Sistemas fotovoltaicos: Uma visão geral e as perspectivas no contexto amazônico’ foi o tema abordado no Fórum para o Desenvolvimento do Amazonas, realizado na tarde do dia 5 de abril, na Pró-reitoria de Extensão (Proext), localizada no setor Norte do Campus universitário. Focada na utilização de energia solar, a proposta do debate abrange os impactos ambiental e social proporcionados pela produção de eletricidade por meio de uma fonte renovável, além das questões inerentes à implantação desta tecnologia em locais estratégicos da região Amazônica.
O orador foi o professor do Departamento de Eletricidade da Faculdade de Tecnologia da Ufam (FT), Helder Cruz. Graduado em Engenharia Elétrica e doutor em Engenharia Industrial, o docente pontuou a conscientização acerca do desenvolvimento sustentável como primordial para a compreensão da relevância constatada na instalação de sistemas fotovoltaicos. Trata-se de uma alternativa que viabiliza a “reconciliação”, conforme coloca, entre a preservação do meio ambiente e o crescimento econômico, atividades anteriormente interpretadas como opostas.
Ainda segundo o professor Cruz, existe uma teoria desenvolvimentista que impulsionou um efetivo progresso econômico ao longo da história, independentemente do cuidado com a natureza, o que precisa ser desconstruído. “O conceito de desenvolvimento sustentável é proveniente de um processo de avaliação e reavaliação da relação entre a sociedade e o meio ambiente e deve ser entendido como aquele que atende às necessidades apresentadas no presente, sem comprometer a capacidade de gerações futuras satisfazerem às suas”, complementou.
O mercado mundial fotovoltaico, de acordo com as constatações apresentadas, cresceu exponencialmente nos últimos anos, atingindo a capacidade total instalada de 227 Gigawatts de potência (GWP) em 2015 e 250 GWP em 2017, segundo informou a Internacional Energy Agency (IEA). Dentre os países desenvolvidos mais ligados efetivamente à utilização de energia solar, destaca-se a China, que já alcançou 43,5 GWP e a Alemanha, chegando a 39,7 GWP. Em décimo lugar coloca-se uma nação subdesenvolvida, a Índia, com 5 GWP. O Brasil não está incluído na lista dos 20 países mais potentes, “fato que pode ser revertido através da criação de políticas públicas que contemplem projetos advindos principalmente de universidades, com a finalidade de atender demandas sociais”, ponderou o professor Helder Cruz.
Dados de 2018 da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) revelam que o Amazonas apresenta apenas 24 unidades consumidoras com geração distribuída, enquanto o estado de Minas Gerais possui 5400 e o de São Paulo, 4900, o que demonstra um desequilíbrio entre os estados da Federação e a urgência dos projetos que já foram elaborados e apresentados à Assembleia Legislativa, por reconhecimento do Estado, com objetivo de angariar recursos financeiros. “O Amazonas possui um capital intelectual riquíssimo e, portanto, devemos encarar a situação com seriedade”, declarou o orador.
O professor Antônio de Pádua, da Faculdade de Medicina (FM), classificou a implementação de sistemas fotovoltaicos em municípios do interior do Amazonas como uma grande evolução no que concerne à saúde pública, uma vez que equipamentos funcionariam com maior agilidade e medicamentos poderiam ser transportados via drone de um local para outro. “A solução não pode ser restringida apenas à construção de hospitais e este pode ser um argumento para justificar a relevância social da energia solar e conseguir patrocínios para implantá-la”, observou.
Fonte – Ufam




