Um estudo realizado em Oiapoque, no Amapá, na fronteira entre Brasil e Guiana Francesa, acende um alerta importante: associar toda febre à malária pode atrasar ou até impedir o diagnóstico de outras doenças. Na região, onde a malária é frequente, muitos casos de febre acabam automaticamente ligados à infecção pelo parasita.
A pesquisa mostra que esse hábito de associar febre exclusivamente à malária pode mascarar arboviroses como dengue e chikungunya, que apresentam sintomas semelhantes. O resultado é um diagnóstico incompleto e o risco de deixar outras infecções sem o devido acompanhamento.
O estudo foi conduzido por cientistas da Universidade Federal Fluminense e da Universidade Federal do Amapá, que investigaram a circulação simultânea de malária e arboviroses na região. Os pesquisadores reforçam que as duas doenças podem ocorrer ao mesmo tempo, o que exige atenção redobrada.
De acordo com o professor Ricardo Machado, do Programa de Pós-Graduação em Microbiologia e Parasitologia Aplicada da UFF, é fundamental ampliar a testagem diante de sintomas como febre, dor de cabeça e tremores, independentemente do resultado positivo para malária. Para ele, associar automaticamente esses sinais a um único diagnóstico pode comprometer a conduta clínica.
O estudo alerta que, nos casos de coinfecção, o quadro pode se agravar e aumentar os riscos ao paciente. Por isso, os especialistas defendem que o diagnóstico seja mais abrangente, evitando associar toda febre apenas à malária e garantindo a identificação correta de possíveis arboviroses.
Fonte – EBC
Edição – Coopnews
Foto – Agência Bori




