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Energia elétrica fortalece cadeia do açaí na Amazônia Legal

Para os extrativistas, a energia elétrica também representa mais qualidade de vida e novas oportunidades de renda ligadas ao açaí na Amazônia Legal.
Com luz nas comunidades, produtores conseguem armazenar melhor o açaí, ampliar a produção e reduzir perdas durante a safra.
O acesso à energia elétrica tem transformado a rotina de extrativistas que vivem da coleta de açaí na Amazônia Legal.

Uma parte importante da produção de açaí na Amazônia Legal ainda enfrenta um obstáculo básico: a falta de energia elétrica. Dados recentes mostram que cerca de 30% do açaí produzido na região vem de áreas extrativistas que não têm acesso ao fornecimento público de energia elétrica, o que limita o trabalho de muitos extrativistas.

A situação é ainda mais desafiadora em outros produtos da sociobioeconomia amazônica. No caso do óleo de copaíba, da carnaúba e da fibra de piaçava, mais de 80% da produção ocorre em locais sem energia elétrica, realidade que afeta diretamente a rotina de comunidades extrativistas da Amazônia Legal.

O impacto aparece no dia a dia da produção. Sem energia elétrica, não é possível usar refrigeradores para conservar o açaí e outros produtos perecíveis. Muitas vezes, os extrativistas precisam vender o açaí in natura, sem processamento da polpa, o que reduz o valor do produto e aumenta a dependência de intermediários.

Esse cenário foi identificado em um levantamento do Instituto de Energia e Meio Ambiente, feito com base em dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. O estudo analisou 49 produtos do extrativismo vegetal na Amazônia Legal, incluindo o açaí, e destacou o impacto da ausência de energia elétrica nas cadeias produtivas.

O mapeamento faz parte de um relatório divulgado no fim de 2025 e agora disponível na internet. A plataforma interativa reúne informações sobre a sociobioeconomia da Amazônia Legal e ajuda a mostrar como o acesso à energia elétrica pode transformar a realidade de milhares de extrativistas que vivem da produção de açaí e de outros recursos da floresta.

“O diferencial da ferramenta é a possibilidade de obter e correlacionar dados em um nível de detalhamento que antes não era possível”, diz o pesquisador Fabio Galdino dos Santos, um dos coordenadores da iniciativa.

“O que está na plataforma e não está no relatório é justamente esse nível bem desagregado da informação. O que o relatório resume e agrega, a plataforma distribui”, explica.

O volume de informações é expressivo. A partir de uma combinação de filtros, pode-se extrair dados sobre a produção extrativista em cada distrito dos mais de 770 municípios da Amazônia Legal, bem como seu nível de acesso à infraestrutura elétrica. E isso para qualquer um dos 49 produtos monitorados.

É possível constatar, por exemplo, que o distrito de São Felipe, o maior do município de São Gabriel da Cachoeira (AM), tem a maior parte de sua produção de açaí (81%) e bacabá (75%) oriundas de estabelecimentos extrativistas sem acesso à energia elétrica. Os dados podem ser depois exportados para aplicativos de planilhas.

Santos conta que os dados segmentados por subdistritos não eram disponibilizados para consulta ao público geral pelo IBGE. “Tivemos que formalizar uma solicitação especial para conseguir mensurar o extrativismo vegetal na Amazônia até esse nível de detalhe, o que é algo inédito”, diz.

Outro recurso são as camadas de informações geográficas que podem ser incorporadas ao mapa, como a localização de linhas de transmissão de energia, hidrovias, rodovias e ferrovias federais próximas aos principais pólos de produção.

Para o pesquisador Vinícius Oliveira da Silva, também coordenador da iniciativa, o relatório e a plataforma buscam não apenas disponibilizar informações, mas também contribuir para a eficiência das políticas públicas de universalização do acesso à energia.

“A grande fronteira do acesso à energia está na Amazônia, mas historicamente existe uma deficiência do Estado em saber onde estão, quem são e o que produzem essas pessoas hoje excluídas. Nosso trabalho busca suprir esta lacuna.”

Segundo ele, as distâncias e a diversidade do contexto amazônico exigem soluções adaptadas à essas diferentes realidades. “Não basta a política existir. Ela precisa ser baseada em dados reais do território e executada com respeito às particularidades culturais e locais para que realmente promova o desenvolvimento e a qualidade de vida dos povos e comunidades que vivem e mantêm a floresta em pé”.

 

Fonte – Instituto de Energia e Meio Ambiente

Edição – Coopnews

Foto – Divulgação 

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