O café que chega diariamente à mesa dos brasileiros percorre uma cadeia que começa muito antes do preparo da bebida. Produção, colheita, secagem, armazenagem, comercialização e exportação envolvem milhares de produtores e organizações que sustentam uma das principais atividades agrícolas do país. No Dia Internacional do Café, celebrado em 1º de outubro, o cooperativismo ganha destaque por sua participação nessa cadeia. Segundo dados do Conselho Nacional do Café apresentados pelo Sistema OCB, 97 cooperativas respondem por cerca de 65% da produção nacional e por 35% das exportações, reunindo aproximadamente 330 mil cafeicultores em diferentes regiões brasileiras. Além de organizar a comercialização, as cooperativas oferecem assistência técnica, orientação no campo, acesso a crédito, insumos, capacitação e apoio à adoção de práticas sustentáveis. A importância econômica e social do café também ganhou reconhecimento internacional em 2026, quando a Assembleia Geral da ONU oficializou o dia 1º de outubro como Dia Internacional do Café.
Cada xícara de café carrega uma cadeia produtiva que envolve muito mais do que o grão preparado para o consumo. Antes de chegar às casas, padarias e cafeterias, o produto passa por etapas como cultivo, colheita, secagem, armazenagem, negociação e comercialização.
No Brasil, uma parcela significativa dessa cadeia é organizada por cooperativas de produtores. Segundo dados do Conselho Nacional do Café apresentados pelo Sistema OCB, 97 cooperativas respondem por cerca de 65% da produção nacional e por 35% das exportações, reunindo aproximadamente 330 mil cafeicultores em diferentes regiões do país.
As cooperativas também oferecem suporte técnico e orientação aos produtores, facilitam o acesso ao crédito para investimentos e estimulam práticas sustentáveis na produção.
Para Márcio Lopes de Freitas, presidente do Conselho de Administração do Sistema OCB e também cafeicultor, a atuação coletiva ajuda o setor a enfrentar mudanças climáticas e oscilações econômicas, mantendo o café brasileiro presente tanto no mercado nacional quanto no exterior.
Dia Internacional do Café ganha reconhecimento da ONU
A data comemorativa passou a ter uma dimensão oficial ainda maior em 2026. A Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou, em 10 de março, a Resolução 80/248, que designa 1º de outubro como Dia Internacional do Café. A resolução reconhece a importância cultural, social e histórica da bebida e sua relação com a geração de renda e os meios de subsistência de milhões de famílias.
A ONU também destaca a necessidade de fortalecer uma cadeia cafeeira mais sustentável e resiliente, com atenção especial aos pequenos produtores, à distribuição de renda ao longo da cadeia e aos impactos sociais e ambientais da atividade.
A data internacional já era celebrada desde 2015, quando foi lançada oficialmente em Milão por iniciativa da Organização Internacional do Café. Em 2026, passou a integrar oficialmente o calendário das Nações Unidas.
Cooxupé reúne milhares de famílias produtoras
Entre os exemplos apresentados pelo Sistema OCB está a Cooperativa Regional de Cafeicultores em Guaxupé (Cooxupé), em Minas Gerais.
Em 2025, a cooperativa recebeu 6,075 milhões de sacas de café arábica, das quais 4,8 milhões foram entregues por seus cooperados. O volume correspondeu a 17% da produção nacional de café arábica e a 24% da produção dessa espécie em Minas Gerais, segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
Parte significativa da produção foi exportada para 50 países, entre eles Estados Unidos, Alemanha, China, Canadá e Argentina.
Fundada há 94 anos, a Cooxupé reúne mais de 22 mil famílias cooperadas no Sul de Minas, Matas de Minas, Cerrado Mineiro e Média Mogiana Paulista, distribuídas por 370 municípios.
A cooperativa atua desde o fornecimento de café verde e grãos especiais para grandes compradores até a comercialização de produtos de marcas próprias em mais de 26 mil pontos de venda.
Mais de 97% dos cooperados são pequenos produtores, que têm acesso, por meio da cooperativa, a assistência técnica, capacitação, insumos, serviços e orientação para a produção.
A sustentabilidade também integra as ações da cooperativa. Entre as iniciativas citadas pelo Sistema OCB estão o Protocolo Gerações, voltado à melhoria contínua nas áreas ambiental, social e econômica, e o Projeto de Cafeicultura Regenerativa, com ações relacionadas à biodiversidade, conservação dos recursos naturais e resiliência das lavouras.
A cooperativa também informa ter viabilizado a primeira comercialização de créditos de carbono gerados pela arborização de lavouras de café no Brasil. Entre outras ações estão projetos de educação ambiental, distribuição de mudas de espécies nativas e recuperação de nascentes.
Cafés especiais e produção de conilon
Outro exemplo é a Cooperativa de Cafeicultores e Agropecuaristas (Cocapec), com sede em Franca, no interior de São Paulo.
A cooperativa reúne 3,2 mil cooperados, muitos deles ligados à produção de cafés especiais, e mantém oito unidades em municípios paulistas e mineiros.
Segundo o Sistema OCB, a Cocapec é responsável por 5% da produção nacional de café arábica e exporta aproximadamente 1,4 milhão de sacas por ano, diretamente ou por meio de tradings, para mercados da Europa, Estados Unidos e Japão.
O trabalho da cooperativa inclui assistência técnica para produção sustentável, crédito para aquisição de tecnologias, ferramentas de comercialização, armazenamento, fornecimento de insumos, laboratório de análises, classificação e venda do café.
A cooperativa também investe em tecnologia e inovação com projetos voltados ao aumento da produtividade e à redução de custos para pequenos produtores.
No Espírito Santo, a Cooperativa Agrária dos Cafeicultores de São Gabriel (Cooabriel) atua principalmente com café conilon, variedade da espécie canéfora cultivada especialmente no Espírito Santo e na Bahia.
A cooperativa responde por 10% da produção nacional de conilon e reúne cerca de 11 mil cooperados. Em 2025, movimentou 2,3 milhões de sacas, distribuídas em 12 unidades de armazenagem, sendo nove no Espírito Santo e três na Bahia.
Aproximadamente 85% dos cooperados da Cooabriel são pequenos produtores ou agricultores familiares. A cooperativa oferece mudas, insumos, consultoria técnica, armazenagem, comercialização, capacitação e financiamento da produção.
Além do café comercializado como commodity, a Cooabriel também possui marca própria de café torrado e moído, o Café Guardião, produzido exclusivamente com conilon.
A diversidade dos modelos cooperativistas mostra como diferentes organizações atuam em etapas distintas da cadeia, desde o apoio direto ao produtor até a comercialização nacional e internacional.
Para o setor cafeeiro, a cooperação também representa uma forma de ampliar acesso a conhecimento, tecnologia, crédito e mercados, especialmente para produtores de menor escala.
A própria ONU destaca que o café envolve uma cadeia global que passa pela produção, processamento, comércio e consumo, com desafios relacionados ao clima, aos custos, à distribuição de renda e à sustentabilidade.
Fonte – Sistema OCB – SomosCoop, com informações complementares da Organização das Nações Unidas e referência histórica sobre o Dia Internacional do Café.
Texto com apoio da Inteligência Artificial/Edição da Coopnews
Foto – Divulgação/OCB
Dia Internacional do Café cooperativas de café
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