O programa Cultura na USP recebeu o médico Egidio Lima Dórea, coordenador dos programas USP 60+ e Envelhecimento Ativo da USP, e o economista Alfredo Luiz Colli Júnior, coordenador do Serviço de Orientação Financeira da FEA-USP, para uma conversa sobre longevidade e planejamento financeiro.
O encontro abordou a importância de se preparar para envelhecer com qualidade, unindo cuidados com a saúde e organização financeira como pilares para uma vida longa, equilibrada e com mais autonomia.
Segundo dados do último censo realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o número de pessoas com 65 anos ou mais aumentou 57,4% em um período de 12 anos, ou seja, a população brasileira está vivendo mais. Entretanto, é importante pensar não apenas no aumento da longevidade, mas também na qualidade desse envelhecimento. E para que se garanta tranquilidade nessa fase da vida é preciso reunir planejamento em diversas áreas, como saúde e finanças.
O médico Egidio Lima Dórea destacou a importância de preparar-se desde cedo para um envelhecimento saudável, mas que para isso é preciso que todos tenham acesso a oportunidades. Ele também chamou a atenção para a necessidade de se criar uma cultura de prevenção no Brasil. “Nossa medicina, nossa saúde, nosso sistema de saúde são muito baseados no tratamento de doenças e não no fato de você tentar evitar que essas doenças se manifestem.”
Essa preparação, no entanto, não se limita à saúde, a organização financeira também é importante. Segundo Alfredo Luiz Colli Júnior, nesta etapa da vida, é comum que os gastos, especialmente com saúde e medicamentos, superem os ganhos. O planejamento financeiro envolve, portanto, pensar em metas a médio e a longo prazo que visem garantir segurança para uma aposentadoria tranquila. O economista ressalta que não há idade indicada para começar a se planejar e poupar. “A educação financeira, a construção de um patrimônio, é um processo. Quanto antes você começar, antes você vai chegar nessa situação de tranquilidade financeira.”
Colli Júnior coordena o Serviço de Orientação Financeira (SOF) da FEA-USP, uma consultoria gratuita que auxilia no planejamento orçamentário. Criado em 2015, o SOF já realizou mais de 2 mil atendimentos. O projeto é aberto ao público, para participar é só mandar um e-mail para sof@usp.br solicitando o agendamento de horário. Para mais informações acesse o Instagram @sof.usp.
A longevidade exige também um cuidado emocional diante das transformações que a aposentadoria traz. Segundo a jornalista Miriam Ramos, que se aposentou após décadas de atuação na Rádio USP, o fim da vida profissional pode ser vivido como um processo de luto. “Você precisa construir uma nova identidade que não é a laboral, não é do trabalho”, afirma. A radialista tinha medo de parar de trabalhar e perder parte de sua identidade, mas aprendeu a ver o fim da vida profissional com outros olhos. “Mas a aposentadoria também é gostosa, é outra fase da vida. A gente precisa entender isso”, comenta.
No programa, especialistas destacaram os desafios enfrentados por pessoas mais velhas no mercado de trabalho, especialmente no que diz respeito ao preconceito etário. Muitas empresas ainda adotam práticas idadistas em processos de contratação, promoção e demissão de profissionais com mais de 50 anos. Essa exclusão compromete não apenas o bem-estar dos indivíduos, mas também impede que as empresas se beneficiem da combinação entre experiência e inovação.
O encontro intergeracional foi apontado como uma estratégia promissora, por trazer ganhos tanto para os profissionais mais velhos quanto para as organizações, que podem enriquecer seu ambiente com diversidade de saberes. Mas, segundo Dórea, para que isso ocorra, é preciso promover cursos de inclusão digital para que as gerações anteriores possam se adaptar às novas tecnologias.
A proposta de intergeracionalidade é um dos pilares do programa USP 60 +. A iniciativa oferece cerca de 5 mil vagas semestralmente para pessoas com 60 anos ou mais, distribuídas em diversas atividades. Os interessados podem também matricular-se em disciplinas regulares da graduação de diversos cursos. “Os resultados só são positivos. Existe uma satisfação maior tanto por parte do 60 + quanto por parte do aluno da graduação. As trocas são percebidas”, destaca Dórea. Para algumas atividades o período de inscrições é variado ao longo do semestre, exceto para disciplinas regulares, que já finalizaram. Para mais informações, consulte o site e o Instagram @usp60mais.
Fonte – USP
Foto – FEA-USP/Divulgação




