sua voz. Nesta obra teatral, são compartilhados as dúvidas e medos de “La Divina Callas”, a imperatriz do Bel Canto, que nos deixou como herança sua voz imortal. Callas, a diva das divas. Única. Uma força da natureza. A indomável Callas, geniosa, intempestiva, era regida pelos sentimentos.

Em 16 de setembro de 1977, o mundo perdeu Maria Callas aos 53 anos, vitima de um ataque cardíaco. Sua história de vida foi tão dramática quanto às personagens que interpretou nas óperas. A maior soprano da história e um dos maiores mitos do século XX, teve sua vida marcada por glórias e tragédias. Ela revolucionou a história da ópera e ainda hoje é considerada a maior cantora lírica de todos os tempos.

Aconteceu uma revolução em Paris. Pensa que os meus pais me telefonaram? Que minha irmã telefonou? Que nada! Meus amigos me ligaram. Meus admiradores, que nem sequer me conhecem, ligaram de Londres, da Itália. Minha ex-empregada, minha ex-cozinheira ligaram. Isso faz a gente pensar, sabe…

Não cresci num orfanato, mas minha vida foi solitária também. As pessoas que me cercavam não tinham juízo, eram pessoas horríveis. Mas não vivo de passado, aprendi a seguir em frente. Sobrevivi porque decidi cuidar de mim. Sou minha própria mestra. Se você quiser construir uma obra fique em paz com a sua solidão.

Viver é sofrer, e quem diz o contrário para as crianças é desonesto, cruel. Se você está vivo, está lutando. Isso acontece com todos nós. A diferença está nas armas que você usa e nas armas que são usadas contra você.

Sobre Marilyn Monroe

A simples menção ao nome Marilyn Monroe desperta o imaginário de muitas formas. Para alguns, sugere o padrão absoluto da sensualidade feminina. Beleza. Graça. Sofisticação. Para outros, vem à mente insegurança. Infelicidade. Tragédia. Mas para apreciar a vida complexa e fascinante dessa mulher enigmática é preciso deixar de lado quaisquer noções preconcebidas sobre ela, tarefa, com certeza, difícil, considerando o seu status de iconoclasta.

Dizer que nenhuma outra atriz vendeu tanto quanto ela, nem começa a explicar a importância que teve para o mundo do cinema. Ainda hoje é vista nas vitrines da vida como uma referência que nunca sai de moda. No entanto, por trás do sorriso fotogênico, era uma pessoa frágil e vulnerável, tinha uma combinação de esplendor e anseio que a destacava. Longe dos holofotes, sem a maquiagem que a transformava no mito Marilyn Monroe, às vezes, passava despercebida.

Eu acredito que tudo acontece por um motivo. As pessoas mudam para que você consiga deixá-las para lá. As coisas dão mal para você aprender a aprecia-las quando estão boas. E às vezes, coisas boas se separam para que coisas melhores ainda se juntem.

Eu sou uma mulher e adoro ser uma.

Homens estão tentando ir a lua, mas não parecem se preocupar com o coração humano pulsante.

Curiosidades:

O espetáculo terá a sua estreia nacional no dia 15 de novembro de 2019, as 20h, no belíssimo e histórico Teatro Amazonas, em Manaus. O Teatro Amazonas é um dos mais importantes teatros do Brasil e o principal cartão postal da cidade de Manaus. Localizado no Centro da cidade, no Largo de São Sebastião, foi inaugurado em 1896 para atender ao desejo da elite amazonense da época, que queria que a cidade estivesse à altura dos grandes centros culturais.

Fernando Duarte escreveu também “Callas” sobre a vida de Maria Callas, dirigido por Marilia Pêra. O espetáculo ficou três anos em cartaz. Escreveu também “Depois do amor”, ultima direção de Marília, o espetáculo também teve a sua estreia nacional no palco do Teatro Amazonas.

Essa é a segunda vez que Danielle Winits, dará vida a Marilyn Monroe no Teatro.

78 dias após a festa do Presidente, no dia 05 de agosto de 1962, Marilyn Monroe faleceu aos 36 anos. Foi encontrada morta em seu quarto. A causa do falecimento foi um mistério por mais de cinquenta anos. Em julho de 2015, um ex agente da CIA confessou ter sido o responsável pelo assassinato dela.

Seis anos depois, em 1968, Aristóteles Onassis rompeu com Maria Callas e se casou com Jackeline Kennedy. Callas entrou em profunda depressão e passou a viver completamente isolada. Faleceu em 16 de setembro 1977, aos 53 anos em decorrência de um ataque cardíaco.

 

Fonte – Ascom

Foto – Divulgação

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