Emoções, homenagens e boas lembranças marcaram o início das celebrações dos 30 anos do Bosque da Ciência, espaço de visitação pública do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI). A cerimônia foi realizada nesta terça-feira (1º), data da criação, com a presença da comunidade do Inpa, autoridades e pessoas que fizeram parte da fundação e consolidação do Bosque, o primeiro parque verde urbano de Manaus. De quarta a domingo desta semana, uma programação especial com cerca de 50 atividades abertas ao público, entre exposições, oficinas, visitas e jogos, dá continuidade às comemorações.
O diretor do Inpa, o professor Henrique Pereira, destacou que a celebração é compartilhada com a comunidade local, ex-participantes do Projeto Pequenos Guias do Bosque da Ciência, pesquisadores, servidores, parceiros e figuras essenciais para sua criação. Entre eles o ex-diretor diretor do Inpa, José Seixas Lourenço, e o pesquisador Juan Revilla, primeiro diretor do Bosque e idealizador do projeto, que foram homenageados na solenidade.
“O Bosque não apenas se consolidou como um espaço de lazer, mas também como um centro de educação ambiental e popularização da ciência. Sua programação cresceu com eventos científicos e ações educativas, consolidando o tema ‘Educador por Natureza’. Trinta anos depois, o Bosque se renova e segue fiel à sua missão de divulgação científica e ambiental. Seu impacto transcende o Inpa, alcançando milhares de pessoas que aqui encontram inspiração para valorizar e transformar a Amazônia”, ressaltou Pereira.
A mesa de abertura foi composta pelo diretor do Inpa, pela diretora-presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), Márcia Perales, representando o governador do Estado, pelo secretário da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Sustentabilidade e Mudanças do Clima (Semmasclima), François Matos, e pelo secretário executivo do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Sérgio Cruz, representando a ministra Luciana Santos que enviou um vídeo de felicitação ao Bosque.
Perales reforçou a importância do Bosque como referência em educação ambiental e popularização da ciência, sendo o Bosque da Ciência um modelo que extrapola os limites estaduais e regionais, além dos benefícios do parque para o bem-estar e saúde emocional das pessoas. “Um dos maiores desafios no mundo hoje é a popularização e difusão da ciência. No cerne das nossas pesquisas estão as pessoas; queremos melhorar suas vidas. O Inpa, ao administrar o Bosque da Ciência, transforma esse espaço não apenas em uma área de lazer, mas em um laboratório científico vivo, onde se estuda e divulga nossa biodiversidade. Parabéns e vida longa ao Bosque da Ciência”, destacou
Segundo o secretário do MCTI, foi uma experiência encantadora conhecer o Bosque da Ciência. “Fiquei muito feliz ao ver [no vídeo do Bosque] jovens e crianças participando ativamente desse espaço de divulgação e popularização da ciência. Isso é fundamental para despertar, desde cedo, o valor da Amazônia e a importância de sua preservação para as futuras gerações”, comentou Sérgio Cruz.
Na cerimônia, foi apresentado o vídeo institucional Bosque da Ciência – 30 Anos, de quatro minutos. O projeto coordenado pela Assessoria de comunicação do Inpa, com articulação do diretor do instituto, foi produzido por meio de uma parceria com a Banksia Films, Photo Cadismo e Arraial de Manaós 47 do Laboratório de Produção Musical da Faculdade de Artes da universidade Federal do Amazonas (Ufam).
Homenagens
Na solenidade, foram homenageadas 38 pessoas com placas e menções honrosas, das quais 27 puderam estar presentes. Além de Lourenço e Revilla, foram agraciados pesquisadores, técnicos e outros servidores que foram essenciais para tornar o Bosque da Ciência um parque que abriu as portas do Inpa para a sociedade e é um marco da educação e popularização científica em Manaus. Em 30 anos de trajetória, mais de 2 milhões de pessoas já visitaram o Bosque, e somente em 2024 foram quase 120 mil.
Seixas Lourenço destacou que a experiência do Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG), unidade de pesquisa do MCTI, serviu como modelo para promover a abertura do Inpa para a comunidade, uma instituição reconhecida pela excelência em pesquisa e pela recepção de cientistas de diversas partes do mundo. No entanto, na época, não havia uma preocupação efetiva em estabelecer uma relação mais próxima com o público.
“Abrir as portas das instituições de pesquisa para a população é essencial para formar jovens conscientes. O futuro da Amazônia depende dessa juventude, e se eles tiverem desde cedo uma educação ambiental sólida, poderão transformar a realidade da região. Com conhecimento, podemos construir com nossas próprias mãos um futuro próspero para a Amazônia”, pontuou Seixas.
Pequenos Guias: formando novas gerações
O Projeto Pequenos Guias foi coordenado pelo Laboratório de Psicologia e Educação Ambiental (Lapsea) de 1993 a 2010, liderado pela pesquisadora Maria Inês Higuchi, que também foi homenageada junto com a servidora aposentada Solange Farias. A iniciativa foi fundamental na difusão da importância do cuidado e o compromisso para a preservação ambiental da Amazônia, formando, adolescentes para atuarem como agentes de sensibilização socioambiental de visitantes do Bosque e de comunitários.
Izabel Rodrigues, integrante da primeira turma de Pequenos Guias em 1995, começou no projeto aos nove anos. Ela conta que colhe os frutos dessa experiência até hoje. “O projeto foi um norte para mim. Foi ali que comecei a desenvolver minha consciência ambiental. Ele influenciou toda a minha trajetória acadêmica e profissional, ajudando-me a entender quem eu queria ser. O Bosque da Ciência representou essa transformação na minha vida, e sou grata a todos que contribuíram para esse trabalho incrível”, destacou.
Novos espaços
Após a cerimônia no Auditório da Ciência, os participantes seguiram para a frente da Casa da Ciência, onde uma placa comemorativa dos 30 anos do Bosque foi descerrada. O local também abriga uma árvore grande e robusta de mogno, a muda foi plantada na inauguração do espaço.
O público visitou ainda a Casa da Ciência, que passou por recente revitalização, para conferir o retorno da exposição imersiva com amostras da biodiversidade e sons da floresta, além da nova mostra do Programa de Grande Escala da Biosfera-Atmosfera na Amazônia (LBA/Inpa-MCTI). As obras de revitalização aconteceram em março deste ano, financiadas pelo Projeto Ciência na Escola (PCE) do Bosque, coordenado pela pesquisadora Rita Mesquita. A Casa da Ciência teve sua estrutura física e museológica totalmente modernizada em 2019 com a exposição Tramas da Ciência, financiada pelo projeto Museu na Floresta, convênio do Inpa com a Universidade de Kyoto.
Ainda durante a programação, foi reinaugurada a Maloca Intercultural Indígena, que fica na Ilha da Tanimbuca. Segundo o coordenador de Extensão, George Rebelo, a Maloca é uma oportunidade valiosa para apresentar a arte, o artesanato e a cultura das comunidades indígenas aos visitantes do Bosque. Dez etnias de ao menos cinco organizações indígenas estão envolvidas na retomada de construção do espaço, estreitando os laços e compartilhando a cultura indígena.
“Reunimos as pessoas que já foram envolvidas na Maloca para retomar esse projeto, que estava desativado desde a pandemia. O esforço foi possível graças à capacidade única que os povos indígenas têm de se mobilizar, de forma respeitosa, solidária e empolgada”, comemorou Rebelo.
Programação de aniversário
De 2 a 6 de abril de 2025, acontece a programação especial de aniversário “Bosque da Ciência Educador por Natureza” com várias atividades de popularização científica. A programação é gratuita e aberta ao público, bastando agendar a entrada pelo site. O Bosque da Ciência fica localizado na rua Bem-te-vi, s/nº, no bairro de Petrópolis.
As atividades estão focadas no que se pode ver, tocar e sentir dentro da área do Bosque. O visitante contará com exposições sobre insetos amazônicos, quelônios, vida de gavião-real, alimentos e nutrição, flora amazônica, entre outras, além dos atrativos tradicionais do espaço, como a Casa da Ciência, Quelônios da Amazônia, Tanque dos peixe-boi e muito mais.
As atividades são desenvolvidas por grupos de pesquisa e laboratórios do Inpa, além do PCE do Bosque, que atua com exposições, jogos, oficinas e uma equipe de monitores de visita no Bosque. Confira aqui a programação completa.
Fonte – Ascom
Foto – Divulgação/Ascom