Ciência e Tecnologia

Doença de Chagas ainda avança silenciosa e acende alerta no Brasil

Baixa cobertura de tratamento preocupa especialistas.
Diagnóstico tardio dificulta o combate à doença.
Dia Mundial reforça alerta e necessidade de ação.

O Dia Mundial da Doença de Chagas, celebrado em 14 de abril, chama a atenção para uma das doenças mais negligenciadas das Américas e que ainda representa um importante desafio para a saúde pública. Estimativas apontam que entre 1,9 e 4,4 milhões de brasileiros estejam infectados pelo protozoário Trypanosoma cruzi. Apesar disso, menos de 10% dos casos são diagnosticados e apenas cerca de 1% dos pacientes recebe o tratamento adequado.

A doença apresenta duas fases distintas, o que dificulta sua identificação e controle. Na fase aguda, que ocorre logo após a infecção, seja pela picada do inseto transmissor, conhecido como “barbeiro”, ou pela ingestão de alimentos contaminados, os sintomas incluem febre prolongada, dor de cabeça e fraqueza. Em alguns casos, pode surgir o sinal de Romaña, caracterizado pelo inchaço na pálpebra. Na região Norte, é comum a confusão com doenças como a malária, o que pode atrasar o início do tratamento.

Já na fase crônica, o parasita pode permanecer no organismo por décadas de forma silenciosa. Quando se manifesta, pode comprometer gravemente o coração e o sistema digestivo, sendo uma das principais causas de cardiopatias em adultos jovens na América Latina.

Segundo a coordenadora dos cursos de saúde do Centro Universitário Martha Falcão Wyden, Josiani Nunes, o diagnóstico precoce é fundamental para evitar complicações. “A Doença de Chagas é considerada silenciosa justamente porque pode permanecer anos sem sintomas. Por isso, ampliar o acesso ao diagnóstico é essencial para interromper a progressão da doença e reduzir impactos graves na saúde dos pacientes”, destaca.

Sem vacina disponível, a prevenção segue como a principal estratégia de combate. Na região amazônica, além do controle do vetor, a atenção se volta especialmente para a segurança alimentar. “O consumo de alimentos como açaí, bacaba e caldo de cana exige cuidados rigorosos de higiene. Técnicas como o branqueamento são fundamentais para eliminar o parasita sem comprometer a qualidade do alimento”, explica Josiani Nunes.

Outro ponto importante é o manejo ambiental para evitar a presença do inseto transmissor nas residências. “Medidas simples, como o uso de telas, mosquiteiros e a limpeza de quintais, ajudam a reduzir o risco de infestação, já que o barbeiro costuma se abrigar em locais com acúmulo de resíduos e próximo a animais silvestres”, acrescenta.

Desde 2020, a notificação dos casos crônicos da doença passou a ser obrigatória no Brasil, o que representa um avanço no monitoramento e no planejamento de políticas públicas voltadas ao enfrentamento da enfermidade.

A erradicação da Doença de Chagas como problema de saúde pública até 2030 integra os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU). No entanto, especialistas apontam que o enfrentamento da doença ainda esbarra em desigualdades sociais, como a falta de saneamento básico e condições adequadas de moradia.

“A Doença de Chagas está diretamente relacionada a contextos de vulnerabilidade social. Combater essa realidade exige uma abordagem integrada, que envolva saúde, meio ambiente e qualidade de vida da população”, reforça Josiani Nunes.

O tratamento antiparasitário, quando iniciado precocemente, pode evitar a evolução da doença e reduzir danos irreversíveis. Ampliar a conscientização e garantir acesso ao diagnóstico e tratamento são medidas essenciais para tirar a doença da invisibilidade e proteger milhões de brasileiros.

 

 

Fonte – Ascom

Edição – Coopnews

Foto – Divulgação/Ascom

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