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Governo cancela debate sobre inclusão das hidrovias da Amazônia no Programa Nacional de Desestatização

A decisão interrompe, ao menos por enquanto, qualquer movimento formal para levar as hidrovias da Amazônia ao processo de desestatização. O tema, que envolve desenvolvimento regional, transporte e impacto econômico, deve continuar no radar de autoridades e do setor produtivo.
O debate sobre a entrada das hidrovias da Amazônia no Programa Nacional de Desestatização foi oficialmente cancelado. A medida muda o rumo de uma discussão que vinha chamando a atenção de quem acompanha a infraestrutura e a logística na região Norte.
O decreto que previa essa inclusão foi revogado ontem pelo presidente da República. Na prática, o texto retira as hidrovias da Amazônia da lista de projetos que poderiam avançar dentro do Programa Nacional de Desestatização.

A Comissão da Amazônia e dos Povos Originários e Tradicionais da Câmara dos Deputados cancelou a audiência pública que seria realizada nesta terça-feira (24) para discutir o PDL 942/25. O projeto tratava diretamente da inclusão das hidrovias no Programa Nacional de Desestatização, tema que vinha mobilizando parlamentares e representantes da região Norte.

O debate perdeu sentido depois que o Decreto 12.600/25 foi revogado. A norma incluía as hidrovias dos rios Madeira, Tocantins e Tapajós no Programa Nacional de Desestatização, abrindo caminho para a desestatização desses trechos estratégicos para a logística da Amazônia.

A revogação foi assinada ontem pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. Com isso, a inclusão das hidrovias no Programa Nacional de Desestatização deixa de ter efeito imediato.

O assunto, no entanto, está longe de ser simples. As hidrovias têm papel central no escoamento da produção, no abastecimento das cidades e na dinâmica econômica da região amazônica, o que amplia a dimensão do debate.

Mesmo com o cancelamento da audiência, a discussão sobre as hidrovias no Programa Nacional de Desestatização deve continuar nos bastidores e no plenário, já que envolve desenvolvimento, soberania e os interesses de quem vive e trabalha na Amazônia.

Impacto

O debate foi solicitado pela deputada Célia Xakriabá (Psol-MG) e pelo deputado Airton Faleiro (PT-PA). Eles destacam que a inclusão das hidrovias no PND representa medida de grande impacto ambiental, social, cultural, espiritual e territorial, especialmente para povos indígenas e comunidades tradicionais que dependem dos rios para sua sobrevivência.

“Os rios não são infraestruturas logísticas, mas sim elementos estruturantes dos territórios, dos modos de vida e da segurança alimentar dessas populações”, afirmam no documento em que pedem a audiência.

Célia Xakriabá e Airton Faleiro relatam ainda que diversas organizações indígenas e da sociedade civil têm denunciado que o Decreto 12.600/25 foi editado sem a realização de consulta livre, prévia e informada, em desacordo com o artigo 231 da Constituição e com a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), da qual o Brasil é signatário.

Eles também apontam que há preocupação com a ausência de estudos de impacto socioambiental que considerem os efeitos das obras de dragagem, concessões e aumento do tráfego hidroviário nos ecossistemas amazônicos.

“Diante desse cenário, a realização de audiência pública mostra-se necessária e urgente, tanto para subsidiar a análise do PDL 942/25 quanto para garantir que o Parlamento cumpra seu papel constitucional de fiscalização dos atos do Poder Executivo e de defesa dos direitos dos povos originários e tradicionais da Amazônia”, dizem.

 

 

Fonte – Agência Câmara de Notícias

Edição – Coopnews

Foto – Ministério da Infraestrutura

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