O número de animais de estimação cresce no mundo inteiro e, com ele, aumenta também o cuidado dos tutores com a saúde e a longevidade dos pets. Cada vez mais vistos como parte da família, cães e gatos vivem por mais tempo graças a ambientes mais seguros, alimentação adequada e acompanhamento veterinário regular. Esse avanço reflete uma mudança de comportamento que prioriza bem-estar e qualidade de vida.
Hoje, gatos costumam viver entre 12 e 18 anos, e não é raro encontrar felinos que ultrapassam os 20. Já os cães têm expectativa de vida bastante variável, influenciada principalmente pela raça e pelo porte. Com o passar dos anos, surgem sinais típicos do envelhecimento, como pelos embranquecidos, especialmente no focinho, perda de elasticidade da pele, rigidez nas articulações e redução gradual da massa muscular. Nos gatos, a perda muscular costuma ser mais perceptível na região da cabeça, enquanto o embranquecimento dos pelos pode ser discreto ou até inexistente.
Na medicina veterinária, envelhecer não é tudo igual. O estágio sênior marca o início dessa fase, quando muitas vezes ainda não há sintomas claros, mas o risco de doenças relacionadas à idade já aumenta. Já o período geriátrico é caracterizado por declínio funcional mais evidente, presença de doenças crônicas e maior fragilidade. Nessa etapa, cães e gatos ficam mais suscetíveis a infecções urinárias, problemas dentários e doenças respiratórias.
Os transtornos neurológicos também ganham destaque com o aumento da longevidade. Em cães idosos, a síndrome da disfunção cognitiva tem sido cada vez mais diagnosticada e apresenta semelhanças com o Alzheimer em humanos. Mudanças de comportamento, desorientação e alterações no sono podem ser sinais de alerta. Identificar essas mudanças precocemente e investir em acompanhamento multidisciplinar faz diferença direta na qualidade de vida do animal.
Dentro desse cenário, o Fevereiro Roxo Pet surge como um importante movimento de conscientização sobre o envelhecimento e as doenças crônicas em pets idosos. Envelhecer é um processo natural, mas pode e deve ser acompanhado de perto. Com informação, prevenção e parceria entre veterinários e tutores, é possível garantir mais conforto, dignidade e bem-estar aos animais que tanto fazem parte da nossa história.
Marcia Seixas de Castro Bader, Médica Veterinária; Doutora em Biotecnologia e Coordenadora do curso de Medicina Veterinária no Centro Universitário Martha Falcão Wyden.
Edição – Coopnews
Foto – Divulgação




