Ciência e Tecnologia

Envelhecimento e mudanças climáticas – o desafio que ganha destaque na COP30

Envelhecer em um cenário de emergência climática exige enfrentar os impactos da degradação ambiental.
A crise climática resulta de um modelo de desenvolvimento que prioriza o lucro em vez da vida.
O debate sobre envelhecimento e mudanças climáticas avança como tema essencial na COP30.

A 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), realizada em Belém do Pará, abre uma oportunidade histórica para colocar o envelhecimento populacional no centro das políticas climáticas globais. É o que destaca o resumo executivo do “I Seminário Nacional sobre Envelhecimento, Sustentabilidade, Mudanças Climáticas, Demências, Saberes Tradicionais e Ancestralidade: uma perspectiva intergeracional”.

O documento lembra que o mundo vive, ao mesmo tempo, duas megatendências que avançam rapidamente: o aquecimento global e o expressivo envelhecimento populacional. Esse cenário exige atenção urgente e a construção de estratégias capazes de enfrentar desafios que vão desde a proteção social até a adaptação às novas condições ambientais.

a) Pessoas idosas como grupo de alta vulnerabilidade – Os impactos climáticos não são homogêneos. As pessoas idosas apresentam: Maior suscetibilidade fisiológica a ondas de calor, poluição do ar, enchentes e outras situações emergenciais e vetores de doenças; Condições de saúde agravantes, como doenças crônicas, limitações funcionais e maior suscetibilidade imunológica; Restrição de mobilidade e barreiras físicas, que dificultam o acesso a abrigos ou serviços de emergência; Isolamento social e desigualdades socioeconômicas que podem reduzir sua capacidade de resposta mais imediata.

b) Políticas e infraestrutura insuficientes – A maioria dos países ainda não possui planos de contingência climática adaptados ao envelhecimento. Persistem falhas como: Infraestrutura urbana deficiente, sem acessibilidade adequada; Sistemas de saúde pouco preparados para demandas simultâneas de situações emergenciais e cuidados gerontológicos; Baixa integração intersetorial, com políticas ambientais e de saúde ainda fragmentadas.

c) Eventos recentes como sinais de alerta – As enchentes no Rio Grande do Sul em 2024 afetaram milhares de idosos, revelando a ausência de protocolos específicos. As ondas de calor na Europa, que aumentaram a mortalidade entre idosos, mostram que mesmo países mais estruturados sofrem para proteger essa população. Esses episódios reforçam a urgência do tema “envelhecimento” na COP30.

 

 

Fonte – USP

Foto – Divulgação

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